"Altura do vão é 2,45m": mensagem cifrada colocou Wagner na mira da PF
Em uma das conversas de Jaques Wagner reveladas pela PF, a expressão foi interpretada como valor de imóvel de luxo em Salvador

Mensagens reveladas por investigação da Polícia Federal (PF) mostram que um apartamento de luxo, avaliado em R$ 2,45 milhões, estaria entre as vantagens oferecidas por investigados ligados ao Banco Master a Jaques Wagner (PT/BA), líder do governo no Senado. Na manhã desta quinta-feira (18/6), a PF deflagrou a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que tem Wagner como um dos alvos de mandado de busca e apreensão.
Esta fase da operação mira também pessoas físicas e jurídicas ligadas ao senador, ao ex-sócio de Daniel Vorcaro, Augusto Ferreira Lima, e a empresas que mantêm relação com o Banco Master e o Credcesta.
Em uma das conversas de Jaques Wagner interceptadas pela PF, a expressão “a altura do vão é 2,45m” foi interpretada pela autoridade policial como possível linguagem cifrada relacionada ao valor do imóvel de luxo, em Salvador (BA).
Conforme apontam os levantamentos, Jaques Wagner teria encaminhado a Augusto Lima dados do empreendimento Poème Horto e do corretor responsável pela venda.
Em seguida, ele teria acionado Valério Marega Júnior, da WNT Gestora, para tratar da operacionalização da aquisição do referido imóvel, que teria sido efetivada com o auxílio de Daniel Monteiro e David Lopes Monteiro. Daniel Monteiro seria homem de confiança de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Informações obtidas dão conta de que, mesmo após a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, as tratativas relacionadas ao imóvel não teriam sido interrompidas. Pelo contrário, teriam continuado por intermédio de Guilherme Henrique Sodré Martins, David e Daniel Monteiro, incluindo reuniões presenciais, chamadas de voz, videoconferências e envio de minutas contratuais.
O outro lado
A defesa de Augusto Nunes diz que considera “as diligências realizadas pela Polícia Federal como desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração”.
“De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos”.
O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, saiu em defesa de Wagner.
“O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade”, afirmou Edinho, em nota divulgada pouco depois da operação.
Ainda segundo o presidente, “os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados”.
“Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, finalizou o presidente do PT.
Os outros investigados ainda não se manifestaram. O espaço segue aberto




