Cadeias de SP recebem armas e tecnologias do sistema penitenciário federal
Sistema prisional federal investe mais de R$ 34 milhões em equipamentos e tecnologias para cadeias de SP. Foco é combater o crime organizado

São Paulo — Cadeias de São Paulo estão entre as 138 unidades prisionais de todo o país que vão receber, até o fim do ano, armamentos e tecnologias do sistema penitenciário federal.
O compartilhamento desses equipamentos é uma estratégia da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) para reforçar a segurança dessas prisões, fortalecendo as polícias penais estaduais e reduzindo a capacidade de atuação das organizações criminosas dentro e fora dos presídios, destacou a pasta.
“Todos esses investimentos são nesse sentido de fortalecer esses estabelecimentos penais, elevar o padrão de segurança dessas unidades penais, de fortalecer também com equipamentos, com tecnologia, as inteligências penitenciárias”, afirmou Antônio Glautter de Azevedo Morais, diretor de inteligência da Senappen, em entrevista ao Metrópoles.
Segundo a secretaria, a iniciativa está estruturada em três eixos:
- Inteligência e operações: fortalecimento das ações de inteligência penal e realização de operações para identificar e apreender materiais ilícitos, combater comunicações criminosas e ampliar o controle das unidades prisionais;
- Modernização tecnológica: investimentos em equipamentos de segurança, como scanners corporais, aparelhos de raio-X, drones, georradares, kits de varredura e viaturas, para melhorar a fiscalização e a segurança dos estabelecimentos;
- Capacitação dos profissionais: formação e aperfeiçoamento dos policiais penais, com treinamentos técnicos e adoção de procedimentos de segurança baseados na experiência do sistema penitenciário federal.
A secretaria não informa quantas e nem quais unidades prisionais foram selecionadas em São Paulo por motivos de segurança, mas divulgou que são, ao todo, 38 prisões no sudeste do país. Outras 45 estão no nordeste; 23 no norte; 17 no sul e 15 no centro-oeste. A escolha se deu a partir de análises técnicas e critérios de inteligência penal.
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Ao Metrópoles, a Senappen detalhou quais os investimentos, equipamentos, capacitações e operações da secretaria nas penitenciárias de São Paulo. O investimento total está estimado em pouco mais de R$ 34 milhões.
Veja lista de equipamentos enviados para as unidades prisionais:
- 15 aparelhos de raio-X 60 × 40: utilizados para inspecionar bolsas, encomendas e outros objetos, auxiliando na identificação de materiais proibidos;
- 45 veículos-cela, com e sem proteção balística: destinados ao transporte seguro de pessoas privadas de liberdade;
- 15 aparelhos de raio-X 100 × 100: permitem a inspeção de volumes maiores, sem necessidade de abrir os objetos;
- 15 scanners corporais (BodyScan): realizam inspeções corporais por imagem, auxiliando na identificação de objetos ocultos;
- 45 detectores de metal tipo raquete: equipamentos portáteis utilizados nas revistas para localizar objetos metálicos;
- 15 pórticos detectores de metal: instalados em áreas de acesso para identificar objetos metálicos durante a passagem de pessoas.
O investimento total está previsto em R$ 23.197.778,85, e os equipamentos devem reforçar o controle da entrada de pessoas e materiais nas cadeias paulistas. Assim, contribuem para prevenir a circulação de objetos proibidos e ampliam a segurança nas unidades prisionais.
Veja os equipamentos enviados para a Agência de Inteligência Estadual:
- 3 kits de varredura: conjuntos de equipamentos tecnológicos utilizados em inspeções para identificar dispositivos eletrônicos e auxiliar na localização de materiais ocultos;
- 3 drones: permitem o monitoramento aéreo das unidades prisionais e de seus perímetros de segurança;
- 1 georradar: equipamento que utiliza ondas eletromagnéticas para identificar alterações e estruturas abaixo da superfície, auxiliando na localização de possíveis túneis e escavações;
- 3 aparelhos de raio-X portáteis: utilizados para inspecionar objetos e estruturas em locais que exigem equipamentos móveis;
- 15 soluções de áudio e vídeo: sistemas tecnológicos destinados à captação, ao registro e ao acompanhamento de informações audiovisuais, conforme a finalidade de cada equipamento.
O investimento total está previsto em R$ 10.845.155,44, e os equipamentos devem ampliar a capacidade de inteligência, monitoramento e identificação de situações de risco, contribuindo para prevenir fugas, localizar materiais ilícitos e apoiar operações de segurança penitenciária, destacou a Senappen.

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Ver todasAté 21 de outubro, já haviam sido entregues três dones, 45 detectores de metal tipo raquete, três kits de varredura e um georradar.
A parceria entre o sistema federal e o estadual prevê ainda capacitações para os policiais penais paulistas, entre 9 e 13 de novembro. O treinamento, inicialmente para 30 agentes, busca capacitá-los para o uso dos equipamentos de varredura eletrônica, utilizados para identificar dispositivos e materiais proibidos nas unidades prisionais.
Combate ao crime organizado
Estão presos no sistema penitenciário federal os detentos considerados de alta periculosidade, como líderes de facções criminosas.
É o caso, por exemplo, de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), detido em Brasília, e Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, acusado de ser chefe máximo do Comando Vermelho (CV), e detido em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Ele, aliás, é o único preso que já conheceu todas as cinco unidades penitenciárias federais do país.
O alto nível de segurança desses estabelecimentos prisionais busca sufocar a gestão de organizações criminosas e, ao mesmo tempo, fornecer informações importantes para o combate a estes grupos.
“O sistema penitenciário hoje é a maior fonte de informação para a segurança pública. Você tem como obter dados de várias formas numa investigação tradicional, mas a maior fonte de informação para investigação e inteligência é o sistema penitenciário”, destacou Glautter.
No âmbito dos presídios estaduais, onde há relatos de surgimento e crescimento de facções, caso do PCC em São Paulo, a integração com as tecnologias e metodologias federais pode contribuir para o sufocamento destes grupos criminosos.
“Ter um sistema penitenciário controlado, monitorado, com a inteligência penitenciária fortalecida por tecnologia e com a Lei Antifacção, que prevê o monitoramento de parlatórios, são medidas que vêm a fortalecer o combate ao crime organizado”, afirmou o diretor.
