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Apuração pelo Brasil

São Paulo

Defesa tenta evitar extradição de "Al Capone" português preso no Brasil

Paulo Miguel Vicente foi considerado como líder de esquema de ameaça, coação e extorsão de empresários da vida noturna de Leiria em Portugal

05/10/2026 13:32, atualizado 05/10/2026 14:46
Reprodução.
Foto colorida de homem posando com mãos no bolso.

A defesa do português Paulo Miguel Vicente, apontado por autoridades policiais de Portugal como o “Al Capone de Leiria”, entrou com pedido, no último dia 2, no Supremo Tribunal Federal (STF), para tentar barrar a extradição do estrangeiro ao país de origem. Ele foi preso em julho deste ano, em Itajaí (SC), no âmbito de uma investigação que apura esquema de venda de medicamentos falsos no sul do país e possivelmente em outros estados, inclusive São Paulo.

Documentos obtidos pelo Metrópoles mostram que Vicente chegou ao país há sete anos pelo Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na região metropolitana. A suspeita é que ele fugia de autoridades portuguesas devido à condenação por suposta liderança em esquema de coação, extorsão e ameaça em serviços de segurança a bares, baladas e outros estabelecimentos do tipo em Portugal. Na ocasião, 22 pessoas foram acusadas dos crimes, inclusive o próprio “Al Capone”.

O advogado Eduardo Maurício, que representa o português preso, afirmou à reportagem que “impetrou habeas corpus requerendo o cumprimento da Lei em favor do seu cliente no que tange à uma eventual detenção no âmbito de um eventual pedido de extradição que deve ser afastada”.

No pedido ao STF, a defesa de “Al Capone de Leiria” argumenta, entre outras coisas, que a extradição não seria possível porque o governo português não formalizou o pedido em tempo hábil de 60 dias, o que fere o Tratado Brasil-Portugal e a Lei de Migração. “Não foi formalizado o pedido de extradição devidamente instruído pela via diplomática perante o Estado Brasileiro”, destacou a defesa.

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Estados brasileiros

Após fugir, Vicente foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol, a lista vermelha de mais procurados no mundo. Segundo as investigações, o português ficou escondido em imóveis localizados em São Paulo. O “Al Capone de Leiria” teria obtido documentos falsos para ele e a esposa. No Brasil, ele era conhecido como Paulo da Costa Vitureira. Os filhos do casal foram registrados em solo brasileiro com os nomes falsos dos pais.

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Preso em julho com diversos medicamentos falsos, além de uma arma, durante operação da Delegacia de Combate às Drogas (Decod), da Polícia Civil de Itajaí, em Santa Catarina, “Al Capone” teve o passaporte apreendido. A polícia investiga como ele conseguiu obter documentos falsos no país.

A prisão do “Al Capone de Leiria” ocorreu após denúncias anônimas apontarem para um casal que guardava e vendia medicamentos de origem não comprovada, principalmente de emagrecimento. A polícia investiga se os medicamentos foram vendidos, entre outros estados, para pessoas em São Paulo.

À época da prisão do português, os policiais apreenderam medicamentos de origem irregular, duas armas, munições e outros objetos.

Quem é

Em território luso, Vicente ganhou destaque na imprensa portuguesa após a polícia desmontar um esquema de ameaça, coação e extorsão a empresários ligados à vida noturna de Leiria e outras regiões, como bares, restaurantes e discotecas. Na prática, o “Al Capone de Leiria” e familiares usavam a empresa voltada a serviços de segurança como fachada.

A Justiça portuguesa chegou a condená-lo por fraude fiscal e lavagem de dinheiro, mas Vicente recorreu. Anos depois, após uma nova investigação, ele fugiu do país. O irmão dele e outras 22 pessoas foram acusadas e condenadas a sete anos e seis meses de prisão.