
Candidata, delegada escondeu puff com R$ 1,8 milhão a 4 dias da eleição
Candidata a deputada estadual pelo União Brasil, a delegada obteve pouco mais de 12 mil votos na disputa mas não conseguiu ser eleita
26/10/2026 16:36

São Paulo — A delegada Maria Corsato, do 27° Distrito Policial, denunciada pela própria irmã após entrega-la puff com mais de R$ 1 milhão em espécie escondidos, havia deixado o móvel na residência da familiar quatro dias antes do primeiro turno das eleições. Corsato concorria a uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) pelo União Brasil, mas obteve apenas 12.713 e não foi eleita.
De acordo com o relato da irmã, ela recebeu da delegada o item no dia 30 de setembro, alegando que estaria “sendo procurada devido a uma suposta ordem de busca e apreensão”. No último sábado (24/10), a irmã decidiu abrir o móvel com uma faca, quando teria encontrado, dentro dele, notas de dinheiro e papéis com anotações. Foi quando decidiu ligar para a Polícia Militar (PM) e realizar a denúncia.
Omissão ao TSE
O puff foi apreendido, e nele as autoridades encontraram, no total, 120 mil dólares (o equivalente a cerca R$ 595 mil no câmbio deste domingo), mais de 12 mil euros (pelo menos R$ 59,5 mil no câmbio do dia) e R$ 1,246 milhão, todas as moedas em espécie, além de 15 anotações. O boletim de ocorrência (B.O), obtido pelo Metrópoles, também indica que a equipe policial tentou localizar a delegada na residência dela, mas o porteiro do prédio informou que ela não estava.

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Ver todasSegundo o registro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a delegada declarou R$ 2,8 milhões em bens no ato de registro da candidatura para as eleições, porém, o valor encontrado no objeto não constava na declaração de bens. A declaração indica um apartamento de R$ 600 mil no Guarujá. Também há o registro de quatro imóveis em Santo André avaliados em R$ 700 mil, R$ 500 mil, R$ 300 mil e R$ 200 mil, além de R$ 500 mil aplicados em um banco.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPEm nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Corregedoria-Geral da Polícia Civil instaurou procedimentos para investigar a origem dos valores apreendidos e apurar eventual responsabilidade criminal e administrativa da delegada. A Polícia Militar foi acionada pela proprietária do imóvel, irmã da delegada, após encontrar o dinheiro no interior de um móvel.
“Herança de tia”
Ao Metrópoles, o advogado Gerson Mendonça disse que a irmã tinha conhecimento sobre os valores — que seria herança de uma tia — e chamou a polícia “justamente para prejudicar a delegada”. Ele ainda negou que houvesse um mandado de busca e apreensão contra a policial e ressaltou que guardar dinheiro em espécie não é crime.
Nas redes sociais, Maria Corsato afirmou que a denúncia da irmã foi motivada por um desentendimento entre ambas. “O episódio ocorreu alguns dias após ela ter ido ao local de trabalho do meu cunhado e provocado um escândalo. Como fiquei ao lado dele, ela se desentendeu comigo”, escreveu.










