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São Paulo

Após operação da PF, governo de SP suspende consignados do Digimais

Gestão Tarcísio havia liberado consignado pelo banco Digimais, de Edir Macedo, em 2025, quando instituição já tinha problemas financeiros

14/07/2026 02:30
Digimais/Reprodução
Imagem colorida mostra Banco Digimais e Edir Macedo. Metrópoles

O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) suspendeu a autorização para o Banco Digimais, do bispo Edir Macedo, de oferecer crédito consignado aos servidores do estado de São Paulo. A medida foi publicada no Diário Oficial poucos dias após uma operação da Polícia Federal (PF) atingir a instituição bancária.

Deflagrada no dia 23 de junho, a Operação Miragem determinou o bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados. Em 29 de junho, o secretário de Gestão e Governo Digital, Caio Maio Paes de Andrade, determinou a suspensão cautelar de novos créditos.

A decisão se baseou em legislação que define que podem haver sanções administrativas pelo governo em casos de “extrema urgência”.

Em junho de 2025, o mesmo Andrade autorizou o credenciamento do banco como consignatária e também para as categorias empréstimo bancário, cartão de benefício e cartão de crédito. Mais tarde naquele mesmo ano, foi publicada a autorização de empréstimos consignados a policiais militares de São Paulo. O acordo foi publicado em setembro de 2025 e abriu grande clientela em potencial ao banco, uma vez que, apenas em servidores ativos, a PM conta com mais de 80 mil agentes.

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Dois anos antes, a Secretaria da Fazenda havia indeferido pedido do banco para fornecer consignados. A postura mudou quando o assunto migrou de pasta, o que tem gerado munição da oposição contra a gestão Tarcísio de Freitas.

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Universal

O banco pertence ao bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal, que é ligada ao Republicanos, partido de Tarcísio. Na atual gestão, a igreja tem aprofundado suas conexões com a PM paulista.

Com desconto diretamente na folha de pagamento, o crédito consignado costuma ter juros menores do que os de mercado e ajuda a garantir mais liquidez aos bancos em momentos de crise. O acordo da PM paulista com o Digimais tinha validade até 2030.

Quando a autorização foi dada, o banco já enfrentava crise havia muito tempo. Meses antes, a venda do Digimais para o BlueBank, do empresário Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, havia sido anunciada.

A negociação não avançou, sob justificativa de piora do cenário econômico e resistência do Banco Central (BC). No início de abril, o BTG Pactual divulgou ao mercado que assinara acordo para a compra do Digimais.

Com o aumento da inadimplência na carteira de crédito durante a pandemia de Covid-19, o Digimais começou a passar por problemas. Relatórios de 2024 e 2025 apontaram alta inadimplência, o que corroeu o patrimônio e exigiu aportes recorrentes para evitar quebra técnica. O dinheiro veio do próprio Edir Macedo.

Em setembro de 2025, a instituição acumulava prejuízo de R$ 250 milhões – o rombo chegava a quase R$ 500 milhões em fevereiro deste ano.

O que diz o governo

O governo de São Paulo afirma que a atuação de instituições ocorre por meio de credenciamento público e que há mais de uma centena de pessoas jurídicas autorizadas a fazer este serviço. As condições são que as interessadas devem atender a requisitos objetivos de habilitação jurídica, regularidade fiscal e conformidade regulatória, sendo o credenciamento ato vinculado ao cumprimento dessas exigências, com publicação oficial.

“No âmbito desse sistema, estava o Digimais, que, na época da solicitação de credenciamento, atendeu a todos os requisitos exigidos, inclusive perante o Banco Central. A instituição representa uma parcela de 1,57% do total em operações do Estado realizadas mensalmente (valores referentes à competência de maio de 2026)”, diz o governo.