“É fantasioso”: Kassab nega acusação de propina feita por Vorcaro.
Vorcaro afirmou que R$ 3 milhões foram destinados a Bolsonaro e R$ 2 milhões a Tarcísio como parte de um suposto acordo envolvendo Kassab

O ex-presidente do PSD e agora vice-presidente de Ronaldo Caiado (PSD), Gilberto Kassab, negou, nesta quinta-feira (3/9), as acusações atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro em uma proposta de delação premiada. Segundo o relato, uma doação de R$ 5 milhões feita em 2022 para as campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas teria sido uma forma de pagamento de propina relacionada à manutenção do Credcesta no governo de São Paulo.
O conteúdo foi revelado pelo UOL nesta quinta-feira (3/9). Kassab, que era secretário de Governo e Relações Institucionais da gestão Tarcísio, afirmou que nunca teve qualquer relação com Vorcaro e negou ter participado de negociações envolvendo o Credcesta. Para ele, as acusações não correspondem à realidade.
“Eu nunca tive nenhuma relação com o Vorcaro, e muito menos com doação para a campanha vinculada a eles. Portanto, que se apure. Vocês vão ver que é fantasioso, isso não existe”, afirmou.
De acordo com o relato atribuído a Vorcaro, ele teria exigido 5% dos negócios relacionados ao crédito e também doações para campanhas eleitorais. O ex-banqueiro teria afirmado que os valores destinados às campanhas de Bolsonaro e Tarcísio — R$ 3 milhões para o então presidente e R$ 2 milhões para o governador paulista — seriam “contrapartidas financeiras” de um suposto acordo envolvendo Kassab e a manutenção do Credcesta no governo de São Paulo.
Kassab também negou ter discutido a continuidade do Credcesta com integrantes do governo Tarcísio. “Nunca, em nenhum momento, com ninguém”, respondeu ao ser questionado se havia conversado sobre o assunto.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPEntenda as doações de 2022
- Em 2022, Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, doou R$ 5 milhões para campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Foram R$ 3 milhões destinados à campanha de Bolsonaro e R$ 2 milhões à de Tarcísio.
- Zettel foi o maior doador das campanhas dos dois políticos naquele ano. Ele também é investigado no caso Banco Master e na Operação Compliance Zero.
- As doações foram feitas oficialmente durante a campanha eleitoral. Segundo o relato atribuído a Vorcaro em sua proposta de delação, porém, os valores teriam sido usados como uma suposta “contrapartida” para garantir a continuidade do Credcesta no governo de São Paulo.
- Vorcaro afirmou que a negociação teria envolvido Gilberto Kassab, então secretário de Governo e Relações Institucionais de Tarcísio. Kassab nega ter tido qualquer relação com Vorcaro ou ter participado de tratativas sobre o Credcesta.
- A acusação faz parte de uma proposta de delação que foi rejeitada pelas autoridades. A colaboração foi recusada pela terceira vez sob a justificativa de que não havia fatos novos apresentados por Vorcaro.
Delação foi rejeitada
As acusações fazem parte de uma proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro no âmbito das investigações sobre o Banco Master. O conteúdo foi revelado pelo UOL nesta quinta-feira (3/9).
A proposta, no entanto, foi rejeitada pela terceira vez. A decisão levou em consideração, segundo as informações divulgadas, a ausência de fatos novos que justificassem a colaboração. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República também já haviam recusado a proposta anteriormente.



