"Bairro da prostituição" é alvo de operação de polícias e MP em SP
Operação Submundo mobilizou cerca de 90 agentes para combater crimes no bairro Jardim Itatinga, em Campinas

As Polícias Civil, Militar e a Guarda Civil Municipal de Campinas, em parceria com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), deflagraram, no final da tarde desta quinta-feira (20/8), uma operação no Jardim Itatinga, que ficou conhecido pela população como “bairro da prostituição” em Campinas, no interior paulista.
Batizada de Operação Submundo, a ação ocorreu na região conhecida pela exploração sexual e incidência de outros crimes. O objetivo, segundo a Polícia Civil, foi de combater crimes contra a dignidade sexual, extorsão, falsificação e adulteração de bebidas e alimentos, além do tráfico de drogas e a exploração de jogos de azar.
Também auxiliaram na ação a Vigilância Sanitária de Campinas e agentes da Associação Brasileira de Bebidas.
Segundo o relatório divulgado pelas autoridades, mais de 20 estabelecimentos foram fiscalizados, com vários deles terminando interditados em função das condições encontradas.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPA polícia também descobriu adulteração de bebidas e comercialização de medicamentos em estabelecimentos não autorizados.

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O bairro Jardim Itatinga é um território isolado e cercado por rodovias em uma periferia de Campinas, e foi projetado para abrigar atividades ligadas à prostituição.
Não é modo de dizer: o espaço foi projetado de forma deliberada pelo próprio poder público na década de 1960, durante a Ditadura Militar. O objetivo, de concentrar em uma única área toda atividade relacionada à prostituição, era claro e persiste até hoje.
Entre as rodovias dos Bandeirantes e Santos Dumont, foram construídas diversas casas — de pequeno, médio e grande porte — para onde são atraídos homens e mulheres, trabalhadores ou clientes do sexo.
A “zona” surgiu inspirada no sistema regulamentarista francês, que via a prostituição como um “mal necessário”, a ser controlado e confinado. A intenção do distanciamento era de “higienizar” a cidade, mantendo seus valores e moral preservados.
Além do planejamento geográfico, a institucionalização da prostituição no território logo levou a regulamentações, como o fichamento das prostitutas na delegacia de polícia e exames ginecológicos obrigatórios para as trabalhadoras do sexo.
Em outras cidades do estado, como a capital paulista, essas práticas já haviam sido abolidas, mas foram adotadas pelo poder público de Campinas, se alinhando ao padrão de desenvolvimento urbano do município.












