Desabamento no Brás: sobreviventes citam toneladas de tecidos em 4 andares
Edifício desabou na noite dessa sexta no Brás com 35 pessoas em seu interior, deixando 27 feridos. Segundo os Bombeiros, ninguém morreu

São Paulo — As causas do desabamento de um prédio no Brás, região central de São Paulo, nesta sexta-feira (6/11), ainda serão apuradas pelas autoridades. Neste primeiro momento, no entanto, uma hipótese já foi levantada — inclusive, pelo prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB): uma sobrecarga de peso causada pelo grande volume de rolos de tecido armazenados no local.
A possibilidade foi levantada pelos próprios trabalhadores que estavam no edifício no momento do acidente. Um trabalhador identificado como Edmilson relatou, em entrevista a jornalistas, que há diversos prédios na região cuja estrutura “não é preparada para esse tipo de coisa”.
“Tem outros prédios que nós descarregamos aqui também que dão até medo. Nós sobe (sic), mas fica pensando que pode nem conseguir sair. Tem vários prédios que a estrutura não é preparada para esse tipo de coisa”, relatou, se referindo ao trabalho de carga e descarga de mercadorias, que exerce há cerca de dois anos no endereço.
Outro trabalhador ouvido pelo Metrópoles, identificado como Luiz Carlos, mencionou diretamente a sobrecarga de mercadorias como possível causa do acidente.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP“Eles [os donos dos depósitos de tecidos] acham que tecido não pesa e vão enfiando mais e mais. Tinha rolos de tecidos em todos os lugares, nos quatro andares”, contou Luiz.
A reportagem ouviu, ainda, outros trabalhadores que preferiram não se identificar, que também mencionaram a questão do peso e explicaram o funcionamento das operações no local.
Segundo eles, os trabalhos são anunciados por meio de grupos de WhatsApp. “O pessoal manda o nome da rua, a gente vai até a rua. Chega na rua, fala também com o líder para a gente trabalhar e descarregar caminhão”, relatou um deles, acrescentando que o pagamento normalmente varia de 60 a 100 reais por carregamento.
Após o descarregamento das cargas, é feita a “arrumação” dos rolos de tecido dentro de locais como o prédio que desabou.
“É onde fica o peso do prédio, que nem estava ali agora”, concluiu.
A hipótese ganhou ainda mais força após o pronunciamento do prefeito Ricardo Nunes. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Nunes afirmou que o acidente foi “um grande susto”, e reforçou a mobilização de equipes para retirar e atender feridos.
“A grande suspeita até o momento, a se confirmar ainda, é de excesso de peso. Muitos caminhões chegaram nesse local para armazenar tecido, e o excesso de peso pode ter ocasionado o desmoronamento”, acrescentou.

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Ver todasDesabamento deixou 27 feridos
O prédio, de quatro andares, funcionava como uma loja de roupas e estava sendo abastecido por trabalhadores no momento do acidente. Segundo a Polícia Militar, a estrutura desabou por volta das 18h38, na Rua Maria Joaquina.
O Corpo de Bombeiros relatou ter mobilizado pelo menos 51 homens e 17 viaturas ao local. A capitã Karoline Magalhães, porta-voz dos bombeiros, informou que 35 pessoas estavam no local no momento do desabamento. Oito delas conseguiram sair do local por conta própria. As outras 27 foram retiradas do local pelas equipes de resgate.
Entre os 27 feridos, quatro pessoas foram levadas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Mooca. Com base na lista de trabalhadores, não havia mais pessoas nos destroços por volta de 20h, mas cães farejadores eram utilizados pelos bombeiros para se certificar de que não havia mais vítimas.
Câmera flagrou momento da queda
Uma câmeras de segurança do sistema Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo, registrou o momento exato da queda do prédio.
Veja:















