"Disney do prazer": boate Bahamas fecha 7 meses após morte do dono
Boate, inaugurada na década de 1990, ficou conhecida após polêmicas envolvendo prostituição e briga com ex-prefeito Gilberto Kassab

A famosa boate Bahamas Hotel Club, localizada no bairro de Moema, zona sul de São Paulo, anunciou o encerramento de suas atividades diárias, após sete meses da morte do proprietário: o empresário Oscar Maroni. A casa noturna funcionava havia aproximadamente 30 anos e ganhou notoriedade por receber figuras influentes da mídia e protagonizar escândalos de prostituição.
Ao Metrópoles, Aratã Maroni, filho de Oscar e um dos herdeiros do Bahamas, afirmou que o espaço da boate segue em funcionamento, e irá operar como sede para eventos.
Templo da Felicidade e do Prazer
Inaugurado na década de 1990, o Bahamas Club se consolidou como um dos mais luxuosos centros de entretenimento adulto do país. A casa funcionava como um misto de boate e hotel e, desde o início, atraiu um público de alto padrão, como empresários e turistas, oferecendo serviços sofisticados e grandes festas.
Promovido como “O Templo da Felicidade e do Prazer”, a boate se apresentou como um lugar refinado para casais liberais, com erotismo e discrição. Na casa, havia diversas suítes privativas à disposição do frequentador, palco e pole dance para shows sensuais, além de uma enorme parede só com fotos de Maroni ao lado de celebridades — como Mike Tyson, quando foi a boate —, além de garotas de programa.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPComo a exploração da atividade sexual é considerada crime no Brasil, o local contava com um sistema diferenciado para driblar a lei: os clientes e as profissionais do sexo pagavam a entrada e combinavam o serviço entre si, sem nenhuma intermediação. Contudo, não foi possível enganar as autoridades por muito tempo.

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Há cerca de 20 anos, a boate foi motivo de uma disputa judicial com Gilberto Kassab (PSD), então prefeito de São Paulo, que determinou o fechamento do estabelecimento. Maroni chegou a ser condenado a 11 anos e oito meses de prisão pelos crimes de favorecimento e exploração de casa de prostituição, mas foi absolvido e conseguiu reabrir a boate.
Kassab também alegou que os motivos para o fechamento eram administrativos e de segurança, pois uma obra no local oferecia riscos para as operações de pouso e decolagem do Aeroporto de Congonhas, a menos de 1 km da casa noturna. A decisão ocorreu semanas após o acidente com o voo 3054, da TAM, que matou 199 pessoas.
O prefeito foi pessoalmente até a porta da boate com equipes da administração municipal para interditar a entrada com blocos de concreto. Na ocasião, o então subprefeito da Vila Mariana, Fabio Lepique, admitiu que o motivo do fechamento seria uma entrevista concedida por Maroni à TV Bandeirantes, em que o empresário afirmava que Bahamas seria a “Disneylândia do prazer”. A boate só foi reaberta em 2013, cinco anos e oito meses depois.
Morte de Oscar Maroni
O idealizador e proprietário do Bahamas Club, Oscar Maroni, morreu em 31 de dezembro de 2025. O falecimento aconteceu pouco mais de um ano após a família do empresário divulgar seu diagnóstico de Alzheimer.
Ele já estava afastado da administração do clube, que ficou sob responsabilidade de seus filhos Aratã e Aruã Maroni, e possuía dificuldade para realizar tarefas simples como falar e andar.













