Fundador da Nomad trava briga judicial com ex-cunhada por testamento
Eduardo Haber, filho do doleiro Roger Haber, administra a herança dos sobrinhos enquanto é alvo de medida protetiva a favor de Paula Parisot

O cofundador da fintech Nomad, Eduardo Haber, trava batalha judicial com ex-cunhada, a escritora e artista visual Paula Parisot, pelo testamento do irmão, Richard Haber, que morreu em 2016. O conflito também se estendeu à Argentina, onde Paula vive com os dois filhos, e Eduardo é alvo de medida cautelar que restringe o contato com ela e os sobrinhos.
Richard e Eduardo são filhos de Myriam e Roger Haber. O patriarca, acusado de operar como doleiro, tem um passado de investigações por suas atividades no mercado de câmbio. Roger morreu em 2010, e Myriam, em janeiro deste ano.

Briga por testamento
Paula e Richard se conheceram em Nova York, onde estudavam, e retornaram ao Brasil para se casar. Os dois tiveram filhos gêmeos, hoje com 15 anos. Eles se divorciaram em 2014, quando Richard já havia sido diagnosticado com tumor cerebral.
Richard morreu dois anos depois e deixou, por testamento, metade da parte disponível da herança para os descendentes e a outra metade para o irmão, Eduardo, sem mencionar a ex-mulher no documento. Eduardo, no entanto, ficou responsável pela administração do patrimônio destinado aos sobrinhos até que eles atinjam a maioridade.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPPaula questiona desde então a legitimidade do testamento. Segundo a artista, o documento teria sido elaborado um dia após ressonância indicar comprometimento cerebral de Richard. Fontes próximas ao núcleo familiar afirmaram à reportagem que ele não estaria em condições de tomar decisões importantes. Por isso, existe ação na Justiça, sob sigilo, que busca anular o documento.
Medida protetiva na Argentina
Em outra frente da disputa, Eduardo é alvo de medida cautelar determinada pela Justiça da Cidade de Buenos Aires, após denúncia apresentada por Paula. A artista, que vive na Argentina com os filhos, relatou supostos episódios de perseguição e hostilidade cometidos pelo ex-cunhado, incluindo invasões de perfis em redes sociais.
Um documento obtido pelo Metrópoles revela que a decisão foi tomada pelo Juizado Civil nº 23 de Buenos Aires após análise de relatório da Oficina de Violência Doméstica da Corte Suprema de Justiça da Nação, que classificou como “moderado” o risco de violência familiar.
Eduardo está proibido de ter qualquer tipo de contato físico, telefônico, por e-mail ou redes sociais, inclusive por meio de terceiras pessoas, com a ex-cunhada e os sobrinhos.
A equipe do empresário nega as acusações e destaca que a medida preventiva foi concedida pela Justiça sem apuração suficiente dos fatos.

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Ver todasO juízo também justificou a concessão da medida cautelar de prevenção com base nas leis de proteção contra a violência familiar
A cautelar foi, inicialmente, determinada por 120 dias. Uma decisão posterior, deste mês, retirou o prazo de validade e tornou a medida vigente por tempo indeterminado. O caso tramita sob sigilo.
Acusação de tentativa de estelionato
Em outra frente do conflito, Eduardo e a família Haber acusam Paula de tentativa de estelionato. A artista foi formalmente acusada na Argentina e, em agosto de 2024, obteve a suspensão do processo por meio de acordo de probation.
Após a morte de Richard, a mãe dele, Myriam, passou a pagar pensão aos netos, obrigação estabelecida judicialmente depois que Paula afirmou que a família Haber havia interrompido o suporte financeiro aos menores após a morte do pai. Até o momento, segundo pessoas próximas à artista, a herança de Richard não foi liberada.
De acordo com a acusação, Paula teria apresentado mais de 150 comprovantes falsos ou adulterados, totalizando cerca de 59 milhões de pesos, para simular gastos com educação, esportes e atividades extracurriculares dos filhos e obter reembolsos indevidos da ex-sogra.
O Ministério Público argentino atribuiu à artista diferentes episódios de tentativa de estelionato, incluindo o suposto uso de documentos privados falsos. Os fatos investigados teriam ocorrido entre 2018 e 2020.
Para evitar a realização do julgamento, Paula pediu a suspensão do processo por meio da probation. A medida foi concedida em agosto de 2024. Entre as condições impostas estava a obrigação de permanecer na Argentina sem autorização judicial para viajar ao exterior.
Fontes próximas à artista argumentam que um processo pelo mesmo caso foi arquivado no Brasil e defendem que a família de Haber a denunciou por retaliação após ela apontar incongruências no patrimônio.
O que dizem os envolvidos
Procurada, Paula afirmou que não irá se manifestar em razão do sigilo decretado nas ações judiciais. Ela se limitou a dizer que utiliza sua arte para expressar questões pessoais.
Eduardo Haber encaminhou posicionamento à reportagem. A defesa do empresário confirmou que a responsabilidade pela administração do patrimônio está com ele em razão de declaração de vontade deixada em testamento.
“A família Haber vem sofrendo há mais de 10 anos com atos de perseguição por parte de Paula Parisot, cujas ações já foram classificadas pela Justiça argentina, onde reside, como tentativa de estelionato. Por estes atos, inclusive, ela fez acordo com o Ministério Público daquele país para evitar responsabilização criminal e desde então não pode sair da Argentina sem autorização judicial”, afirmou a defesa.
Sobre a medida restritiva, a defesa afirmou que não é possível comentar sobre o andamento do caso sob sigilo da Justiça argentina. “Cabe observar, no entanto, que todas as denúncias apresentadas pela autora para manter a medida protetiva em vigor já foram arquivadas por inexistência de delito.”



