Homem que imobilizou vítima em surto soube de morte pelas redes sociais
Douglas Pagliuca morreu asfixiado por 3 pessoas em Santos. Ele estava em surto após ficar sabendo da morte do pai

Um dos homens envolvidos na morte de Douglas Pagliuca, em Santos, no litoral de São Paulo, prestou depoimento à Polícia Civil nessa quarta-feira (26/8). Ele negou agressões à vítima, que estava em surto psicótico, e afirmou que soube da morte por meio de vídeos divulgados nas redes sociais.
Douglas morreu em 30 de julho, depois de ser imobilizado por três homens na rua Pedro Ivo, bairro Embaré. Ele teve uma crise depois de descobrir que o pai havia morrido.
No depoimento, o suspeito afirmou que decidiu intervir, com ajuda de outras pessoas, após presenciar a vítima em estado de descontrole. Durante o surto, Douglas atingiu e danificou dois veículos que estavam estacionados na rua.
O homem afirmou que atuou na contenção da vítima até a chegada do socorro. Ele admitiu ter segurado os braços de Douglas durante a imobilização, mas negou agressões físicas e disse não saber se houve enforcamento por parte dos outros suspeitos.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPRelembre o caso
- Douglas Pagliuca morreu em 30 de julho após ser imobilizado por três homens durante um surto psicótico.
- Ele teve uma crise depois de saber da morte do pai.
- A vítima foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da zona leste santista, mas não resistiu.
- A Polícia Civil prossegue com a análise de depoimentos, imagens e laudos periciais para reconstruir a dinâmica dos acontecimentos e esclarecer as circunstâncias do caso.
Ainda durante o depoimento, o homem afirmou que se reconheceu em gravações publicadas nas redes sociais e decidiu procurar orientações jurídicas. Ele compareceu espontaneamente a delegacia para prestar esclarecimentos.
Câmeras mudaram investigação
Câmeras de segurança foram primordiais para que a Polícia Civil aprofundasse a investigação sobre a morte de Douglas Pagliuca. Inicialmente, as autoridades tratavam o caso como morte suspeita, mas as imagens coletadas pela investigação alteraram o encaminhamento das investigações. Um laudo do Instituto Médico-Legal (IML) de Santos confirmou que Pagliuca morreu por asfixia mecânica, e o caso passou a ser tratado como homicídio.
As imagens (veja acima) mostram Pagliuca atingindo o para-brisa de um carro de entregas estacionado na rua. O motorista, que estava dentro do veículo, sai, reclama e há um princípio de briga. Um segundo carro também é atingido.
O vídeo, considerado peça-chave para mudar os rumos da investigação, mostra Pagliuca colocando a mão na cabeça, se jogando de joelhos no chão, em evidente estado de surto. O homem derruba um vaso de plantas e bate no portão de um imóvel.

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Ver todasAs cenas mostram três homens, incluindo o motorista do carro de entregas atingido pelo soco, tentando conter Pagliuca. Um deles sobe no pescoço e aplica um golpe conhecido como “mata-leão”.
O delegado Wagner Camargo, responsável pela investigação, afirmou ao Metrópoles que os três homens que aparecem nas imagens poderão ser indiciados por homicídio. “Subiram no pescoço, aplicaram o golpe e ele [Douglas Pagliuca] acabou falecendo”, declarou o titular do 3° Distrito Policial de Santos.
Segundo a autoridade, a investigação confirmou que o surto da vítima foi provocado após ele descobrir que o pai havia falecido. “Teve surto, teria cometido autolesão, cabeçadas. Em nenhum momento, ele deu cabeças no muro, no carro, essas coisas. E sim, três homens que seguraram firmemente ele pelo pescoço, aquela coisa toda. Quando o laudo chegou, constatou morte por asfixia, e não foi por traumatismo, nada disso. Então, aquelas pessoas mataram ele”, revelou.



