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Eleições 2026São Paulo

Campanha em SP termina fria, nacionalizada e com poucas propostas debatidas

Disputa tente a terminar neste domingo (4/10), ainda no primeiro turno. Ato final das campanhas deve focar em ajudar presidenciáveis

Rebeca Ligabue/Metrópoles e Divulgação/Diogo Zacarias - Fernando Haddad
Campanha em SP termina fria, nacionalizada e com poucas propostas debatidas

Falta apenas um dia para o eleitor paulista decidir quem vai governar São Paulo pelos próximos quatro anos, mas, nas ruas, pouco se fala sobre a disputa entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), que parece já decidida. O desânimo da população com o pleito reflete uma campanha fria, nacionalizada e com poucas propostas debatidas.

As pesquisas de intenção de voto mostram que o atual governador do estado deve sair vitorioso da disputa neste domingo (4/10). Publicamente, Tarcísio já assume viajar para outros estados, nos próximos dias, para ajudar Flávio Bolsonaro (PL) na corrida contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em caso de segundo turno no pleito federal.

Haddad também já admitiu, em entrevista ao próprio Metrópoles, que a eleição para o Palácio dos Bandeirantes tende a terminar no primeiro turno, graças ao número baixo de candidatos competitivos. Nessa sexta-feira (2/10), a caminhada de sua campanha no ABC Paulista foi direcionada a pedir votos para Lula. Parte dos aliados do petista  mal citava o nome de Haddad nos discursos, focando em falar da “ameaça” de uma eventual vitória de Flávio.

Na agenda de campanha de Tarcísio, no centro da capital paulista, também nessa sexta, secretários estaduais e municipais de São Paulo pegaram o microfone para defender o voto no governador, mas também diziam que era preciso “tirar o PT” do Brasil.

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Às vésperas da eleição, tanto Tarcísio, quanto Haddad estão de olho no pleito presidencial e dirigem seus esforços para auxiliar seus candidatos. Neste sábado (3/10), os dois encerram a jornada antes do primeiro turno ao lado dos presidenciáveis.

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Fernando Haddad e Lula participam de caminhada em São Miguel Paulista
Tarcísio e Flávio Bolsonaro
Haddad e Lula durante agenda em São José do Rio Preto, no interior
No dia 7 de setembro de 2026, Tarcísio participou de comício de Flávio na Paulista
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No dia 7 de setembro de 2026, Tarcísio participou de comício de Flávio na Paulista

Caiuá Maia /Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas
Fernando Haddad e Lula participam de caminhada em São Miguel Paulista
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Fernando Haddad e Lula participam de caminhada em São Miguel Paulista

Ricardo Stuckert.
Tarcísio e Flávio Bolsonaro
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Tarcísio e Flávio Bolsonaro

Caiuá Maia /Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas
Haddad e Lula durante agenda em São José do Rio Preto, no interior
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Haddad e Lula durante agenda em São José do Rio Preto, no interior

Divulgação/Diogo Zacarias - Campanha Fernando Haddad

Nacionalização

Antes mesmo da campanha iniciar oficialmente, a disputa em São Paulo já dava indícios de que poderia ser nacionalizada. O governador e o petista ocuparam postos importantes nas gestões de Jair Bolsonaro (PL) e Lula, respectivamente, e costumavam criticar um ao outro citando a experiência no governo federal.

Haddad, por exemplo, falava dos contratos assinados por Tarcísio no Ministério da Infraestrutura que segundo ele “precisaram ser revistos” pela gestão Lula. O governador, por outro lado, atribuía à gestão do rival no Ministério da Fazenda a culpa pelo endividamento da população.

Quando começou a corrida eleitoral, a disputa acabou atropelada pela crise do Supremo Tribunal Federal (STF). A tensão envolvendo a mais importante Corte do país tomou conta do noticiário e Haddad chegou a reclamar, em entrevistas, da nacionalização e do desvio de foco das eleições para o tema.

Como mostrou a coluna de Vinícius Passarelli no Metrópoles, a campanha do petista avaliou que a dominância de temas como o caso Dark Horse e a crise do STF atrapalhou a estratégia de Haddad de pautar assuntos que pudessem desgastar a imagem de bom gestor do adversário.

A situação também impactava outro objetivo claro do petista em São Paulo: criar um palanque forte para ajudar a impulsionar a campanha de reeleição Lula no estado, o maior colégio eleitoral do país.

Estratégias

Haddad tinha oficializado sua candidatura em Campinas, fazendo um aceno ao eleitorado do interior, em uma tentativa de ampliar os resultados de 2022, quando o PT teve seu melhor desempenho no estado. Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e outros ex-integrantes do governo federal estiveram presentes no evento.

Já como primeiro ato de rua, fez uma caminhada com mulheres ao lado da esposa, Ana Estela, de Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e de candidatas a deputadas federal e estadual. Durante a caminhada, Marina foi alvo de uma hostilidade por um homem não identificado.

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Fernando Haddad, Lula, Geraldo Alckmin, Simone Tebet e Marina Silva
Fernando Haddad e Ana Estela Haddad
Primeiro ato de campanha de Haddad terminou em frente ao Theatro Municipal
Haddad em caminhada na comunidade de Heliópolis, em São Paulo
As agendas do petista incluíram encontros com a militância em plenárias e anúncios do plano de governo caso fosse eleito
A "Caminhada com as Mulheres" reuniu apoiadoras na Praça da República
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A "Caminhada com as Mulheres" reuniu apoiadoras na Praça da República

Diogo Zacarias/Campanha Fernando Haddad
Fernando Haddad, Lula, Geraldo Alckmin, Simone Tebet e Marina Silva
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Fernando Haddad, Lula, Geraldo Alckmin, Simone Tebet e Marina Silva

Fernando Haddad e Ana Estela Haddad
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Fernando Haddad e Ana Estela Haddad

Ricardo Stuckert/Presidência da República
Primeiro ato de campanha de Haddad terminou em frente ao Theatro Municipal
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Primeiro ato de campanha de Haddad terminou em frente ao Theatro Municipal

Diogo Zacarias/Campanha Fernando Haddad
Haddad em caminhada na comunidade de Heliópolis, em São Paulo
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Haddad em caminhada na comunidade de Heliópolis, em São Paulo

Diogo Zacarias/Campanha Fernando Haddad
As agendas do petista incluíram encontros com a militância em plenárias e anúncios do plano de governo caso fosse eleito
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As agendas do petista incluíram encontros com a militância em plenárias e anúncios do plano de governo caso fosse eleito

Divulgação/Diogo Zacarias - Campanha Fernando Haddad
O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) acompanha missa na Catedral da Sé neste domingo (27/9) acompanhado da esposa, Ana Estela.
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O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) acompanha missa na Catedral da Sé neste domingo (27/9) acompanhado da esposa, Ana Estela.

Divulgação/Diogo Zacarias - Campanha Fernando Haddad

Tarcísio também inaugurou sua campanha em um encontro com mulheres, em Osasco, na região metropolitana, ao lado da esposa, Cristiane Freitas. A pauta das mulheres apareceria várias vezes durante as agendas de ambos os candidatos, em meio ao recorde de casos de feminicídios no estado.

Enquanto Haddad mirava o interior, Tarcísio focou seus compromissos no início da disputa na região metropolitana, onde perdeu para o adversário na eleição passada. Com mais que o dobro do tempo de TV que o adversário, o governador investiu em divulgar os feitos de sua gestão para os eleitores e defendeu a continuidade dos trabalhos.

Exceto em alguns casos, como as agendas para o eleitorado feminino, os dois candidatos tiveram estratégias opostas na maior parte do tempo. Haddad priorizou o corpo-a-corpo com os eleitores em todo estado e participação em entrevistas — foram mais de 25 encontros com a imprensa, incluindo a sabatina do Metrópoles, desde o dia 16 de agosto, quando a campanha foi iniciada.

Tarcísio se aproveitou do favoritismo e participou de apenas 4 sabatinas em veículos de imprensa, tendo descartado até mesmo a participação no tradicional Roda Viva. Na primeira metade da campanha, a agenda do candidato reuniu principalmente eventos fechados e lançamentos de candidaturas de aliados. O corpo-a-corpo, com caminhadas na rua, só foi intensificado na reta final, espalhado entre caminhadas na capital, Grande São Paulo e interior.

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Tarcísio ao lado dos aliados Guilherme Derrite, André do Prado e Flávio Bolsonaro na Igreja Mundial do Poder de Deus
Tarcísio e Flávio Bolsonaro em visita ao Mercado Municipal de São Paulo
Tarcísio abraça apoiador em agenda de campanha em Carapicuíba
Tarcísio de Freitas em agenda de campanha à reeleição
Tarcísio come pastel na zona leste de São Paulo
Tarcísio prega em culto na igreja do pastor Valdemiro
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Tarcísio prega em culto na igreja do pastor Valdemiro

Caiuá Maia /Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas
Tarcísio ao lado dos aliados Guilherme Derrite, André do Prado e Flávio Bolsonaro na Igreja Mundial do Poder de Deus
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Tarcísio ao lado dos aliados Guilherme Derrite, André do Prado e Flávio Bolsonaro na Igreja Mundial do Poder de Deus

Caiuá Maia /Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas
Tarcísio e Flávio Bolsonaro em visita ao Mercado Municipal de São Paulo
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Tarcísio e Flávio Bolsonaro em visita ao Mercado Municipal de São Paulo

Caiuá Maia /Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas
Tarcísio abraça apoiador em agenda de campanha em Carapicuíba
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Tarcísio abraça apoiador em agenda de campanha em Carapicuíba

Jessica Bernardo/ Metrópoles
Tarcísio de Freitas em agenda de campanha à reeleição
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Tarcísio de Freitas em agenda de campanha à reeleição

Jessica Bernardo/ Metrópoles
Tarcísio come pastel na zona leste de São Paulo
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Tarcísio come pastel na zona leste de São Paulo

Jessica Bernardo / Metrópoles
Ao lado de aliados, Tarcísio experimenta caldo de cana em pastelaria
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Ao lado de aliados, Tarcísio experimenta caldo de cana em pastelaria

Jessica Bernardo / Metrópoles

Durante o período eleitoral, Haddad e Tarcísio se enfrentaram diretamente em apenas dois debates: o primeiro,  tradicionalmente realizado pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação ainda durante a pré-campanha, e o da TV Globo, nesta terça-feira (29/9), na semana que antecede o primeiro turno.

Os demais foram desmarcados ou transformados em sabatina pela ausência de Tarcísio. No evento que seria promovido pela Record, Haddad foi entrevistado por 30 minutos e lamentou a estratégia adotada pelo seu adversário. “Eu queria ter tido a oportunidade de confrontar meu diagnóstico sobre São Paulo e minhas propostas com as do atual governador”, afirmou Haddad. Tarcísio justificou sua ausência dizendo que os debates eram “mais do mesmo”.

No debate da dupla na TV Globo, mais uma vez a nacionalização tomou conta. No evento, Haddad mencionou uma “herança maldita” deixada por Bolsonaro, enquanto Tarcísio atacou o governo Lula.

Ainda assim, os candidatos debateram algumas propostas. Em uma pergunta sobre mobilidade, os dois postulantes pareceram concordar com a necessidade de um bilhete único metropolitano em São Paulo. A ideia aparece no plano de governo de Haddad, mas Tarcísio disse que irá estudar o modelo.

“É óbvio que isso ajuda muito o trabalhador, ajuda muito quem precisa do transporte todos os dias. É um objetivo a ser perseguido e a gente vai analisar do ponto de vista da plausabilidade, da viabilidade financeira e da viabilidade técnica. É esse estudo que a gente está fazendo”, afirmou o candidato à reeleição, quando questionado sobre o tema pela imprensa.

Sem grandes confrontos de ideias, a campanha seguiu fria. A maior polêmica da corrida eleitoral foi, na verdade, um episódio anterior a ela, quando após uma agenda de pré-campanha, o motorista de Haddad alegou uma suposta abordagem feita por policiais militares. Ao todo, três viaturas passaram pelo carro de Haddad.

A investigação preliminar contra os PMs supostamente envolvidos no caso foi concluída e arquivada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), que disse não foram identificados indícios de transgressão disciplinar, crime militar ou crime comum atribuível aos policiais.

O Ministério Público Eleitoral paulista (MPE) também arquivou a denúncia de intimidação feita pela campanha de Haddad, mas o promotor do caso fez uma ressalva, refutano a tese da PM de que a presença das viaturas era uma coincidência.

“Mostra-se inverossímil que, em um interregno de apenas 44 minutos e em um raio geográfico estreito, duas guarnições distintas do Programa de Força Tática […] tenham estabelecido sucessivos contatos visuais e abordagens atípicas com os mesmos representantes e com o mesmo veículo Ford Fusion”, disse ele.

Apesar disso, Tarcísio insinuou que o motorista teria feito uma falsa comunicação de crime. Um inquérito na Polícia Civil, que apura a postura do motorista, continua em andamento.

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Reta final

Próximo do fim da disputa, a campanha de Haddad se manteve com praticamente o mesmo percentual de votos desde o início das pesquisas. Enquanto isso, Tarcísio cresceu, abocanhando indecisos.

Na reta final da campanha, o ex-ministro da Fazenda participa neste sábado (3/10) da chamada “Caminhada da Vitória”, na Avenida Paulista, no centro, ao lado de Lula. O local é o mesmo em que o presidente encerrou sua campanha na eleição de 2022. A Prefeitura de São Paulo tentou barrar o evento alegando restrições do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), mas a Justiça Eleitoral concedeu ao PT o direito de realizar o ato.

Tarcísio vai ao interior paulista, acompanhar Flávio em uma carreata nas cidades de Santa Bárbara D’Oeste e Americana. Apesar de ter se distanciado do presidenciável no início da disputa, Tarcísio tem intensificado seu apoio nos últimos dias. A medida não vem à toa: o governador, agora candidato à reeleição, tem interesse em ser o nome da direita a disputar 2030. Para isso, no entanto, ele pode precisar do apoio da família Bolsonaro.