
Candidato do Missão fingia apoiar Lula para desviar materiais de campanha.
Gabriel Piauhy publicou, e removeu logo na sequência, vídeo em que visitava comitês de Lula para recolher materiais e tirá-los de circulação

São Paulo — O candidato a deputado federal em São Paulo Gabriel Piauhy (Missão) divulgou em suas redes sociais, na última sexta-feira (23/10), um vídeo em que, fingindo ser um apoiador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), percorre pelo menos dois comitês eleitorais para recolher vasto material de campanha. O objetivo real do candidato, segundo ele relata em seguida no mesmo vídeo, era “tirar a propaganda petista das ruas”.
“Hoje eu vou ensinar pra você como enganar um bando de petista e salvar nossa cidade de propaganda eleitoral m*rda”, declarou o filiado do Missão, legenda de direita fundada pelo Movimento Brasil Livre (MBL).
Piauhy, que tem quase 300 mil seguidores nas redes, mostra no vídeo que visitou um comitê do PT e outro do PCdoB, em busca de material de apoio a Lula. Na gravação, ele alega que vai viajar por várias cidades e gostaria de distribuir o material de campanha. Outras três pessoas que compõem o grupo do candidato entram nos mesmos locais, em diferentes momentos, para recolher mais panfletos, adesivos e banners. O post de Piauhy foi removido horas depois, mas o Metrópoles já havia feito uma cópia do vídeo.
Após a coleta da propaganda de Lula, o candidato e as três pessoas que o acompanham vão para um imóvel com uma mesa grande, onde todo o material é espalhado. Eles aplaudem o sucesso do “plano”.
Ao Metrópoles, o candidato afirmou que não teve o intuito de cometer nenhum tipo de crime, e que seu objetivo era “tirar sarro” da campanha do adversário. O Partido Missão também se manifestou, e disse que não teve participação alguma na realização do ato (confira as notas no final da matéria).
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Frequência de envio: Diário
Ver todasAlém de ter recolhido o material, no final do vídeo Piauhy também incentivou outros eleitores contrários ao governo Lula a cometerem a mesma infração.
“Material petista fora das ruas de São Paulo. Minha parte eu fiz, quer ajudar nessa batalha? Vá até o comitê mais próximo. […] Inventa alguma coisa, mano. Essa é a nova campanha contra o PT, tire material petista das ruas”, declarou.
À equipe de reportagem, o diretório de São Paulo do Partido dos Trabalhadores (PT) repudiou a ação realizada pelo candidato e ressaltou que a conduta “celebra a mentira e o desrespeito à disputa democrática”. Por fim, o partido afirmou que a prática será analisada pela equipe jurídica.
“A democracia exige respeito, responsabilidade e compromisso com a verdade. A tentativa deliberada de enganar e prejudicar a livre circulação de materiais de campanha é incompatível com esses princípios. […] O jurídico já está avaliando as medidas cabíveis”, disse o diretório em nota.
Até o momento de publicação desta matéria, não constava a existência de nenhuma representação ou processo contra Gabriel Piauhy no âmbito eleitoral.
O que diz o candidato
Questionado pelo Metrópoles, Piauhy justificou a ação dizendo que o objetivo principal da produção era satirizar afirmações feitas pela campanha de Lula com relação ao também candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL).
“O intuito foi tirar sarro com as relações que a campanha do candidato Lula estava fazendo com o Flávio Bolsonaro, dizendo que ele ia cortar a farmácia popular, que ia acabar com tudo, que não sei o quê. A gente sabe muito bem que isso é mentira, né?”, declarou.
O influenciador político também se defendeu dos apontamentos sobre a violação do Código Eleitoral, e afirmou que não houve nenhuma infração. E finalizou explicando que removeu o vídeo das redes porque “pegou mal”.
“Nenhum crime eleitoral foi cometido, tá? O material não teve a finalidade desvirtuada, isso eu posso te garantir […] E você me pergunta porquê eu apaguei o vídeo? Eu acho que a sátira pegou mal, é isso.”
O Metrópoles indagou o partido Missão, que disse não ter conhecimento da ação realizada pelos seus filiados.
Quem é Gabriel Piauhy?
Ex-filiado ao Partido Liberal (PL), o influenciador político Gabriel Piauhy tem quase 300 mil seguidores nas redes sociais e ficou conhecido por vídeos polêmicos. Inicialmente ligado ao bolsonarismo, Piauhy passou a criticar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após uma mudança de posição política no início deste ano.
No mês de junho, ele gerou repercussão na internet ao gravar homens em um suposto ponto de pegação no Parque Ibirapuera, na zona sul de São Paulo. A abordagem provocou críticas nas redes sociais pela exposição das pessoas filmadas e por levantar dúvidas sobre um possível cenário forjado.
Agora filiado ao Missão, ele concorreu a uma vaga de deputado federal por São Paulo e recebeu 5.169 votos, mas não foi eleito.






