Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
São Paulo

Ex-policiais acusados de executar adolescente de 15 anos vão a júri

Guilherme Silva Guedes foi morto com tiros na cabeça em 2020. Adriano Fernandes de Campos e Gilberto Eric Rodrigues são acusados do crime

11/08/2026 09:24
Reprodução
Imagem colorida mostra adolescente de 15 anos executado por policiais. Metrópoles

O júri popular dos dois ex-policiais militares acusados de executar um adolescente de 15 anos com um tiro na cabeça acontece nesta terça-feira (11/8) em São Paulo. Guilherme Silva Guedes foi torturado e morto em 2020 em Diadema, na região metropolitana da capital paulista.

Inicialmente, o processo havia sido dividido em ações diferentes para os policiais Adriano Fernandes de Campos e Gilberto Eric Rodrigues. A ação contra Gilberto chegou a ser suspensa porque o agente estava foragido na época dos fatos. No entanto, foi retomada após ele ser localizado e preso.


Relembre o caso

  • Guilherme Silva Guedes, de 15 anos, desapareceu em junho de 2020 em São Paulo.
  • O corpo dele foi encontrado no mesmo dia do desaparecimento. Guilherme tinha marcas de agressão física e de dois tiros na cabeça.
  • Segundo o Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), os policiais prestavam serviços de segurança para uma empresa e suspeitaram que Guilherme teria invadido um galpão para furtar equipamentos.
  • Imagens das câmeras de segurança mostram o momento em que o garoto sai de casa vestindo um agasalho e conversando com uma pessoa antes de desaparecer. Em outra ocasião, dois homens surgem e agridem o menino.
  • A polícia já suspeitava da participação dos policiais, que faziam a segurança de uma piscina pública perto de onde Guilherme morava. Ao lado do corpo da vítima, foi encontrada uma identificação militar pela perícia.
  • Em depoimento, a tia do jovem disse que foi ao piscinão local pedir informações sobre Guilherme. Um segurança que estava no local disse que era da Polícia Militar de São Bernardo, mas não tinha visto o adolescente. Na identificação encontrada pelos peritos, o nome de um agente de São Bernardo estava destacado.
  • Segundo o então secretário-executivo da Polícia Militar, coronel Álvaro Camilo, não houve registro de ações policiais na região em que Guilherme morava, mas o policial admitiu a presença da tarjeta militar ao lado do corpo baleado.

Já Adriano responde em liberdade porque passou por um julgamento em 2021, quando acabou absolvido pela maioria dos jurados. Mas, em 2022, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) aceitou um recurso do Ministério Público do estado (MPSP) e anulou o júri que absolveu o policial sob justificativa de que os jurados votaram “contra as provas dos autos”.

Após quatro adiamentos, o julgamento da dupla acontece a partir das 9h desta terça-feira no Plenário 6 da 1ª Vara do Júri da Capital.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP

125 anos de prisão

Gilberto Eric Rodrigues já havia sido condenado a 125 anos de prisão por participar de uma chacina com sete mortos em 2013. Na ocasião, o policial e outros colegas do 37º Batalhão de Polícia Militar foram até um bar no bairro Campo Limpo, zona sul da capital paulista, matar um homem que teria filmado um homicídio, também praticado por PMs.

Os acusados entraram no estabelecimento gritando que eram “polícia” e atiraram diversas vezes contra as pessoas que estavam no comércio, deixando sete mortos e dois feridos.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

A apuração também revelou que os PMs foram vistos recolhendo cápsulas das munições usadas na chacina e as entregaram a outro integrante da corporação.

Uma das vítimas da chacina foi o rapper Laércio Grimas, de 33 anos. Ele era conhecido na região como DJ Lah e também era apontado como possível autor do vídeo que registrou o assassinato do servente de pedreiro Paulo Batista do Nascimento por cinco PMs em novembro de 2012.

As imagens feitas por uma pessoa escondida mostram o servente de pedreiro sendo levado, rendido, para o porta-malas de uma viatura. Em seguida, os policiais atiraram nele.

O que dizem os ex-policiais

Procurada pelo Metrópoles, a defesa de Gilberto Eric Rodrigues afirmou que está tranquila para o julgamento sobre a morte do adolescente. “Entendemos que as provas dos autos são fortes e robustas o suficiente para demonstrar aos jurados e comprovar que o Gilberto é inocente, que em nenhum momento ele praticou esse crime”, afirmou o advogado Damilton Lima de Oliveira Filho.

Já a defesa de Adriano Fernandes de Campos disse esperar “realizar o mesmo trabalho e novamente comprovar a inocência de Adriano, como já foi reconhecido pelos jurados em 2021”.