Fábrica da Bauducco em SP é multada por despejar água suja em via pública
Prefeitura de Guarulhos multou fábrica da Bauducco por descarte irregular de água suja em rua da cidade, o que causa transtorno a moradores

São Paulo – Uma fábrica da Bauducco em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, foi multada pela prefeitura por despejar água suja em via pública. O líquido causa transtorno aos moradores há cerca de três anos, por conta do mau cheiro e por atrapalhar a mobilidade de pedestres. A empresa alega que trata-se de água da chuva (veja mais abaixo).
A fábrica fica localizada na rua Carlo Bauducco, nome do fundador da marca, mas o descarte irregular é feito na rua Itá, ao lado da entrada principal do complexo fabril. Um cano escoa a água em frente a um ponto de ônibus, onde o líquido amarelado se acumula próximo ao meio fio, gerando risco de quedas e de molhar quem espera pelo transporte público.
Segundo a jornalista Gabrielly Souza, o “cheiro de esgoto” ultrapassa o quarteirão, e a situação atualmente está “insustentável”. “O fedor é constante, [fede] o dia inteiro”, disse ao Metrópoles. No calor, o odor piora.
O síndico de um prédio próximo ao local relatou ainda que funcionários da fábrica fazem o despejo da água durante a madrugada “de forma estratégica”, para não serem flagrados. De acordo com ele, quando há denúncias, a situação melhora, mas logo retorna.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPBauducco foi multada por despejo irregular de água suja
A Secretaria de Desenvolvimento Urbano, da Prefeitura de Guarulhos, informou que realizou uma fiscalização no local em fevereiro deste ano. Na época, “a equipe constatou a necessidade de captação adequada de águas servidas, que eram lançadas na sarjeta da rua Itá”, disse a pasta em nota.
Conforme a prefeitura, a empresa foi notificada e, como as providências não foram tomadas, um auto de infração foi lavrado 12 de agosto. A Bauducco recorreu da multa, mas teve o recurso negado. A administração municipal não informou se a sanção foi executada.
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) disse ter realizado vistoria no local e constatado que as redes sob responsabilidade da companhia operam normalmente, “sem registro de vazamentos ou outras irregularidades”.

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Ver todas“A situação identificada corresponde ao escoamento de águas pluviais via sistema de drenagem utilizado em imóveis, cuja responsabilidade não é da empresa”, destacou a Sabesp.
Já a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou, após contato da reportagem na última quarta-feira (14/10), que realizará uma vistoria no local nos próximos dias para verificar suas condições ambientais.
“A companhia esclarece que não há registros de denúncias relacionadas ao empreendimento em seus canais oficiais nos últimos anos e que o local possui licença de operação válida”, disse.
A Cetesb ressaltou que a população pode registrar denúncias pelo canal Fale Conosco, disponível no site da companhia, ou pelo telefone 0800 500 1350. “As informações recebidas contribuem para a apuração de possíveis irregularidades ambientais”, informou.
Bauducco diz que a água é proveniente da chuva
O Grupo Pandurata, do qual a Bauducco faz parte, disse que a água “se refere exclusivamente à água da chuva em captação pluvial, que, devido ao intenso volume de precipitação, é armazenada em caixas específicas aprovadas pela prefeitura e liberada gradativamente”. Conforme o conglomerado, a conduta adotada evita inundações pluviais (alagamentos) na região.
“A empresa segue rigorosamente as normas ambientais e, por exigência municipal, reforçamos que a empresa conta com um importante sistema de prevenção de inundações no local, devidamente aprovada em projeto com a prefeitura”, diz o texto.
Ainda conforme o grupo, a água que sai nas ruas é pluvial, “sendo que 100% do efluente gerado pela da fábrica é tratado em Estação de Tratamento de Efluente interna que atende aos parâmetros da legislação vigente”.










