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Mirelle Pinheiro

Militar do Exército é liberado após ser flagrado com arma de Bolsonaro

Em depoimento, o militar afirmou que havia retirado o armamento para realizar um reparo no percussor, após constatar uma pane mecânica

16/06/2026 08:33, atualizado 16/06/2026 12:42
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BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Ex-presidente Jair Bolsonaro fala sobre a decisão do STF 1 turma que o tornou réu por suposta tentativa de golpe de Estado após eleições de 2022 Metrópoles

Um sargento do Exército Brasileiro, identificado como Estácio Leite da Silva Filho, foi liberado após prestar depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal por estar na posse de uma arma registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro, conforme revelou a coluna.

O militar foi abordado durante uma blitz da Polícia Militar na região do Pistão Norte, em Taguatinga, e conduzido à 21ª Delegacia de Polícia para esclarecimentos. Apesar de não ter sido preso em flagrante, a pistola permaneceu apreendida e o caso segue sob investigação.

Segundo o registro da ocorrência, o militar se identificou como integrante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e informou aos policiais que a arma pertencia a Bolsonaro. O GSI, no entanto, afirmou que não realiza a segurança de ex-presidentes. Segundo eles, o GSI oferece apenas a capacitação e a avaliação de servidores e de condutores de veículos, que integram a segurança dos ex-Presidentes da República.

Em depoimento, ele afirmou que havia retirado o armamento para realizar um reparo no percussor, após constatar uma pane mecânica. De acordo com sua versão, o serviço seria concluído e a pistola, devolvida ao ex-presidente no dia seguinte.

O fato chamou a atenção dos investigadores porque o armamento estava registrado em nome de Bolsonaro, mas se encontrava sob a posse de um terceiro no momento da abordagem.

A Polícia Civil apura se houve alguma irregularidade relacionada à guarda, ao transporte ou à transferência temporária da arma. A documentação apresentada pelo militar também será analisada no curso da investigação.

Prisão domiciliar

O episódio ocorre enquanto Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por organização criminosa armada, golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado.

A prisão domiciliar foi autorizada após Bolsonaro desenvolver um quadro de broncopneumonia aspirativa. Pela decisão do STF, ele deve permanecer em sua residência por 90 dias, sob monitoramento por tornozeleira eletrônica. O ex-presidente também está proibido de utilizar celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação externa, direta ou indiretamente, sob pena de retorno ao regime fechado.

Até o momento, não há indicação de que Bolsonaro tenha participado diretamente dos fatos investigados na ocorrência envolvendo a arma. A Polícia Civil busca esclarecer apenas as circunstâncias em que o armamento registrado em seu nome foi encontrado na posse do sargento do Exército durante a fiscalização da PM no Distrito Federal.