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São Paulo

EUA impõe sanções a pessoas e empresas brasileiras por elo com PCC

EUA anuncia sanções a dois brasileiros e a quatro empresas – três do Brasil e uma de Portugal – por ligação com PCC

01/07/2026 12:14, atualizado 01/07/2026 13:26
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Arte Metrópoles/Otávio Augusto
EUA impõe sanções a pessoas e empresas brasileiras por elo com PCC

O Departamento de Tesouro dos Estados Unidos sancionou, nesta quarta-feira (1º/7), dois brasileiros, três empresas brasileiras e uma empresa portuguesa por supostamente integrarem uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). É a primeira vez que os EUA fizeram uma sanção por elo com o PCC depois de a facção ter sido definida como terrorista pelo país.

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Reprodução

Os dois brasileiros são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Já as empresas sancionadas são Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda, Wave Construções Inteligentes Ltda e Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda (Portugal).

A decisão determina que todos os bens e ativos sejam sancionados sob jurisdição dos EUA. Além disso, os cidadãos e as empresas dos EUA ficam proibidos de fazer negócios com eles, e as instituições financeiras estrangeiras que realizarem transações relevantes com os sancionados também podem sofrer sanções secundárias.

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A apuração foi feita pelo FBI, pelo Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) e pela força-tarefa do Departamento de Segurança Interna (DHS).

De acordo com o comunicado, Shimada agia como elo entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais e teria lavado mais de US$ 30 milhões vindos de ações criminosas em diversas cidades dos Estados Unidos, usando criptomoedas para enviar os recursos ao Brasil.

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Quem são os envolvidos

Victor Henrique de Oliveira Shimada é sócio da Victory Trading Intermediação de Necócios Cobrança e Tecnologia, investigada por envolvimento em um suposto esquema de lavagem de dinheiro do Corinthians, envolvendo contrato de patrocínio com a Vai de Bet.

A Victory Trading, empresa sancionada pelo Departamento do Tesouro dos EUA por elo com o PCC, é alvo da investigação sobre o escândalo da Vai de Bet, firma que patrocinou o Corinthians, e teria usado o vínculo com o clube para lavar dinheiro.

Sem citar nominalmente o Corinthians, o governo americano relembra que Victor Shimada, dono da Victory Trading, foi preso em janeiro de 2025 pela Polícia Federal (PF) por “lavar dinheiro ilícito de um clube de futebol brasileiro em um esquema fraudulento de patrocínio”.

“Victory foi usada para lavar dinheiro roubado de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária”, diz comunicado pelo governo americano.

Segundo inquérito conduzido pela Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), a empresa fez um repasse de R$ 200 mil à UJ Football Talent Intermediação. O dinheiro teria tido como destino a Neoway Soluções, supostamente registrada em nome de laranja.

Stella, por sua vez, é apontada como secretária e colaboradora de Shimada, responsável por organizar a logística de recolhimento de dinheiro em espécie.

Facções terroristas

Em 5 de junho, o governo Donald Trump classificou oficialmente o PCC e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).

O enquadramento, assinado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, altera consideravelmente o “status jurídico” das duas facções criminosas perante a comunidade internacional.

Ao serem oficialmente designadas como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), as duas organizações brasileiras deixam de ser tratadas pela inteligência americana apenas como gangues criminosas locais ou cartéis de narcotráfico.

Essa mudança confere ao governo dos EUA poder de persecução global muito mais agressivo, permitindo a mobilização de agências de segurança nacional para rastrear, sufocar e neutralizar as redes operacionais de ambos os grupos fora do território brasileiro.

Além de viabilizar o cerco financeiro, a designação ativa rigoroso dispositivo penal contra qualquer indivíduo ou empresa que preste apoio às facções.

O enquadramento na Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA (INA) impõe severas restrições de mobilidade e imigração para lideranças e membros cadastrados de ambas as facções.

Qualquer cidadão estrangeiro comprovadamente vinculado ao PCC ou ao CV tem seu visto americano cancelado e torna-se legalmente inadmissível nos Estados Unidos, com ritos de deportação imediata, caso já se encontre em território americano.