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São Paulo

Católicos recebem apoio de evangélicos em peregrinação a Aparecida na Dutra

Rodovia Presidente Dutra recebe milhares de peregrinos rumo a Aparecida às vésperas do 12 de outubro e até evangélicos oferecem apoio

10/10/2026 02:00
William Cardoso/Metrópoles
Imagem mostra peregrinos rumo a Aparecida - Metrópoles

As margens da Rodovia Presidente Dutra se transformam todos os anos em uma passarela por onde caminham milhares de peregrinos com suas inúmeras histórias de fé e gratidão às vésperas do feriado de 12 de Outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida. Também há exemplos de convivência harmoniosa entre seguidores de outras religiões, para além do catolicismo.

Católicos que passaram nos últimos dias por Guarulhos, na Grande São Paulo, contaram com a colaboração até mesmo de evangélicos para seguir em caminhada à Basílica, em Aparecida. Na altura do Jardim Cumbica, uma tenda montada por fiéis da Igreja Batista oferecia comida, água, sombra e apoio aos peregrinos, que tinham ainda 150 km de estrada pela frente.

Mesmo sem ter a devoção à santa católica, os membros da Igreja Batista estiveram à beira da Dutra para ajudar na longa jornada dos católicos.

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“Um trabalho de solidariedade, de amor ao próximo, de igreja com igreja. Todo mundo topou, nós viemos aqui e está sendo um aprendizado muito grande para a gente”, afirmou na última quinta-feira (8/10) o pastor Edirlei Amorim, 58 anos. “Creio que será um trabalho de muitos anos, fortalecendo a fé de nossos irmãos.”

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O microempresário Walter Aparecido Aranha, 66 anos, deixou a zona norte paulistana na própria quinta e cruzava Guarulhos quando recebeu o apoio no Jardim Cumbica. “É maravilhoso. Deus é um só e eles estão ajudando o próximo. Só tenho a agradecer”, afirmou.

“O evangelho prega a unidade e não a igualdade. Não preciso ser igual a esse irmão [católico) para andar com ele. A unidade vem de propósitos iguais e, como ele falou, existe só um Deus”, disse o pastor. Já o microempresário afirmou que a fé deveria se somar, sem divisões.

Longa caminhada

Além dos exemplos de solidariedade, que se multiplicam à beira da Dutra, também há histórias de pessoas que não medem esforços para estarem próximas à imagem da padroeira, em Aparecida.

O cabeleireiro José Carlos Godoi de Almeida, 58 anos, saiu de Curitiba (PR) no domingo e cruzava a Grande São Paulo na última quinta. Ele já fez esse trajeto outras cinco vezes e, agora, chamava a atenção por estar coberto por um manto que trazia a imagem de Nossa Senhora, mas também um Neymar entregando uma coroa para o netinho do devoto, Matheus.

O neto de 17 meses teve problemas de saúde ao nascer, mas hoje é uma criança saudável, segundo Almeida. A caminhada até Aparecida traz consigo o agradecimento não só pela vida da criança. “Agradeço e peço que as pessoas que se aproximem de mim tenham o mesmo coração que o meu”, disse. E o que dificulta a jornada? “O calor está de cozinhar o galo”, disse o cabeleireiro, em uma tarde de mais de 30°C sobre o asfalto.

Nem mesmo a idade impõe barreiras para quem deseja chegar à Basílica. A costureira Hilda Siqueira, 78 anos, caminhava pela Dutra com um grupo de pessoas mais jovens, sem demonstrar cansaço. “A fé move tudo, o amor que temos pela ‘mãezinha’ [Nossa Senhora] vale a pena”, disse. “Só tenho a agradecer as coisas boas que ela faz por mim.”

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), são esperados mais de 40 mil peregrinos rumo a Aparecida neste ano, quebrando o recorde de 2025. Para auxiliar na fiscalização, até mesmo drones são usados pelos agentes no monitoramento da Dutra.