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São Paulo

Caso Larissa: laudo do IML identifica 17 lesões em esposa de PM preso

Perícia confirma que disparo foi feito de trás para frente e da esquerda para direita. PM Vinicius Costa Silva está preso temporariamente

10/09/2026 21:19, atualizado 10/09/2026 22:22
Arquivo Pessoal
Saiu laudo de Larissa da Cruz Morata, esposa de PM encontrada mort - Metrópoles

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) identificou ao menos 17 lesões no corpo da técnica em radiologia Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, encontrada morta com um tiro na cabeça em Embu das Artes, na Grande São Paulo, no último domingo (6/9). A perícia ainda confirma que o disparo foi efetuado de trás para frente e da esquerda para a direita, com projétil saindo pelo lado direito da têmpora.

O exame necroscópico aponta que a causa da morte foi traumatismo cranioencefálico em decorrência de ferimento de arma de fogo. O relatório ainda identificou roxões nas mãos e pernas de Larissa, escoriações na região cervical e no joelho esquerdo da técnica em radiologia.

A legista responsável também observou a presença de fios de cabelos soltos grudados na calça da jovem, sem manchas de sangue, “sendo que os cabelos do cadáver estavam tintos de sangue”.

O IML também coletou as extremidades da unha de Larissa Morata para possível avaliação de material subungueal (abaixo da unha).

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O documento é considerado fundamental para esclarecer pontos detalhes que podem elucidar o caso e determinar se Larissa foi vítima de feminicídio ou cometeu suicídio.

O laudo não traz informações de quando as lesões ocorreram. A Polícia Civil ainda pode solicitar análises complementares para esclarecer as circunstâncias da morte. O exame toxicológico ainda aguarda resultado.

Nesta quinta-feira (10/9), a irmã do soldado da Polícia Militar (PM) Vinicius Costa Silva, marido de Larissa, foi alvo de busca e apreensão na Grande São Paulo. Depois de não ser encontrada em sua residência, Thamires Costa Mathias, de 19 anos, compareceu voluntariamente à delegacia de Embu das Artes, acompanhada de um advogado, e entregou o próprio celular à polícia, conforme informou a defesa dela.

De acordo com o boletim de ocorrência, Thamires estaria na residência do casal no instante em que o disparo que matou a cunhada foi efetuado. Na ocasião, ela cuidava do sobrinho, de 2 anos.

Vinicius está preso temporariamente desde a última segunda (7/9). Ele foi detido pela Polícia Civil no velório de Larissa, após a investigação ter acesso a elementos de ordem pericial que divergiam da versão inicialmente apresentada por ele. A defesa do soldado alega que a a técnica em radiologia teria cometido suicídio.

Entenda

  • Larissa Cruz Morata, de 29 anos, foi encontrada morta com um tiro no domingo (6/9) na casa onde vivia com o marido, o soldado da PM Vinicius Costa Silva, 26, em Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo.
  • De acordo com o Boletim de Ocorrência (B.O.), a mulher estava com a arma do PM sob o corpo e um ferimento provocado por disparo na cabeça. A polícia foi acionada às 11h daquele dia.
  • O marido  estava no local e afirmou aos agentes que se tratava de um suicídio. O caso, no entanto, foi registrado como morte suspeita. Agora, também é apurada a hipótese de feminicídio.
  • Vinícius foi preso nessa segunda durante o velório da esposa por uma equipe da Corregedoria da PM, após a Polícia Civil encontrar inconsistências no depoimento do soldado.
  • Em seguida, o policial foi levado para a delegacia da cidade e, posteriormente, transferido para o Presídio Militar Romão Gomes, no Barro Branco, zona norte da capital. Trata-se do mesmo em que está detido o tenente-coronel da reserva Geraldo Leite Rosa Neto, investigado por feminicídio contra a PM Gisele.
  • O soldado afirmou em depoimento à Polícia Civil que ele e a esposa, Larissa, haviam conversado sobre o término da relação horas antes do disparo que resultou na morte da técnica em radiologia.
  • A defesa do policial sustenta que Larissa teria cometido suicídio e disse que irá apresentar às investigações trocas de mensagens em que ela supostamente manifestava pensamentos relacionamentos à ideia de tirar a própria vida em caso de um eventual rompimento.
  • A família da jovem contesta essa versão. “Ela tinha planos de vida. Ela ia perder o filho que ela ama demais, demais. Ela era doente pelo filho dela. Ela ia colocar silicone agora no final desse mês, ela tinha uma consulta marcada no posto de saúde. Ela comeu um pastel comigo quinta-feira, a gente entrou pra visitar uma loja. Ela não tava brigando e não tava com problema nenhum. E ela não estava em fase de separação como estão dizendo aí, porque ela me contava tudo o que acontece com ela”, afirmou a avó da jovem, Maria Aparecida Morata.
  • De acordo com a delegada responsável pelo caso, Bruna Crippa, os investigadores tiveram acesso a elementos de ordem pericial que divergiam da versão inicialmente apresentada.
  • Um deles é a origem do tiro: Larissa da Cruz Morata foi encontrada com um tiro próximo ao ouvido esquerdo, mas familiares afirmam que a jovem não era canhota.

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Família de Larissa nega suicídio

À polícia, Vinicius alegou que Larissa cometeu suicídio após ele pedir o fim da relação. O soldado disse não ter visto o disparo. Não há informações se a irmã do suspeito presenciou o ocorrido.

Maria Aparecida Morata, avó de Larissa, falou com a imprensa e negou a tese inicial de suicídio. Segundo a mulher, a neta foi morta pelo próprio marido, soldado da PM. Veja o vídeo:

“Ela tinha planos de vida. Ela ia perder o filho que ela ama demais, demais. Ela era doente pelo filho dela. Ela ia colocar silicone agora no final desse mês, ela tinha uma consulta marcada no posto de saúde. Ela comeu um pastel comigo quinta-feira, a gente entrou pra visitar uma loja. Ela não tava brigando e não tava com problema nenhum. E ela não estava em fase de separação, como estão dizendo aí, porque ela me contava tudo o que acontece com ela”, declarou.

A avó é enfática e diz que a neta “não se matou” e que “ela jamais faria isso”. “Ele matou ela. Ele matou porque mexia muito com o psicológico dela. Ele andava com aquela arma na cintura dele encarando os outros. Eu já sai com ele, eu sei. Ele encarava os outros. Ele mistura não sei o que aí e fica doido”, disse Maria Aparecida.

Soldado é enviado ao Presídio Romão Gomes

Após ser preso por agentes da Corregedoria da PM no velório de Larissa, Vinícius foi levado ao Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo — unidade que recebe agentes e ex-agentes da corporação. Lá está preso o tenente-coronel da reserva Geraldo Leite Rosa Neto, 53, acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, 32. Os dois casos possuem inegáveis semelhanças.

Gisele foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido no Brás, região central de São Paulo. Ela foi socorrida, mas não resistiu. E, assim como Larissa, possuía um ferimento por disparo de arma de fogo na cabeça.

O tenente-coronel também alega que ela tirou a própria vida após ele anunciar que queria encerrar a relação, mas apresentou inconsistências em seu depoimento. O militar acabou preso um mês após a morte da esposa.

Um novo laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo, de 1º de setembro, descartou que Gisele tenha tirado a própria vida. A investigação identificou divergências materiais entre a versão inicial apresentada e os vestígios físicos encontrados e invalidou categoricamente a hipótese de suicídio.

Em 1º de setembro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a prisão preventiva do tenente-coronel da reserva. E, pela terceira vez, o interrogatório dele foi adiado pela Justiça de São Paulo, após a defesa pedir novas diligências e outra complementação da perícia. Uma decisão de sexta-feira (4/9) remarcou o depoimento para 5 de outubro, às 13h.

Defesa fala em “fatalidade” e reforça suicídio

Em nota, a defesa do soldado da PM classificou a morte da mulher como “fatalidade” e destacou que, “desde o primeiro momento, Vinicius relatou às autoridades que Larissa tirou a própria vida”. “Trata-se de uma tragédia profundamente dolorosa, que atingiu de forma irreparável as famílias envolvidas e, sobretudo, o filho do casal”, diz o texto.

Segundo o texto, o casal terminou no domingo, mas “Vinicius jamais praticaria qualquer ato de violência contra Larissa, pois, apesar do término no dia dos fatos, mantinham uma boa relação e tinham em comum o cuidado e o afeto pelo filho, sem qualquer histórico de violência anterior”.

A defesa destaca ainda que a irmã de Vinicius estava na residência no momento dos fatos, “sendo importante testemunha que já esclareceu as circunstâncias em seu depoimento à autoridade policial”. Conforme o advogado, ao perceber o ocorrido, acionou o 190 e o atendimento de emergência, além de ter comunicado à família de Larissa e permanecido no local até a chegada das autoridades, e comparecido à delegacia.

“A investigação também terá acesso a conversas anteriores entre Larissa e familiares de Vinicius nas quais ela manifestava pensamentos relacionados à possibilidade de tirar a própria vida diante de uma eventual ruptura do relacionamento. A defesa considera esse material relevante para a adequada compreensão do contexto e para o esclarecimento dos fatos”, diz o texto.

O advogado menciona ainda que “Vinicius confia que os depoimentos, os elementos documentais, as conversas anteriormente mencionadas e, principalmente, os exames e laudos periciais permitirão esclarecer de forma objetiva a dinâmica dos acontecimentos e demonstrar que não praticou qualquer crime contra Larissa”.

Caso Larissa: laudo do IML identifica 17 lesões em esposa de PM preso