Júri de Sastre, que causou morte após acidente com Porsche, entra no 2º dia
Primeiro dia do julgamento do empresário Fernando Sastre no Fórum da Barra Funda, nesta quarta (28/10), teve depoimentos de familiares

São Paulo — No primeiro dia de julgamento do empresário Fernando Sastre, foram ouvidas nove testemunhas, entre as quais Marcus Vinicius Machado Rocha, amigo do réu que estava com ele na Porsche no momento da batida e ficou gravemente ferido, e Lucas Morais da Silva, filho mais velho do motorista de aplicativo morto no acidente. Nesta quinta-feira (29/10), será a vez do réu falar perante o júri popular no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo.
Em sua oitiva, Marcus Vinicius, que estava de carona no Porsche 911 de Sastre, afirmou que foi intimidado e abandonado pelos amigos após dizer o que acredita ser a verdade sobre aquela noite. O rapaz fraturou quatro costelas e perdeu o baço após a colisão.
Ele declarou que amigos de Sastre o pediram para mentir ou aliviar para o empresário. No entanto, Marcus Vinicius diz que recusou e foi chamado de traidor. “Lembrar de tudo o que aconteceu dói muito, porque não foi só o ato. Depois de muitas atitudes, perdi todos os amigos em comum, ninguém mais fala comigo”, afirmou.
Marcus foi a primeira pessoa a ser ouvida no plenário. Além dele, também eram esperados os depoimentos de Giovanna Pinheiro Silva e Juliana de Toledo Simões, então namoradas dos rapazes no dia do acidente, em 31 de março de 2024. Apenas Juliana, ex-namorada de Marcus Vinicius, foi ouvida.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPJá a namorada de Sastre, Giovanna Pinheiro, estava no rol de testemunhas da defesa do réu. A Justiça de São Paulo chegou a determinar a condução coercitiva da jovem. Os advogados do empresário, entretanto, desistiram do depoimento e ela passou a ouvir o julgamento da plateia, antes de ser retirada do plenário, a pedido do promotor de Justiça Rodolfo Justino Morais.
Os quatro amigos haviam saído naquele dia. Eles se encontraram em um restaurante por volta das 21h, consumiram comidas e bebidas e depois foram para uma casa de pôquer.
Já na madrugada, decidiram ir embora do local, quando, segundo os depoimentos de Marcus Vinicius e Juliana. Sastre e Giovanna teriam iniciado uma discussão porque ela não queria que ele dirigisse embriado.
De acordo com as oitivas, o empresário estaria alterado e os amigos tentaram convencê-lo a não dirigir — o que não foi possível. Giovanna se recusou a entrar na Porsche e Marcus, então, embarcou junto com o amigo.
Filho de motorista morto espera “recado para a sociedade”
Lucas Morais da Silva, o filho mais velho do motorista de aplicativo Ornaldo Silva, que testemunhou no julgamento do caso, afirmou que não consegue mais trabalhar com os aplicativos depois da morte do pai e que a punição de Sastre deve servir como um “recado para a sociedade”.

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Ver todasLucas disse também esperar que o julgamento resulte em uma pena que corresponda aos danos provocados pela batida. “Nada mais vai trazer meu pai de volta. Mas uma pessoa fazer o que fez e ir para casa, querer dormir como se nada tivesse acontecido, está muito errado isso”, declarou.
“Depois que teve esse acidente, parece que as pessoas entenderam a proporção do que é beber, dirigir e tirar a vida de outra pessoa. Todo mundo pode sair, pode beber, desde que não vá dirigir. Precisa ficar um recado pra sociedade. Acho que o caso do meu pai vai ser usado como um exemplo de punição. É uma chance de a gente dar um recado”.
Mãe de Fernando Sastre alega falha mecânica em Porsche como causa de batida
Mãe de Fernando Sastre, Daniela Cristina de Medeiros Andrade afirmou durante a sessão do júri que teria havido uma falha mecânica no Porsche 911 que ele dirigia: “Foi uma fatalidade”. Nesta quinta (29/10), um perito deve ser ouvido pelos jurados.
“O que eu posso dizer é que, pelo perito que nós contratamos, pela perícia que foi feita, houve falha mecânica no carro”, declarou Daniela. “O carro não respondeu como deveria responder”.
Defesa e acusação falam
A defesa do réu quer convencer o júri que ele deve responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O advogado Jonas Marzagão, que representa Sastre, falou com a imprensa ao chegar ao Fórum Criminal da Barra Funda. Para ele, os depoimentos vão mostrar que o grupo não estava embriagado “do jeito que falam”.
Marzagão defende que o acidente foi provocado por imprudência, o que, segundo ele, permite que o crime seja desclassificado de homicídio doloso para culposo.
O advogado Flávio Torres, que representa a família da vítima, espera condenação por homicídio doloso. “Ficou demonstrado que ele agiu com dolo eventual. Ele assumiu o risco. Tanto é verdade que ele estava a 140 km/h em uma via de 50 [km/h]. Ele bate no carro do seu Arnaldo e finge que nada aconteceu”, declarou.
Nesta quinta-feira (29/10), além do réu, pelo menos outras duas testemunhas devem ser ouvidas no julgamento. Entre elas, a policial militar Dayse Aparecida Cardoso Romão, que liberou Fernando Sastre do local do acidente sem que ele passasse pelo teste do bafômetro.
Acidente com Porsche
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- Na madrugada de 31 de março de 2024, Fernando Sastre, então com 24 anos, dirigia um Porsche 911 pela Avenida Salim Farah Maluf, na zona leste de São Paulo.
- Segundo testemunhas, o empresário tentou fazer uma ultrapassagem em alta velocidade e bateu na traseira de um Renault Sandero.
- O Sandero era dirigido por Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, que trabalhava como motorista de aplicativo. Ele ficou gravemente ferido após a batida.
- Ornaldo foi levado ao Hospital Municipal do Tatuapé, onde sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu. A causa da morte foi registrada como traumatismos múltiplos.
- Após a batida, Fernando deixou o local do acidente. O caso foi investigado pela polícia e, posteriormente, o empresário se tornou réu.
- Fernando está preso desde maio de 2024.
