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São Paulo

Caso Milton Leite: Polícia Civil afasta delegados e diretor de cadeia

Carcereiros, diretor da cadeia pública e delegada seccional da cidade foram afastados em investigação de suspostas relagias a ex-vereador

17/10/2026 19:08, atualizado 17/10/2026 19:43
Afonso Braga/Câmara Municipal de SP
Imagem colorida da Milton Leite, homem negro, grisalho, de terno cinza e camisa azul - Metrópoles

São Paulo — A Polícia Civil paulista afastou, neste sábado (17/10), agentes de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, suspeitos de envolvimento em supostas regalias ao ex-vereador Milton Leite (União Brasil), preso na cadeia pública da cidade, suspeito de envolvimento em um esquema do Primeiro Comando da Capital (PCC) com empresas de ônibus. As informações foram confirmadas pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP).

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Milton Leite (União) e Ricardo Nunes (MDB)
Tarcísio participa do lançamento das candidaturas de Alexandre Leite a deputado estadual e Milton Leite Filho a deputado federal
Vereador Milton Leite (União Brasil)
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Vereador Milton Leite (União), presidente da Câmara de São Paulo
Polícia Civil decretou prisão temporária de 16 investigados e expediu 18 mandados de busca e apreensão. Seis suspeitos ainda são procurados
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Polícia Civil decretou prisão temporária de 16 investigados e expediu 18 mandados de busca e apreensão. Seis suspeitos ainda são procurados

Richard Lourenço/Rede Câmara
Milton Leite (União) e Ricardo Nunes (MDB)
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Milton Leite (União) e Ricardo Nunes (MDB)

Lucas Bassi/Rede Câmara SP
Tarcísio participa do lançamento das candidaturas de Alexandre Leite a deputado estadual e Milton Leite Filho a deputado federal
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Tarcísio participa do lançamento das candidaturas de Alexandre Leite a deputado estadual e Milton Leite Filho a deputado federal

Caiuá Maia / Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas
Vereador Milton Leite (União Brasil)
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Vereador Milton Leite (União Brasil)

Reprodução
Caso Milton Leite: Polícia Civil afasta delegados e diretor de cadeia - imagem 5
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Vereador Milton Leite (União), presidente da Câmara de São Paulo
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Vereador Milton Leite (União), presidente da Câmara de São Paulo

Richard Lourenço/Rede Câmara
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o vereador Milton Leite (União Brasil)
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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o vereador Milton Leite (União Brasil)

André Bueno/Rede Câmara

Em nota enviada ao Metrópoles, a pasta confirmou o afastamento imediato das funções que exerciam um carcereiro da Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, além de três delegados e um investigador que atuam na Seccional da Polícia Civil do município, além de instauração de Inquérito Policial e Procedimento Correicional Disciplinar sem prejuízo da tomada de novas medidas que se façam necessárias.

“A medida foi adotada pela Polícia Civil para garantir a continuidade das apurações sem eventuais interferências, após a tomada dos depoimentos dos cinco servidores, prestados à Corregedoria Geral da corporação neste sábado (17), no âmbito da investigação de suspeitas de favorecimento indevido a presos na Cadeia.”

Ainda conforme a SSP, a Corregedoria Geral da Polícia Civil apoiou a operação do Ministério Público, realizada na sexta-feira (16/10) e determinou correições na Cadeia Pública e no 1º Distrito Policial para verificar os serviços e as rotinas administrativas e operacionais das unidades. “A SSP reafirma seu compromisso e das polícias estaduais com a transparência, a legalidade e a rigorosa apuração dos fatos. As investigações prosseguem para esclarecer as circunstâncias e individualizar eventuais responsabilidades”, finalizou o texto.

De acordo com matéria publicada na coluna do jornalista Alfredo Henrique, sete dias antes da operação que revelou suspeitas de regalias concedidas a Milton Leite, uma mulher com características semelhantes às da delegada seccional de Mogi das Cruzes, Margarette Barreto, esteve na unidade policial onde o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo está preso. Na mesma ocasião, uma pessoa parecida com o político foi retirada da carceragem e levada a uma área restrita.

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A movimentação, registrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em 9 de outubro, consta de uma decisão judicial obtida com exclusividade pela coluna.

Operação do MPSP

Na sexta-feira (16/10), o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou a Operação Custódia (In)Fiel, contra favorecimentos indevidos a Leite, que foi presidente da Câmara Municipal durante o mandato como vereador. Ele nega as suspeitas.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a Corregedoria Geral prestou apoio à investigação do MPSP e “determinou correições na Cadeia Pública e no 1° Distrito Policial de Mogi das Cruzes, com o objetivo de verificar a situação dos serviços e rotinas administrativas e operacionais das unidades”. A pasta informou que, caso irregularidades sejam constatadas, as medidas cabíveis serão adotadas, e reafirmou co compromisso com a transparência, legalidade e correta apuração dos fatos.

Em nota, a defesa de Milton Leite negou os supostos favorecimentos. “Milton não recebe nem recebeu nenhum tipo de regalia ou tratamento diferenciado na unidade em que está custodiado. Ele está submetido às mesmas regras, rotinas e restrições aplicadas a todos os demais custodiados, cumprindo as normas do estabelecimento.”

A reportagem contatou novamente a defesa do ex-vereador após a informação do afastamento dos policiais, mas não houve resposta até o momento. O espaço está aberto.


Operação contra regalias de Milton Leite na cadeia

  • O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), deflagrou a Operação Custódia (In)Fiel na sexta-feira (16/10) para apurar supostas regalias concedidas a presos da Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, onde está preso Milton Leite (União).
  • A investigação começou após uma denúncia anônima apontar que o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo estaria recebendo visitas de políticos e amigos fora dos dias e horários autorizados, inclusive à noite e aos fins de semana.
  • Um carcereiro suspeito de facilitar regalias a Milton Leite teve cerca de R$ 155 mil e US$ 10 mil apreendidos na operação.
  • Entre os políticos que teriam visitado o ex-vereador sem autorização formal estão Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e os deputados estaduais Delegado Olim (PP) e Rogério Franco (PL).

Os advogados de Milton Leite ainda afirmaram que denúncias de favorecimento devem ser apuradas com cautela e que o ex-vereador está à disposição das autoridades para colaborar com a apuração.

Milton Leite teve a prisão preventiva prorrogada por mais 30 dias pela Justiça paulista nesta semana. O político está preso desde o dia 18 de setembro, suspeito de envolvimento no esquema de infiltração do PCC no sistema de transporte público de São Paulo, no âmbito dos contratos públicos com a Transwolff — no qual é acusado de ser o verdadeiro dono da empresa. Ele não foi encontrado casa durante a operação e se entregou para a polícia.

À imprensa, Milton Leite declarou ser inocente e acreditar na Justiça. “Eu não cometi nenhum crime e nada devo. Eu nego todas as acusações e tenho convicção de que sou inocente. Eu acredito na justiça, no trabalho da polícia. Temos oportunidade agora de provar tudo o que foi dito. A gente vai aguardar essa decisão pacientemente. Temos que respeitar as decisões da Justiça. Eu cumpri a decisão, me apresentei conforme prometido, conforme dito. Vim no dia que marquei, estou aqui sem nenhum problema”, disse na delegacia.

Suposta relação com empresa de ônibus

O político foi preso em setembro durante a Operação Vectura Corrupta, contra a infiltração do PCC no transporte público do estado. Segundo a investigação, o suposto esquema envolvia empresas, advogados, integrantes do crime organizado e agentes públicos para alcançar os objetivos da facção.

A operação foi um desdobramento de outra operação, deflagrada em agosto de 2024 e batizada de Decúrio. Na ocasião, as autoridades identificaram uma rede de comunicação entre integrantes da PCC e trocas de mensagens sobre a atuação do grupo.

A investigação cita a “contaminação, pelo crime organizado, de empresas de transporte coletivo de passageiros na Capital e no interior”. No município de São Paulo, ao menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo seriam, em tese, controladas pelo PCC. Essa infiltração, segundo as autoridades, ocorria por meio de uma estrutura organizada que combina o uso de empresas de fachada, direcionamento de licitações, apoio político e lavagem de capitais.

Os criminosos também utilizariam os sócios formais das concessionárias e empresas de ônibus como “laranjas” para ocultar os verdadeiros proprietários das empresas, que seriam integrantes do PCC. Além disso, o grupo também teria promovido ajustes prévios para direcionar licitações e obter contratos emergenciais em diversos municípios. Há registros de acordos para que as empresas passassem a ser administradas por membros da facção logo após vencerem as licitações, mediante repasse de propinas a agentes públicos.

As facilidades no setor, segundo a investigação, seriam obtidas em troca do financiamento de campanhas eleitorais de candidatos e cooptação de agentes públicos.

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Os investigadores ainda citam encontros periódicos com ex-gestores do sistema público, como o servidor da SPTrans Levi Oliveira, e políticos que atuariam como responsáveis ou proprietários por empresas do setor, como Milton Leite, apontado como dono da Transwolf.

O dinheiro do crime seria injetado no setor de transporte por meio da negociação de veículos e compra/venda de frotas inteiras de ônibus, com pagamentos de comissão aos laranjas, além da transferência de valores entre as contas das empresas e dos investigados.

A investigação também aponta a existência de um núcleo chamado “Sintonia dos Gravatas”, composto por advogados e operadores ligados à facção, que teriam o papel de intermediar negociações contratuais, atuar em licitações, gerenciar repasses de comissões e disponibilizar contas bancárias e escritórios para reuniões de integrantes do esquema.

“Em síntese, os elementos descritos pela Autoridade Policial procuram demonstrar que a atuação investigada extrapolaria o tráfico de drogas, abrangendo a utilização de empresas de transporte, pessoas interpostas, contratos públicos, articulações políticas e estruturas da área da saúde, além de evidenciar suposta divisão de tarefas e subordinação entre os envolvidos, com atuação coordenada em benefício do PCC”, diz um trecho do documento.