Projeto para idosos do RJ tinha unidades em igreja ligada a ex-secretário
Projeto foi criado por Alexandre Isquierdo, deputado de Silas Malafaia que era secretário de Envelhecimento. Ambos negam irregularidades

O Projeto Reabilita 60+, criado em 2023 pelo pelo ex-secretário de Juventude e Envelhecimento Saudável Alexandre Isquierdo tem pelo menos 10 núcleos funcionando dentro de igrejas evangélicas, cinco são em Assembleias de Deus Vitória em Cristo (Advec), comandadas por Silas Malafaia. O programa foi suspenso em agosto por irregularidades como pagamentos antecipados sem entregas e estruturas administrativas duplicadas.
A Secretaria Intergeracional de Juventude e Envelhecimento foi extinta pelo governador interino Ricardo Couto em agosto deste ano e integrada à Secretaria de Direitos Humanos. A pasta era comandada, de 2023 até o início de 2023, por Alexandre Isquierdo, candidato do PL apoiado pelo pastor Silas Malafaia e eleito para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) usando o nome do pastor. Isquierdo nega qualquer favorecimento.
Cinco polos do Reabilita 60+ acontecem dentro de Assembleias de Deus Vitória em Cristo (Advec). Silas Malafaia é o presidente da denominação, da qual o ex-secretário de Juventude e Envelhecimento faz parte. As igrejas anunciam o programa em suas redes sociais como uma iniciativa da congregação em parceria com o governo.
À coluna, o deputado Alexandre Isquierdo disse que os locais escolhidos tiveram um estudo técnico e ressaltou que, na primeira fase da implementação do programa, nenhum polo funcionava nas Assembleias de Deus Vitória em Cristo. Isquierdo disse também que a parceria entre o poder público e igrejas “são normais” e que o projeto é feito para qualquer idoso e não apenas os que frequentam as igrejas.
Em nota à coluna, o pastor Silas Malafaia disse que, assim como todos os espaços em que funcionavam núcleos do Reabilita 60+, a igreja Advec cede os espaços para o programa. O pastor afirmou que a igreja tem custos de luz e água com o projeto e que não atende apenas integrantes de sua igreja, mas das comunidades locais.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO governo do Rio de Janeiro realizou uma visita técnica, na última semana, em uma igreja batista onde haveria um polo do projeto Reabilita 60+, mas encontrou o local em obra. Um documento obtido pela coluna mostra que a igreja estava fechada, “sem qualquer atividade” e que não havia profissionais do projeto social no local. O Reabilita 60+ recebeu, entre novembro de 2023 e agosto de 2026, R$ 115 milhões.
Duas organizações da sociedade civil são responsáveis pela execução do programa: o Instituto Novas Atitudes Transformam o Amanhã (Instituto NATA) e a ONG Contato, Centro de Pesquisas e de Ações Sociais e Culturais (CPASC). As entidades foram contratadas pela Secretaria Intergeracional de Juventude e Envelhecimento Saudável (Seijes) para implantar 225 polos de atendimento a pessoas com mais de 60 anos. Uma auditoria do governo estadual apontou que boa parte dos recursos foi liberada antes da existência efetiva de qualquer unidade.
O site do Reabilita 60+ informa que o projeto possui 200 polos distribuídos pelo Rio de Janeiro, com maior concentração nas zonas Norte e Oeste da capital. Idealizado por Alexandre Isquierdo, o programa mantém 1o unidades em igrejas evangélicas.
A Secretaria de Direitos Humanos instaurou, em 24 de setembro, uma sindicância para investigar os contratos e a execução do Reabilita 60+. A apuração conta com a participação da Controladoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (CGE-RJ) e do Tribunal de Contas fluminense.
Em resposta à coluna, a Secretaria de Direitos Humanos do governo do Rio afirmou que a definição dos locais onde os polos do Reabilita 60+ funcionariam ficou a cargo da extinta Secretaria Intergeracional de Juventude e Envelhecimento Saudável (Seijes).
“O atual governo realizou, por meio da Casa Civil, uma auditoria onde foram identificados indícios de irregularidades na execução das parcerias, o que ocasionou a suspensão cautelar de repasses financeiros. Foi instaurada sindicância, e determinada tomada de contas. A Secretaria reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a correta aplicação dos recursos públicos. Assim como, a apuração dos fatos e responsabilidade pelos atos praticados”, disse.

















