
Dobrada de candidatos do PDT e Republicanos causa revolta: "Infidelidade".
Segundo integrantes do PDT, dirigentes estariam usando o Fundo Eleitoral para produzir propaganda conjunta, o que é proibido pela legislação

Materiais panfletários de campanhas eleitorais causaram um desconforto no diretório estadual do PDT-SP. Segundo integrantes da sigla, dirigentes do partido estariam usando verba do Fundo Eleitoral para produzir propaganda conjunta, as chamadas dobradas, em apoio a candidatos do Republicanos, o que atualmente é proibido pela legislação.
Candidato a deputado federal, Gilson Rocha (PDT) chegou a postar um desabafo nas redes sociais. Segundo ele, a legenda encomendou materiais em que Gilson aparece aparece ao lado de Ely Santos (Republicanos), candidata a deputada estadual, e também de Juliana Rodrigues (PP). No entanto, o postulante afirma nao ter solicitado ou autorizado a junção das imagens.
Ely é irmã de Ney Santos (Republicanos), ex-prefeito de Embu das Artes e candidato a deputado federal. A candidata do Republicanos também está, por exemplo, em publicações de apoio de Bruninho Oliveira, membro da direção nacional do PDT.
Em vídeo, Gilson mostra os pacotes com “santinhos”. Veja:
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPDe acordo com os relatos, o prefeito de Cotia, Welington Formiga, presidente do diretório estadual do PDT em São Paulo, e Carlos Lupi, presidente nacional, estariam cientes do conteúdo de dobrada com o Republicanos, que teria sido autorizado por um dirigente local.

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Ver todas“O problema é que um partido é da direita e o outro, da esquerda. A coligação ou federação não poderia trabalhar junto em apoio. É infidelidade partidária para ambos”, lamentou um membro do PDT ouvido pela reportagem.
Em uma live recente, inclusive, Formiga declarou apoio ao candidato a deputado estadual Fran Silva (Podemos).
O que é permitido
Segundo um advogado eleitoral consultado pelo Metrópoles, as restrições internas podem ser impostas pelos estatutos dos partidos ou por decisões tomadas em convenções.
“Tem um novo problema que ainda estava fora do radar, que é uma disposição da resolução atual que impede a doação de material estimável em dinheiro, se for pago com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha [o Fundo Eleitoral] com Fundo Partidário, se os candidatos forem de partidos ou de federações diferentes”, explica o especialista.
Para que o material não tenha risco perante a Justiça Eleitoral, deve ser pago com doações de campanha. Esses são recursos de origem privada, ou seja, pessoas físicas.
Segundo uma resolução interna do PDT consultada pela reportagem, “são normas fundamentais a fidelidade e a disciplina partidária”. “Serão considerados fatos de extrema gravidade, com consequente cancelamento do registro de candidatura e podendo chegar à pena de expulsão, o candidato que: I – realizar propaganda a favor de candidatos que não sejam os indicados pelas convenções nacional e estaduais do partido”, diz um trecho do documento.
Em uma mensagem publicada em maio deste ano, o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, falou diretamente aos então pré-candidatos a deputado estadual. “A eleição estadual caminha junto com a federal e a cláusula de barreira, definida na Câmara dos Deputados, exige unidade estratégica. Por isso, a dobrada deve ser com candidatos federais do próprio partido”, comunicou.
“Quem ocupa a estrutura do Republicanos tem a responsabilidade de trabalhar pelo nosso time. Lealdade, no partido, é compromisso”, acrescentou Pereira.
O que dizem os partidos
Procurado, o PDT não se pronunciou sobre as dobradas eleitorais, até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.
Em nota, o Republicanos afirmou que “de acordo com o departamento jurídico, não há irregularidade desde que o material não seja custeado com recursos públicos. O material pode ser feito com recursos de doações”. A legenda alegou que não responde pela campanha de candidatos específicos.
Divisão do Fundo Eleitoral no PDT
Como o Metrópoles mostrou anteriormente, a divisão do Fundo Eleitoral gerou recentemente uma “guerra” interna no PDT-SP. Segundo relatos, candidatos a deputado federal pelo estado estão insatisfeitos com o partido devido à falta de cumprimento de promessas e de assistência na campanha para as eleições.
Neste ano, o PDT tem R$ 169,3 milhões de verba distribuída nacionalmente. No entanto, em São Paulo, enquanto alguns candidatos receberam recursos na casa das centenas de milhares, de R$ 100 mil a R$ 400 mil, outros não receberam nada, ou valores muito abaixo do combinado, como R$ 10 mil.
Em uma das mensagens, ao ser confrontado por candidatos, Ewerton Roberto Carreirinha, secretário adjunto geral estadual do PDT, disse que “nenhuma promessa foi feita a ninguém” e que os recursos da sigla são geridos com responsabilidade, considerando as demandas nacionais, estaduais e a estrutura de todas as candidaturas. “O partido nunca enganou ninguém a respeito de verbas”, afirmou.



