
Caiado sobre negociar tarifaço com EUA: "Vou resgatar o Itamaraty"
Ronaldo Caiado (PSD) comentou, durante agenda em São Paulo nesta terça-feira (25), como vai lidar com o tarifaço caso seja eleito presidente

Candidato à presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD) comentou, na manhã desta terça-feira (25/8), como pretende lidar com o tarifaço dos Estados Unidos (EUA) caso seja eleito. Durante o ABDIB Fórum Eleições 2026, em São Paulo, Caiado afirmou que vai “resgatar o Itamaraty” e destacou que o “Brasil não pode ficar sequestrado apenas por um mercado”.
O ex-governador de Goiás acredita que o Itamaraty precisa saber negociar e não deve ser “braço de partido político”. Ele criticou o presidente Lula (PT) por fazer “provocações” e “ilações” contra Donald Trump em meio à tensão política.
“Eu sei cumprir a liturgia do cargo e sei sentar na mesa de negociações. Sei negociar para que o Brasil possa expandir seu mercado. A chancelaria brasileira vai saber sentar na mesa e terá um presidente da República que não vai ficar fazendo provocações nem ilações contra outros presidentes”, declarou.
Caiado lembrou também de outras punições econômicas sofridas pelo Brasil. No dia 5 de junho, a União Europeia (UE) publicou um documento que oficializou a exclusão do país da lista de nações que cumprem as regras contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. A partir de 3 de setembro, o Brasil fica proibido de exportar carne para a UE.
“Não é só americano. Em relação à União Europeia, a partir do dia 3 de setembro, que está aí, nós já vamos tomar um bloqueio, não é nem tributação, na exportação de carne, de águas, de leite, de ovos, tudo isso por questões sanitárias que o Ministério da Agricultura não conseguiu atender”, criticou o candidato.
Entenda o tarifaço
- Os EUA implementaram duas taxas adicionais contra o Brasil no mês passado: uma de 25%, direcionada especificamente contra o país, e outra, de 12,5%, que alcança mais de 60 países e a União Europeia. Somadas, as taxas podem afetar setores da indústria brasileira em até 37,5%.
- Para justificar a aplicação da maior taxa, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) alegou que o Brasil adota práticas comerciais desleais que oneram importadores norte-americanos.
- Entre as tais práticas, a pasta citou o aumento do desmatamento ilegal no Brasil, mencionou acordos internacionais preferenciais e ainda fez críticas ao Pìx.
- Em mais de um ano de tratativa, o governo brasileiro buscou contestar todas as alegações apresentadas pelo USTR. Os argumentos, contudo, não foram levados em consideração para evitar a aplicação das taxas e nem mesmo para negociar uma alíquota menor.
Planalto vê abertura para renegociar tarifaço após eleições
O governo brasileiro avalia que a retomada do diálogo com o governo dos Estados Unidos, por meio do telefonema entre os presidentes Luiz (PT) e Donald Trump, na sexta-feira passada (21/8), abre espaço para que a Casa Branca possa negociar o tarifaço após as eleições presidenciais deste ano.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPA nota do Planalto, divulgada após a ligação, afirma que Trump chancelou a retomada das negociações comerciais entre os dois países. O tema foi levado por Lula, que solicitou a conversa. “O presidente Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível”, diz o comunicado.

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Ver todasO objetivo do presidente Lula com o telefonema era obter o aval do republicano para a retomada das negociações sobre o tarifaço, o que foi alcançado. Logo após a conversa, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, entrou em contato com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e os dois combinaram de realizar uma reunião por videoconferência na próxima semana para discutir as taxas.
O diálogo entre EUA e Brasil sobre as tarifas estava parado desde o mês passado, quando duas investigações comerciais do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) resultaram na imposição de tarifas adicionais de 25% e 12,5% ao Brasil – para exportações afetadas por ambas, portanto, a taxa pode chegar a 37,5% .
O país norte-americano acusa o Brasil e outras 59 economias de não combater adequadamente o trabalho forçado em determinadas cadeias produtivas. A tarifa de 25%, por sua vez, é direcionada especificamente ao país e aponta supostas práticas comerciais desleais executadas pelo governo brasileiro.
O governo Lula sustenta que a motivação do governo dos EUA com a taxação é meramente política, já que o país possui superávit econômico com o Brasil.



