Especialistas veem cidades despreparadas para crise climática
Ciclone-bomba e Super El-Niño reacendem alerta da capacidade dos governos e municípios de lidarem com eventos climáticos extremos

O alerta do ciclone-bomba e a aproximação do Super El-Niño tem despertado preocupação em toda a população paulista e colocado à prova a capacidade dos governos do estado e dos municípios de ter uma resposta aos eventos climáticos. Esse tema foi discutido no evento “Impactos econômicos e sociais pelas mudanças climáticas no Brasil”, promovido pelo Instituto Clima e Sociedade, realizado na zona sul da capital paulista, nesta quinta-feira (6/8).
Um dos especialistas presentes no encontro, Daniel Miranda, coordenador de Relações de Institucionais da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), afirmou que existe um desafio de governança climática atualmente no país. Segundo ele, a política climática nacional é discutida, principalmente, no Comitê Interministerial sobre Mudanças Climáticas. “Tem o comitê, do lado tem a câmara, que é onde os estados e municípios discutem. Dessa câmara sai um coordenador, que senta no comitê. E ele só tem voz, não tem voto. Então, estados e municípios só tem voz no principal espaço de articulação das políticas climáticas. As cidades, que é onde o impacto acontece, não tem espaço nenhum na tomada de decisão”, explicou.

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Ver todasPara Daniel, os municípios estão extremamente estrangulados, com cada vez mais pessoas morando em municípios subfinanciados. Segundo um estudo realizado pela FNP, em 2000, os 20% de municípios com menor receita por habitante concentravam cerca de 40,5 milhões de pessoas; em 2024, esse contingente chegou a 82 milhões. Além disso, os 20% de municípios com maior receita per capita viram sua população cair de 41 milhões para 10,3 milhões no mesmo período.
“A gente tem todo um sistema estruturado por regras bancárias, e não por risco climático, o que desestrutura toda a capacidade adaptativa dos municípios e dos estados”, pontuou o especialista. De acordo com o coordenador da FNP, outro fator que dificulta o combate às mudanças climáticas é a capacidade técnica instalada nos municípios. Um levantamento feito pelo órgão mostra que 65% das cidades têm capacidade baixa ou muito baixa de adaptação aos eventos climáticos.
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