Prefeitura do Rio contrata por R$ 4 milhões mais uma ONG alvo da CGU
A CGU afirmou que o Instituto Realizando Futuro "não possui capacidade técnica" nem comprovou o destino de emendas para projetos

A Secretaria de Esportes da Prefeitura do Rio de Janeiro contratou, de forma emergencial, por R$ 4 milhões, o Instituto Realizando Futuro (IRF), que foi alvo de auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU). A parceria foi publicada no dia 1° de junho, no Diário Oficial da Prefeitura.
Em auditoria realizada em novembro de 2025, a CGU afirmou que o IRF “não possui capacidade técnica e operacional para a adequada execução dos projetos” relativos a emendas parlamentares.
Para chegar a essa conclusão, a auditoria aponta que a estrutura física da entidade é insuficiente, os planos de trabalho não têm metas claras e a experiência prévia para desempenhar as tarefas não ficou comprovada.
Além disso, foi identificada despesa de R$ 2,5 milhões “não revertida” a um projeto bancado com emenda de R$ 8,3 milhões.
A coluna revelou, em maio, que a prefeitura havia firmado contrato de R$ 6 milhões com o Instituto de Proteção das Garantias Individuais e Assistência Social (IPGIAS). A organização também foi alvo da CGU por irregularidades no uso de emendas parlamentares. Após a reportagem, a Prefeitura do Rio cancelou o contrato com a entidade.
O contrato entre a Secretaria Municipal de Esportes e o Instituto Realizando Futuro foi firmado de forma emergencial, ou seja, sem licitação. A ONG receberá R$ 4 milhões para administrar a Vila Olímpica Dias Gomes, em Deodoro, bairro da zona oeste da cidade. A pasta é controlada pelo secretário Bruno Ramos.
À coluna, a pasta disse que foi obrigada a romper o contrato com a organização social Instituto Fairplay, que era responsável pela gestão da Vila Olímpica Dias Gomes. A razão do rompimento foi a “indisponibilidade financeira e os processos trabalhistas da organização”.
Por esse motivo, a Secretaria de Esportes contratou, de forma emergencial, o Instituto Realizando Futuro, “para garantir a continuidade das atividades na Vila Olímpica”. A parceria tem duração de 12 meses. A pasta não se posicionou quanto aos resultados da auditoria feita pela CGU.
“A contratação em caráter emergencial do Instituto Realizando o Futuro tem como objetivo manter os serviços do equipamento público, sem prejuízo à população. A Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (SMEL) foi obrigada a interromper o contrato com a organização social Instituto Fair Play, que era responsável pela gestão do equipamento, devido à indisponibilidade financeira e dos processos trabalhistas da organização.
Com base na Lei nº 14.133/2021, a SMEL contratou outra entidade devidamente qualificada, para garantir a continuidade das atividades na Vila Olímpica. O contrato de gestão emergencial foi pactuado em R$4.364.301,94 para o período de 12 meses, compatível e proporcional ao contrato anteriormente vigente, que previa R$7.957.393,05 para 24 meses.
O descumprimento contratual será submetido à Procuradoria Geral do Município, órgão responsável por aplicar para as devidas sanções contra o Instituto Fair Play. A SMEL prepara um novo processo seletivo para a contratação da futura empresa após o término do contrato emergencial”, disse a pasta em nota.









