Exame identifica chumbo nas mãos de Larissa e de PM acusado de feminicídio
Larissa Cruz Morata foi encontrada morta com tiro na cabeça no início de setembro. Vinicius Costa Silva foi denunciado por feminicídio
06/10/2026 13:33, atualizado 06/10/2026 14:48

Exames residuográficos apontaram a presença de chumbo nas mãos de Larissa Cruz Morata, de 29 anos, encontrada morta com um tiro na cabeça em São Paulo no início de setembro. A substância também foi identificada no soldado da Polícia Militar (PM) Vinicius Costa Silva, de 26 anos. Ele foi denunciado pela morte da companheira, mas alega que Larissa cometeu suicídio.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), os exames apontaram chumbo nas mãos da vítima, em uma das mãos de Vinicius e em ambas as mangas da blusa que ele usava no dia do ocorrido. O resultado é importante para a investigação porque o chumbo é uma das substâncias expelidas após um disparo de arma de fogo e pode indicar que a pessoa atirou ou esteve muito perto de um disparo.
Relembre o caso
- Larissa Cruz Morata, de 29 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça em 6 de setembro na casa onde vivia com o marido, o soldado da PM Vinicius Costa Silva, 26, em Embu das Artes, Região Metropolitana de São Paulo.
- De acordo com o Boletim de Ocorrência, a mulher estava com a arma do PM sob o corpo e um ferimento provocado por disparo na cabeça. A polícia foi acionada às 11h daquele dia.
- O marido estava no local e afirmou aos agentes que se tratava de um suicídio. O caso, no entanto, foi registrado como morte suspeita. A hipótese de feminicídio é apurada pelas autoridades.
- Vinicius foi preso durante o velório da esposa após a Polícia Civil encontrar inconsistências no depoimento.
- O soldado afirmou que ele e a esposa haviam conversado sobre o término da relação horas antes do disparo que resultou na morte da técnica em radiologia.
- A defesa do policial sustenta que Larissa teria cometido suicídio e disse que irá apresentar trocas de mensagens nas quais ela supostamente manifestava pensamentos relacionados à ideia de tirar a própria vida em caso de um eventual rompimento.
- A família da jovem contesta essa versão. “Ela tinha planos de vida. Ela ia perder o filho que ela ama demais, demais. Ela era doente pelo filho dela. Ela ia colocar silicone agora no final deste mês; ela tinha uma consulta marcada no posto de saúde. Ela comeu um pastel comigo quinta-feira, a gente entrou para visitar uma loja. Ela não estava brigando e não estava com problema nenhum. E ela não estava em fase de separação, como estão dizendo aí, porque ela me contava tudo o que acontecia com ela”, afirmou a avó da jovem, Maria Aparecida Morata.
- De acordo com a delegada responsável pelo caso, Bruna Crippa, os investigadores tiveram acesso a elementos de ordem pericial que divergiam da versão inicialmente apresentada.
- Um deles é a origem do tiro: Larissa da Cruz Morata foi encontrada com um tiro próximo ao ouvido esquerdo, mas familiares afirmam que a jovem não era canhota.
IML identifica 17 lesões em Larissa
O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) identificou ao menos 17 lesões no corpo da técnica em radiologia Larissa da Cruz Morata. A perícia ainda confirma que o disparo foi efetuado de trás para frente e da esquerda para a direita, com projétil saindo pelo lado direito da têmpora.
O exame necroscópico aponta que a causa da morte foi traumatismo cranioencefálico em decorrência de ferimento de arma de fogo. O relatório identificou roxões nas mãos e pernas de Larissa, escoriações na região cervical e no joelho esquerdo da técnica em radiologia.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPA legista responsável também observou a presença de fios de cabelos soltos grudados na calça da jovem, sem manchas de sangue, “sendo que os cabelos do cadáver estavam tintos de sangue”. O laudo, no entanto, não traz informações de quando as lesões ocorreram.
Defesa fala em suicídio, mas familiares negam
Em nota enviada ao Metrópoles, a defesa do soldado da PM classificou a morte da mulher como “fatalidade” e destacou que, “desde o primeiro momento, Vinicius relatou às autoridades que Larissa tirou a própria vida”. “Trata-se de uma tragédia profundamente dolorosa, que atingiu de forma irreparável as famílias envolvidas e, sobretudo, o filho do casal”, diz o texto.
Segundo o comunicado, o casal terminou no dia do ocorrido, mas “Vinicius jamais praticaria qualquer ato de violência contra Larissa, pois, apesar do término no dia dos fatos, mantinham uma boa relação e tinham em comum o cuidado e o afeto pelo filho, sem qualquer histórico de violência anterior”.

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Ver todasA defesa destaca ainda que a irmã de Vinicius estava na residência no momento dos fatos, “sendo importante testemunha que já esclareceu as circunstâncias em seu depoimento à autoridade policial”. Conforme o advogado, ao perceber o ocorrido, acionou o 190 e o atendimento de emergência, além de ter comunicado à família de Larissa, permanecido no local até a chegada das autoridades e comparecido a delegacia.
“A investigação também terá acesso a conversas anteriores entre Larissa e familiares de Vinicius, nas quais ela manifestava pensamentos relacionados à possibilidade de tirar a própria vida diante de uma eventual ruptura do relacionamento. A defesa considera esse material relevante para a adequada compreensão do contexto e para o esclarecimento dos fatos”, diz o texto.
A família de Larissa, porém, contesta essa versão. A avó da jovem, Maria Aparecida Morata, disse à imprensa que ela tinha planos para o futuro e negou que estivesse passando por um processo de separação.













