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Israel encerra eleição sem maioria e abre disputa por novo governo

Com resultado indefinido, partidos terão que negociar alianças para formar uma coalizão capaz de garantir maioria no Parlamento israelense

01/11/2026 04:30
Otavio Augusto/ Arte Metrópoles
Israel encerra eleição sem maioria e abre disputa por novo governo

As eleições parlamentares de Israel terminaram, mas o país ainda não tem um novo governo definido. O resultado final da apuração, divulgado nessa quinta-feira (29/10), confirmou a perda da maioria do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e de seus aliados no Knesset, o Parlamento israelense.

Nenhum dos blocos políticos conseguiu alcançar as 61 cadeiras necessárias para formar uma maioria, o que abre caminho para semanas de negociações e um possível impasse político.

O bloco de Netanyahu conquistou 53 dos 120 assentos do Parlamento, enquanto o principal grupo de oposição, liderado pelo ex-chefe militar Gadi Eisenkot, ficou com 48. As outras 19 cadeiras foram conquistadas por partidos que representam a minoria árabe-israelense, que ampliou sua presença no Legislativo em relação às eleições de 2022.

Com o resultado, a definição do próximo primeiro-ministro dependerá da capacidade dos partidos de construir alianças. Em Israel, a população não escolhe diretamente o chefe de governo. Os eleitores votam em listas partidárias, e o comando do país fica com o líder que conseguir reunir apoio suficiente no Parlamento para formar uma coalizão.

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Tanto Netanyahu, que governou Israel por mais de 19 anos em mandatos intercalados, quanto Eisenkot afirmaram que pretendem tentar formar um governo. O resultado, no entanto, deixou diferentes possibilidades em aberto e nenhuma composição política consolidada.

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Gadi Eisenkot, político israelense de oposição a Netanyahu
Votação em Israel
Partido de Netanyahu acusa partidos árabes de "roubo" na eleição em Israel
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Partido de Netanyahu acusa partidos árabes de "roubo" na eleição em Israel

Maayan Toaf/Governo de Israel
Gadi Eisenkot, político israelense de oposição a Netanyahu
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Gadi Eisenkot, político israelense de oposição a Netanyahu

Reprodução/X
Votação em Israel
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Votação em Israel


O que acontece agora?

  • O presidente israelense, Isaac Herzog, terá uma semana para ouvir os partidos eleitos e receber indicações sobre quem deve tentar formar o novo governo.
  • Após as consultas, Herzog escolherá quem considerar mais capaz de reunir apoio no Parlamento. O indicado não precisa ser o líder do partido com mais cadeiras.
  • O candidato escolhido terá 28 dias para negociar e formar uma coalizão. O prazo poderá ser prorrogado por mais 14 dias.
  • Se a primeira negociação fracassar, Herzog poderá indicar outro candidato, que terá 28 dias para formar o governo, sem possibilidade de prorrogação.
  • Caso a segunda tentativa também não avance, os deputados terão 21 dias para apresentar um nome que reúna o apoio de pelo menos 61 parlamentares. O candidato terá mais 14 dias para concluir as negociações.
  • Se nenhuma das tentativas resultar na formação de um governo, o Parlamento será dissolvido e novas eleições serão convocadas.
  • O presidente já afirmou que pretende fazer o possível para evitar uma nova eleição e viabilizar a formação de uma coalizão.

Partidos árabes podem ser decisivos

Um dos principais resultados da eleição foi o avanço dos partidos árabe-israelenses, que conquistaram 19 cadeiras, quatro a mais do que no pleito de 2022. As siglas podem desempenhar um papel decisivo na formação do próximo governo, já que seus votos podem ajudar a oposição a alcançar a maioria parlamentar.

O líder da coalizão árabe de esquerda Joint List, Yousef Jabareen, defendeu uma aproximação com os partidos de oposição para encerrar o governo Netanyahu. Para ele, a eleição representa uma oportunidade de construir uma nova liderança baseada na parceria entre judeus e árabes.

O principal obstáculo, porém, é a resistência de parte da oposição a uma aliança com os parlamentares árabes. O grupo liderado por Eisenkot reúne políticos de diferentes correntes ideológicas, incluindo representantes da direita que rejeitam qualquer composição com essas siglas.

O líder do principal partido de esquerda israelense, Yair Golan, foi um dos primeiros integrantes da oposição a defender publicamente a união. Centenas de israelenses também organizaram protestos para pressionar os partidos a negociar com a minoria árabe.

Outra possibilidade seria a formação de um governo minoritário de Eisenkot, sustentado pelos parlamentares árabes sem que eles participassem formalmente da coalizão. A alternativa, no entanto, é considerada politicamente frágil.

Netanyahu pode continuar no cargo

Apesar de ter perdido a maioria parlamentar, Netanyahu não deixa o cargo imediatamente. Até que um novo governo seja formado e receba o voto de confiança do Parlamento, ele continuará como primeiro-ministro interino.

A permanência permite que o atual governo mantenha a administração do país durante as negociações. No entanto, decisões importantes, como determinadas nomeações e medidas que não sejam urgentes, ficam sujeitas a restrições impostas pela jurisprudência da Suprema Corte e por orientações da Procuradoria-Geral.

O impasse também pode abrir espaço para uma tentativa de Netanyahu de atrair integrantes da oposição para uma nova coalizão. Entre os possíveis interlocutores estão antigos aliados da direita, como Naftali Bennett e Avigdor Lieberman, que, apesar de compartilharem posições nacionalistas, já prometeram não se aliar ao atual primeiro-ministro.

A possibilidade de uma aproximação também enfrenta obstáculos relacionados aos partidos ultraortodoxos, aliados históricos de Netanyahu, especialmente por causa das divergências sobre as isenções do serviço militar.

Eleição foi marcada por acusações de fraude

O pleito foi o primeiro desde os ataques do Hamas, em 7 de outubro de 2023, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza. O resultado também foi tratado por diferentes setores como uma avaliação da gestão de Netanyahu, alvo de críticas pela condução do conflito e por acusações de enfraquecimento das instituições democráticas.

Antes da divulgação dos números finais, Netanyahu e integrantes do Likud, seu partido, levantaram suspeitas de interferência estrangeira na votação, com possíveis benefícios aos partidos árabes. O Catar foi citado nas acusações, mas negou qualquer participação.

A comissão eleitoral israelense informou que encaminhou suspeitas de interferência ao serviço de inteligência Shin Bet. O órgão, porém, afirmou que a investigação não tinha como objetivo levantar suspeitas sobre a comunidade árabe-israelense. A comissão também declarou que as alegações de violações sistemáticas da integridade eleitoral não tinham fundamento.

O resultado oficial ainda deverá ser certificado e encaminhado ao presidente Isaac Herzog em 4 de novembro. Até lá, o país segue sem uma definição sobre quem comandará o próximo governo e com a possibilidade de permanecer sob uma administração interina até a conclusão das negociações.