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Alagamento no Jardim Pantanal relembra momento de crise na gestão Tarcísio

Chuva forte às vésperas da eleição retomou críticas da população às enchentes no Jardim Pantanal que, em 2025, passou dias inundado

14/09/2026 02:15
Reprodução / Redes sociais
Alagamento no Jardim Pantanal relembra momento de crise na gestão Tarcísio

As fortes chuvas que atingiram o estado de São Paulo nos últimos três dias e alagaram o Jardim Pantanal, na zona leste da capital paulista, relembraram um dos momentos de crise da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) neste mandato.

Em 2025, o bairro localizado na várzea do Rio Tietê passou dias inundado. A água entrou nas casas e moradores ficaram desabrigados. As ruas pareciam rios e a população improvisou barcos para se locomover de um ponto a outro da região.

O cenário caótico colocou sob pressão a Prefeitura de São Paulo, comandada pelo aliado de Tarcísio, Ricardo Nunes (MDB), e também o governo estadual. Responsável pelo Rio Tietê, o Estado foi cobrado por moradores indignados com a situação à época.

Quando a inundação no bairro completou cinco dias, Nunes e Tarcísio deram uma coletiva de imprensa. No evento, disseram que não era possível estabelecer um prazo para resolver de forma permanente o problema das enchentes no bairro, historicamente afetado nos momentos de cheia do rio.

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“Existe uma complexidade, vamos tentar construir a melhor solução de engenharia com todo senso de urgência que é necessário. […] Qual é o prazo? Eu não sei”, disse Tarcísio aos jornalistas, no dia 4 de fevereiro de 2025.

Em entrevistas, moradores se diziam abandonados e criticavam a falta de respostas.  Tarcísio também chegou a dizer que as propostas da prefeitura para o tema o deixaram “com dúvidas”.

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Moradores relatam a presença de cobras e ratos em enchente no Jd. Pantanal em 2025
Rua alagada no Jardim Pantanal, em São Paulo, em 2025
Ilhada no Jardim Pantanal: menina é levada a UPA em colchão inflável
Homem afunda em córrego ao tentar atravessar ponte encoberta pela água nas proximidades da Rua Beira-Rio, no Jardim Pantanal, zona leste de São Paulo
Córrego no Jardim Pantanal, na zona leste de São Paulo
Moradores do Jd. Pantanal se ajudam após enchente em 2025
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Moradores do Jd. Pantanal se ajudam após enchente em 2025

William Cardoso/ Metrópoles
Moradores relatam a presença de cobras e ratos em enchente no Jd. Pantanal em 2025
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Moradores relatam a presença de cobras e ratos em enchente no Jd. Pantanal em 2025

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Rua alagada no Jardim Pantanal, em São Paulo, em 2025
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Rua alagada no Jardim Pantanal, em São Paulo, em 2025

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Ilhada no Jardim Pantanal: menina é levada a UPA em colchão inflável
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Ilhada no Jardim Pantanal: menina é levada a UPA em colchão inflável

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Homem afunda em córrego ao tentar atravessar ponte encoberta pela água nas proximidades da Rua Beira-Rio, no Jardim Pantanal, zona leste de São Paulo
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Homem afunda em córrego ao tentar atravessar ponte encoberta pela água nas proximidades da Rua Beira-Rio, no Jardim Pantanal, zona leste de São Paulo

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Córrego no Jardim Pantanal, na zona leste de São Paulo
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Córrego no Jardim Pantanal, na zona leste de São Paulo

William Cardoso/Metrópoles

Mais tarde, o problema das enchentes viraria assunto de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara de Vereadores. Os dois chefes do Executivo paulista teriam pressionado vereadores paulistanos para barrar a implantação da comissão, mas, após ordem judicial, a CPI acabou instalada.

Em maio daquele ano, o prefeito e o governador anunciaram juntos um projeto para o bairro: a remoção de 4,3 mil imóveis e a construção de uma barreira próxima ao rio para impedir que o terreno fosse novamente ocupado.

Obras de micro e macrodrenagem seriam feitas na região, com o intuito de melhorar o escoamento da água. O projeto teve custo estimado em R$ 700 milhões, com investimentos feitos em conjunto pela prefeitura e o governo estadual.

Problema continua

Um ano e meio depois dos episódios de 2025, os alagamentos no bairro voltaram a ocupar os jornais, desta vez em meio à campanha do governador para um novo mandato. Os vídeos de moradores com as casas inundadas se espalharam nas redes e as críticas da população foram retomadas.

“Isso é revoltante, gente. No ano passado, eu perdi tudo. E agora de novo?”, desabafou a líder comunitária Maria das Graças. Além da casa dela, a água entrou também na sede da Associação das Mães do Jardim Pantanal, que ela preside.

O projeto de remoções anunciado por Nunes e Tarcísio em 2025 ainda está em andamento. A prefeitura diz que intensificou as ações de zeladoria e prevenção no Jardim Pantanal e entorno.

“A região também recebe ações do Plano Recupera Pantanal, com investimento de R$ 59,8 milhões em novas galerias para ampliar a capacidade do sistema de drenagem, além da pavimentação de 10,4 km de vias. Também está em andamento a construção de um muro de gabião, estrutura de contenção e proteção do território, ao longo de aproximadamente 845 metros das margens do Rio Tietê, para evitar novas ocupações em áreas de proteção ambiental e facilitar o monitoramento e a fiscalização do local”, afirmou a gestão Nunes em nota.

O governo Tarcísio diz que já retirou mais de 371,9 mil metros cúbicos de sedimentos do Rio Tietê na região do Jardim Pantanal, em um investimento de R$ 55,8 milhões para ampliar a capacidade de escoamento do rio e reduzir os impactos das cheias no local.

“A região do Jardim Pantanal está inserida na várzea do Alto Tietê e historicamente registra episódios de inundação em períodos de chuvas volumosas. Por isso, o Estado atua em diferentes frentes, que incluem desassoreamento, intervenções na calha do Tietê, estruturas de controle de cheias, além de ações de monitoramento e planejamento hídrico”, diz a gestão.

As enchentes no Jardim Pantanal costumam acontecer na época do verão, quando a chuva é mais intensa. A tempestade dos últimos dias, considerada pela Defesa Civil um evento climático extremo, mostra que as mudanças climáticas podem tornar a situação mais comum também em outras épocas do ano.

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Prioridade de governo

Tarcísio elencou a resiliência climática e a recuperação do Rio Tietê como uma das prioridades para um eventual novo mandato. Impulsionado pelo bolsonarismo em São Paulo, em 2022, ele tem se oposto ao seu presidenciável, Flávio Bolsonaro (PL), quando o assunto é o aquecimento global.

Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, em agosto, Flávio foi questionado se acreditava ou não no aquecimento global e respondeu que não concordava com a ideia de que as mudanças climáticas eram influenciadas por atos humanos, apesar das várias evidências científicas sobre o assunto.

“O que acontece hoje é que são eventos climáticos que são extremos. Excesso de calor, excesso de chuva, excesso de seca. Eu acredito que são efeitos cíclicos”, disse Flávio, defendendo o investimento em saneamento básico como forma de enfrentar o problema das mudanças climáticas.

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Cabo eleitoral de Flávio no estado, Tarcísio promete em seu plano de governo, por outro lado, investir R$ 25 bilhões em ações de adaptação e resiliência climática para reduzir riscos e mitigar os impactos de eventos extremos. Em agendas, o governador tem falado com frequência sobre projetos para combater a seca no estado, em meio às constantes ameaças de uma crise hídrica.

Secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e coordenadora do plano de governo de Tarcísio, Natália Resende diz que a campanha se baseia na ciência para pensar projetos.

“A gente tem uma visão e um posicionamento muito técnico, baseado em dados, em evidências, em pesquisa”, afirma Natália. Ao Metrópoles, a secretária disse que a ideia da gestão é fazer “ações estruturantes” no estado e não ficar “enxugando gelo” como outras gestões teriam feito, segundo ela.

Natália afirma que o governo tem conversado com universidades para pensar em soluções voltadas à resiliência climática e hídrica no estado. Em eventual novo mandato, diz a secretária, o tema será um dos focos da gestão.