Alagado há 4 dias, Jd. Pantanal se mobiliza para distribuir água e comida
Região na várzea do Rio Tietê está alagada desde sábado (12/9), quando iniciou sequência de dias chuvosos em São Paulo

Moradores do Jardim Pantanal, no extremo leste da cidade de São Paulo, estão há quase quatro dias debaixo d’água. Localizado na várzea do Rio Tietê, o bairro enfrenta um alagamento desde sábado (12/9), após grandes volumes de chuva atingirem a capital paulista.
“A coisa aqui está muito feia. A água não abaixa nem um pouco. As pessoas perderam tudo o que tinham”, afirmou Sirlange Novaes ao Metrópoles. “Está bem difícil a situação. A gente está ilhado, precisando de doações”, disse a líder comunitária Vanessa Moreira. Segundo os relatos, moradores e voluntários se mobilizaram para distribuir água potável e comida para quem não consegue sair de casa.
A Prefeitura de São Paulo informou que distribuiu mais de 11 mil itens de insumos, como cestas básicas e kits de higiene, para 1.051 famílias. A Escola Estadual Cristina de Castro Paes recebeu 17 pessoas provisoriamente em abrigo improvisado.
Problema continua, soluções demoram
Um ano atrás, o Jardim Pantanal passou dias inundado. A água entrou nas casas e moradores ficaram desabrigados. As ruas pareciam rios e a população improvisou barcos para se locomover de um ponto a outro da região.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP“Isso é revoltante, gente. No ano passado, eu perdi tudo. E agora de novo?”, desabafou a líder comunitária Maria das Graças. Além da casa dela, a água entrou também na sede da Associação das Mães do Jardim Pantanal, que ela preside.
O problema das enchentes virou assunto de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara de Vereadores após ordem judicial. Em maio de 2025, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciaram juntos um projeto para o bairro: a remoção de 4,3 mil imóveis e a construção de uma barreira próxima ao rio para impedir que o terreno fosse novamente ocupado.
Obras de micro e macrodrenagem seriam feitas na região, com o intuito de melhorar o escoamento da água. O projeto teve custo estimado em R$ 700 milhões, com investimentos feitos em conjunto pela prefeitura e o governo estadual. As remoções ainda estão em andamento.
A prefeitura diz que intensificou as ações de zeladoria e prevenção no Jardim Pantanal e entorno. “A região também recebe ações do Plano Recupera Pantanal, com investimento de R$ 59,8 milhões em novas galerias para ampliar a capacidade do sistema de drenagem, além da pavimentação de 10,4 km de vias. Também está em andamento a construção de um muro de gabião, estrutura de contenção e proteção do território, ao longo de aproximadamente 845 metros das margens do Rio Tietê, para evitar novas ocupações em áreas de proteção ambiental e facilitar o monitoramento e a fiscalização do local”, afirmou a gestão Nunes em nota.
O governo Tarcísio diz que já retirou mais de 371,9 mil metros cúbicos de sedimentos do Rio Tietê na região do Jardim Pantanal, em um investimento de R$ 55,8 milhões para ampliar a capacidade de escoamento do rio e reduzir os impactos das cheias no local.
“A região do Jardim Pantanal está inserida na várzea do Alto Tietê e historicamente registra episódios de inundação em períodos de chuvas volumosas. Por isso, o Estado atua em diferentes frentes, que incluem desassoreamento, intervenções na calha do Tietê, estruturas de controle de cheias, além de ações de monitoramento e planejamento hídrico”, diz a gestão.









