Advogados e corretor são presos em esquema de fraude com imóveis
Operação do MPSP mira grupo que se apropriava de imóveis usando pessoas vulneráveis, sem seu conhecimento, em ações de usucapião

Dois advogados e um corretor de imóveis foram presos durante operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), nesta quinta-feira (13/8). O foco da investigação é um estruturado esquema de fraudes que consistia na apropriação fraudulenta de imóveis no interior de São Paulo.
Segundo o MPSP, o grupo investigado usava pessoas vulneráveis, que sequer tinham conhecimento do esquema, para dar aparência de legalidade a ações de usucapião e despejo ajuizadas. As prisões foram feitas com apoio do 1° e 10° Batalhão de Ações Especiais (Baep) da Polícia Militar.
A Justiça decretou a prisão temporária de três investigados e emitiu quatro ordens judiciais de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos, entre eles residências e imóveis comerciais.
Como o grupo agia
Promotores do Gaeco apuraram que o trio tomava posse de imóveis considerados “de interesse” a partir da fabricação de documentos falsos e o uso de laranjas. Pessoas em situação de vulnerabilidade eram escolhidas e tinham os dados colhidos para, assim, os suspeitos ajuizarem ações judiciais em seu nome, mas sem o seu conhecimento.
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Ver todasSegundo a investigação, as ações na Justiça eram de usucapião e despejo. Os processos movidos davam aparência de legalidade ao esquema, o que permitia que o grupo se apropriasse dos imóveis. Além disso, os suspeitos manipulavam cadastros públicos e de concessionárias de serviço para garantir que o esquema não fosse descoberto. Em alguns casos, conforme apurado pelos promotores, os suspeitos intimidavam os legítimos proprietários.
Os promotores e policiais do Baep apreenderam documentos, celulares, computadores, entre outras mídias digitais, que vão ser analisados para identificar outros envolvidos e vítimas do esquema criminoso.
Divisão de tarefas
Os dois advogados e o corretor de imóveis presos desempenhavam funções específicas nas fraudes. Segundo o Gaeco, o papel do corretor era o de identificar e direcionar os melhores imóveis, além de escolher pessoas vulneráveis para serem laranjas. Ele também fazia com que a pessoa assinasse documentos falsificados sem o devido conhecimento do que seria.
Já os advogados envolvidos no esquema entravam em cena para dar “legalidade jurídica” à fraude. Eles conduziam as ações de usucapião e de despejo e viabilizavam a transferência forçada da posse e da propriedade dos imóveis. A investigação apura oferecimento de vantagens a testemunhas para que estas confirmassem a versão dos falsários à Justiça.
Os presos vão responder pelos crimes de falsificação de documento público e particular, falsidade ideológica, uso de documento falso, estelionato, fraude processual, ameaça, extorsão e associação criminosa.



