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Eleições 2026São Paulo

Haddad: motorista não teve acesso a vídeo que mostraria ação da PM.

Segundo Fernando Haddad, motorista teria identificado uma câmera que capturou o momento exato de suposta abordagem policial

20/08/2026 18:32, atualizado 21/08/2026 09:15
Diogo Zacarias
Fernando Haddad em agenda no Capão Redondo

O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) disse que o motorista dele teria identificado a câmera que capturou o momento exato da ação da Polícia Militar (PM) contra o veículo em que estava enquanto voltava para casa após compromissos de campanha no último dia 11 de agosto. Segundo o petista, o funcionário teria pedido essas imagens à Polícia Civil, mas não conseguiu acesso a elas.

“Ele pediu uma imagem de uma câmera e não teve direito, não teve acesso. Eu não acredito que ele tenha falado nada que contraria os fatos. Ele identificou exatamente a câmera cuja imagem esclareceria o fato. O governador falou que a viatura que passou pelo hotel, não parou no hotel, e ele afirma que parou, que os policiais desceram da viatura. São duas versões, uma contradiz a outra. Vamos ver quem está falando a verdade”, declarou Haddad durante agenda no Capão Redondo, zona sul da capital, nesta quinta (20/8).

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que, até o momento, não identificou indícios de que policiais militares tenham abordado ou interagido com o candidato, o motorista ou integrantes da equipe.

“A apuração da PM já analisou mais de 70 câmeras ao longo do trajeto relatado, além dos dados de geolocalização das viaturas. Nenhum dos elementos mencionados apontou qualquer abordagem. Em depoimento à Polícia Civil, o motorista também não mencionou a existência da câmera de um imóvel particular. A referência a esse equipamento foi apresentada posteriormente pela defesa, em petição protocolada em 18 de agosto”, diz a secretaria.

A nota enviada ao Metrópoles ainda diz que “assim que recebeu a indicação, a Polícia Civil determinou diligências complementares para obter e analisar as imagens apontadas pelos advogados, que serão devidamente confrontadas com as demais evidências já reunidas no inquérito. A investigação prossegue para o completo esclarecimento dos fatos, com análise técnica de todos os elementos apresentados”.

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O motorista de Haddad depôs à Polícia Civil nessa segunda-feira (17/8). O Metrópoles teve acesso ao depoimento e apurou que parte dele diverge da cronologia das imagens de câmeras de segurança divulgadas pela SSP.

Segundo o relato do motorista à polícia, após deixar o petista em casa depois de um evento na Faculdade de Direito da USP, ele teria decidido se dirigir a um hotel na Rua Joinville, no bairro Vila Mariana, zona sul da capital, por volta das 21h58, estranhando o que, àquela altura, teria sido o segundo contato com viaturas da Polícia Militar. A escolha do hotel teria sido motivada justamente pela presença de câmeras de segurança.

Ainda de acordo com o homem, quando ele já havia estacionado, outra viatura da PM teria se aproximado mais uma vez do veículo. Os agentes teriam, então, parado o veículo à frente e desembarcado. Três dos PMs teriam ficado de pé na calçada, e um deles ordenado: “Vaza”.

É nesse momento que o motorista teria estabelecido contato com outra pessoa via WhatsApp, relatando o comportamento considerado estranho por parte dos policiais e afirmando que se sentia “monitorado”.

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3 imagens
"Ficaram me seguindo", relatou profissional no WhatsApp
Motorista diz ter se sentido intimidado: "Mano, que medo"
Motorista entrou em contato com advogado após estacionar o carro na terça-feira
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Motorista entrou em contato com advogado após estacionar o carro na terça-feira

"Ficaram me seguindo", relatou profissional no WhatsApp
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"Ficaram me seguindo", relatou profissional no WhatsApp

Motorista diz ter se sentido intimidado: "Mano, que medo"
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Motorista diz ter se sentido intimidado: "Mano, que medo"

O homem prosseguiu o depoimento dizendo que deixou a Rua Joinville por volta das 23h09 e seguiu para casa. Depois disso, não teria havido nenhum outro contato com viaturas.

Divergência com cronologia da SSP

Conforme noticiado pelo Metrópoles anteriormente, as imagens divulgadas pela SSP mostram o carro do motorista de Haddad estacionado em frente ao hotel da Rua Joinville, às 21h58, segundo o registro do equipamento de um condomínio residencial.

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Às 22h24, é possível ver uma viatura passando lentamente pelo carro, sem parar. Dois minutos depois, às 22h26, o veículo do motorista deixa o local. É nesse momento que as versões apresentadas pelo motorista e pela SSP divergem: no depoimento, ele afirma ter deixado a Rua Joinville apenas por volta das 23h09, 43 minutos depois do horário registrado na imagem divulgada pela SSP.

A pasta também afirma que a viatura não parou. Já o profissional da equipe de Haddad disse, no depoimento, que a polícia estacionou alguns metros à frente. Ainda segundo a gestão estadual, mais de 70 câmeras foram analisadas.


Entenda o caso

  • No dia 12 de agosto, Haddad relatou que o motorista do carro em que ele estava foi abordado por policiais militares (PMs) com fuzis após o político ser deixado em casa, na noite do dia anterior.
  • Durante uma entrevista a jornalistas após sabatina na sede da Ordem dos Advogados do Brasil – São Paulo (OAB-SP), o ex-ministro da Fazenda contou que voltava de uma aula magna na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) com seu motorista e, ao chegar à sua residência, uma viatura da Polícia Militar “jogou luz no carro”.
  • Na sequência, Haddad desceu do veículo, entrou em casa, e o funcionário seguiu viagem.
  • Mais à frente, contudo, o motorista diz que continuou sendo seguido pelos policiais e estacionou o carro em frente a um hotel.
  • Segundo o relato do petista, policiais carregavam fuzis dentro da viatura e teriam dito para o motorista ir embora após o questionamento.
  • De acordo com Hélio Silveira, advogado de Haddad, o motorista relatou que a “abordagem toda teria durado cerca de 40 minutos”.
  • Haddad disse que seu carro “foi acompanhado por essa viatura da polícia durante muito tempo, de uma forma um pouco ostensiva e intimidadora”, ao relatar o fato pela primeira vez. “Quero crer que possa ter havido alguma confusão”, acrescentou.

“Falsa comunicação de crime”, diz Tarcísio

No último domingo (16/8), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse que a análise das imagens indicam que houve falsa comunicação de crime no caso.

“A gente está apurando isso com a maior responsabilidade do mundo, porque, se houvesse algum problema, algum desvio de conduta, a gente ia punir severamente. Mas tudo está mostrando que não houve absolutamente nada e se trata, no fim das contas, de uma falsa comunicação”, disse o governador.

“Aquela viatura que passa na rua dele, logo na sequência ela vai para o estacionamento do batalhão. A outra viatura, quando ele está parado no hotel, passa do lado, não para, não aborda”, acrescentou Tarcísio, alegando que o GPS dos carros também foi analisado.

Ainda segundo Tarcísio, a viatura que passou pelo hotel logo depois teria se juntado a outro carro da polícia para fazer patrulhamento em outra rua.

Caso a polícia conclua que houve falsa comunicação de crime, o motorista poderá ser responsabilizado. A pena prevista a quem comunica a ocorrência de um crime ou uma contravenção sabendo que ela não aconteceu varia de 1 a 6 meses de detenção ou multa, segundo o Código Penal.