Câmara da OAB anula suspensão da atuação de Deolane como advogada em SP
Segundo decisão desta segunda (26), foram identificadas diversas irregularidades na determinação tomada pelo Tribunal de Ética e Disciplina
26/10/2026 17:04

São Paulo — A 8ª Câmara Recursal da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP) acatou um recurso da defesa de Deolane Bezerra e decidiu anular uma medida que suspendia a atuação profissional da advogada no estado. Segundo a decisão, foram identificadas diversas irregularidades na determinação tomada pelo Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da OAB em 24 de junho.
A anulação foi publicada nesta segunda-feira (26/10) e ainda deve ser cumprida nos próximos dias. Por enquanto, a inscrição de Deolane segue como suspensa no Cadastro Nacional dos Advogados (CNA).
Deolane está presa preventivamente desde 22 de maio, suspeita de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), de associação com a facção criminosa e de associação com o tráfico de drogas. Atualmente, ela está detida no Pavilhão Especial da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.
Procurada pela reportagem sobre a decisão desta segunda, a OAB-SP informou que apura todas as infrações que chegam ao seu conhecimento, mas destacou que os processos são sigilosos. O Metrópoles também procurou o advogado de Deolane para comentar a nova decisão, porém não obteve retorno até a publicação deste texto.
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Ver todasA advogada teve o cadastro suspenso em junho, como medida de efeito imediato de prazo inicial de 90 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período. Os representantes de Deolane argumentaram na época, porém, que “tal medida ocorreu sem o devido respeito ao contraditório e ao prévio direito de defesa”.
Entenda a cronologia da operação contra Deolane e o PCC
- A investigação iniciou-se em 2019, quando policiais penais apreenderam bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau.
- Os manuscritos revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, à atuação de lideranças do crime organizado e a possíveis ataques contra agentes públicos.
- A Polícia Civil notou a menção a uma “mulher da transportadora”, que teria feito um levantamento de endereços de servidores públicos para auxiliar no planejamento dos ataques do PCC, e chegou a uma transportadora, o que deu início à segunda etapa da investigação.
- Batizada de Lado a Lado e deflagrada em 2021, a operação revelou a utilização da transportadora como braço financeiro do PCC, além de movimentações financeiras incompatíveis e crescimento econômico sem lastro.
- Durante a Operação Lado a Lado, as autoridades apreenderam um celular com indícios de repasses financeiros a Deolane, além de estreitos vínculos da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.














