
Em guinada à direita, Nunes reforça aliança com bolsonarismo rumo a 2030
Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, endossa discurso bolsonarista de olho na eleição para o governo de São Paulo daqui a quatro anos

São Paulo — A disputa presidencial de 2026 tem marcado a aproximação entre o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e a família Bolsonaro. Interessado em ser o nome da direita nas eleições do estado em 2030, Nunes mergulhou de cabeça na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), na expectativa de trilhar um caminho para o Palácio dos Bandeirantes.
Maior cabo eleitoral de Flávio na capital, o prefeito tem organizado agendas estratégicas com o senador. Ainda na pré-campanha, coordenou um encontro entre o candidato e os vereadores de sua base em São Paulo.
No primeiro turno, a primeira passagem de Flávio na cidade foi uma visita a um mercado popular da prefeitura, na zona leste da cidade, em um evento chamado pelo emedebista. Tarcísio de Freitas (Republicanos), que até aquele momento mantinha distância estratégica de Flávio, não compareceu.
No segundo turno, a atuação de Nunes na campanha deve continuar. No domingo (11/10), o senador almoça com Nunes, Tarcísio e prefeitos da região metropolitana. Na sequência, o candidato à presidência participa de um novo encontro com vereadores da cidade.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPO apoio de Nunes é estratégico para a campanha de Flávio, que vê São Paulo como um dos pontos decisivos para o pleito. O ex-secretário de comunicação do prefeito, Fábio Portela, se tornou o chefe da assessoria de imprensa da campanha de Flávio após a crise do áudio envolvendo o pedido de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse.
Apesar de ter perdido para Lula no primeiro turno na capital, com 42,13% dos votos contra 46,58% do atual presidente, o candidato do PL cresceu em relação ao desempenho do pai na cidade em 2022, quando Jair conquistou 38% do eleitorado paulistano e Lula 47,5%.
Em julho deste ano, durante a convenção da Federação União-PP em São Paulo, Flávio elogiou Nunes, destacando o respeito que o prefeito conseguiu em meio à ala mais radical do bolsonarismo.
“Meu amigo prefeito Ricardo Nunes, cara extraordinário. Alguém que a nossa militância mais raiz aprendeu a respeitar, admirar e vai ajudar, porque a gente tem um futuro brilhante aqui em São Paulo, e um papel muito importante para todo o nosso Brasil”, disse.
O elogio carregava um histórico. Em 2024, quando Nunes tentava a reeleição à Prefeitura de São Paulo, se viu escanteado por Jair Bolsonaro (PL). Apesar de oficialmente se dizer ao lado do emedebista, o ex-presidente flertou com Pablo Marçal (PRTB) e fez pouquíssimas participações na campanha de Nunes.
Bolsonaro foi responsável pela indicação do vice-prefeito, Coronel Mello Araújo (PL), mas o principal fiador da reeleição de Nunes foi, na verdade, o governador Tarcísio.
Ao longo daquela campanha, o ex-presidente esteve apenas um dia ao lado de Nunes. Na ocasião, almoçou com o prefeito e lideranças políticas em uma churrascaria no Morumbi, zona sul de São Paulo, antes da disputa do segundo turno. Depois, os dois participaram de um culto ao lado de Tarcísio na Igreja Sara Nossa Terra, na Saúde, zona sul.
Uma pesquisa do Instituto Datafolha à época mostrou que parte considerável do eleitorado bolsonarista preferia Marçal ao emedebista. Entre os bolsonaristas, Nunes era considerado um nome de centro.
De lá pra cá, o prefeito endureceu seu discurso, em uma verdadeira guinada à direita. Em agendas, ele fala constantemente sobre “tirar o PT do poder”, fazendo ataques à Lula. Nunes também passou a encampar mais as pautas associadas a direita, como a segurança pública. O prefeito pretende usar o Smart Sampa, sistema de vigilância da cidade, como trunfo em 2030.
Para interlocutores, o prefeito não esconde: quer se candidatar ao governo de São Paulo em 2030. A escolha de seu nome, no entanto, depende, entre outros fatores, do apoio bolsonarista. A aliança com o grupo, como mostra o Metrópoles, o prefeito já tem procurado estabelecer.
