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Brasil

Planalto orienta ministros a tratar fuga de Flávio como caso de Justiça

Governo Lula busca evitar tese de perseguição política e reforçar que o caso é de responsabilidade da Justiça e da Polícia Federal

29/10/2026 04:30
Joe Raedle/Getty Images
Um avião que transporta o candidato à presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, e sua família chega ao Aeroporto Executivo Miami-Opa Locka, em 28 de outubro de 2026, em Miami, Flórida

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou ministros e demais auxiliares a evitar elevar o tom sobre a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos (EUA) após a derrota nas eleições. A gestão busca conter desgastes e trata o episódio como um assunto a ser resolvido pela Justiça.

A intenção do governo petista é se afastar ao máximo do caso para evitar alimentar o discurso de que a família Bolsonaro é alvo de perseguição por parte do governo brasileiro.

A estratégia consiste em reforçar que a situação de Flávio é de responsabilidade da Justiça e da Polícia Federal (PF).

O Metrópoles apurou que a orientação teria sido dada pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Sidônio Palmeira.

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A instrução foi informada depois de Lula criticar publicamente a decisão de Flávio de deixar o país após a derrota nas urnas. Na terça-feira (27/10), durante a comemoração de seus 81 anos, no Palácio da Alvorada, o petista classificou a atitude do adversário como “vergonhosa” e declarou que a família Bolsonaro “lambe botas” dos Estados Unidos.

“Eu lamento que ele tenha saído do Brasil, porque ele poderia ficar aqui e provar que as acusações não são verdadeiras. Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso. Lamentavelmente, a família Bolsonaro é isso, é lamber botas dos EUA”, declarou. Lula afirmou ainda que, se um cidadão “sai escondido do país, é porque deve alguma coisa”. “Quem não deve não teme”, disse o presidente.

O petista também voltou a chamar Flávio de “miliciano” e declarou que o senador do PL não pode afirmar que não há democracia no Brasil. “Não vai dizer lá fora que o Brasil não tem democracia. Se não tivesse, um miliciano não seria candidato a presidente”, afirmou.

Naquele momento, embora parte da imprensa já tivesse noticiado ouvido de aliados que Flávio havia chegado aos Estados Unidos, o senador ainda não havia atravessado a fronteira entre Brasil e Argentina. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) desembarcou com a mulher e as duas filhas em Miami, na Flórida, na manhã desta quarta-feira (28/10).

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Lula e Flávio Bolsonaro na votação
O avião fez uma escala em Equador após sair da Argentina
Senador viajou acompanhado de sua esposa e suas filhas
Flávio deve pedir asilo político nos EUA
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Os EUA já afirmaram que vão emitir vistos para a família
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Os EUA já afirmaram que vão emitir vistos para a família

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Lula e Flávio Bolsonaro na votação
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Lula e Flávio Bolsonaro na votação

Wagner Meier/Getty Images - Stuckert/Presidência
O avião fez uma escala em Equador após sair da Argentina
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O avião fez uma escala em Equador após sair da Argentina

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Senador viajou acompanhado de sua esposa e suas filhas
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Senador viajou acompanhado de sua esposa e suas filhas

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Flávio deve pedir asilo político nos EUA
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Flávio deve pedir asilo político nos EUA

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Jato Gulfstream G400 da empresa Baires Fly usado por Flávio Bolsonaro em fuga para os EUA
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Jato Gulfstream G400 da empresa Baires Fly usado por Flávio Bolsonaro em fuga para os EUA

Reprodução/Baires Fly
Jato Gulfstream G400 da empresa Baires Fly usado por Flávio Bolsonaro em fuga para os EUA
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Jato Gulfstream G400 da empresa Baires Fly usado por Flávio Bolsonaro em fuga para os EUA

Reprodução/Baires Fly

Governo quer relação pragmática com EUA

  • Como mostrou o Metrópoles, o governo Lula avalia que a fuga de Flávio Bolsonaro deve voltar a elevar a tensão entre Brasil e Estados Unidos.
  • Apesar das perspectivas de recrudescimento das relações entre Brasil e EUA, auxiliares de Lula acreditam que o episódio envolvendo Flávio não impede o governo de buscar uma relação pragmática com a administração Trump.
  • Integrantes do governo lembram que, ao longo do mandato, os EUA já serviram de abrigo a outros nomes do bolsonarismo, como Eduardo Bolsonaro, sem que isso impedisse Brasília de manter canais de diálogo com a Casa Branca.
  • A avaliação é que, apesar das divergências ideológicas, os dois países compartilham interesses em áreas como comércio e segurança pública, que devem continuar na agenda do quarto mandato de Lula.
  • Um dia após o pleito, sem apresentar provas, o líder norte-americano afirmou que o resultado da disputa “pareceu mais uma eleição fraudulenta”. Na ocasião, o republicano disse que o pleito transmitiu uma imagem negativa ao mundo e defendeu que as eleições sejam incontestáveis. Apesar das críticas, Trump afirmou gostar de Lula e manter uma boa relação com o presidente brasileiro.
  • O governo do Brasil optou por não reagir à declaração, a fim de evitar alimentar uma polêmica considerada desnecessária. A avaliação é que, com exceção da Argentina e dos Estados Unidos, os principais atores políticos reconheceram imediatamente a vitória do petista, incluindo lideranças da direita sul-americana.

Fuga e carta com autodeclaração de presidente

O senador deixou o Brasil na noite de terça-feira, acompanhado da esposa e das duas filhas, pela fronteira com a Argentina, por meio da Ponte Internacional Tancredo Neves, em Foz do Iguaçu (PR). Do país vizinho, embarcou em um jato particular com destino ao Equador. Após uma breve parada, Flávio seguiu para Miami, nos Estados Unidos.

Ao deixar o país, o bolsonarista descumpriu uma ordem judicial expedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que determinou que ele entregasse os passaportes em um prazo de 24h.

Flávio é investigado por lavagem de dinheiro em um suposto esquema que envolveria empresas do advogado Willer Tomaz e um negócio de apostas on-line.

Nesta quarta-feira, já em solo norte-americano, o senador publicou uma carta na qual se declarava “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, recuou e divulgou uma nova versão do texto, sem o trecho, na qual se apresentava apenas como “líder do Brasil”.

O documento reúne diversas acusações, sem provas, sobre supostas fraudes no processo eleitoral brasileiro. Flávio também acusa integrantes do Judiciário de promover perseguição política contra ele e a família Bolsonaro. Na carta, afirma que a suposta atuação judicial teria como objetivo silenciá-lo e impedir sua participação política. As acusações são apresentadas pelo senador, mas não vêm acompanhadas de provas no documento.

Flávio também nega ter fugido e afirma que pretende liderar a oposição à distância, dos Estados Unidos. O senador diz que pretende se dirigir regularmente aos brasileiros e apresentar, nos próximos dias, uma estratégia para mobilizar a oposição. Ele também pede que parlamentares e governadores aliados mantenham a atuação política no país.

O senador foi derrotado no segundo turno das eleições, com 48,21% dos votos. Lula obteve 51,79%. O resultado foi reconhecido pela oposição, inclusive pelo Partido Liberal (PL) e pelo candidato a vice na chapa de Flávio, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL).

O resultado também foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e por lideranças da comunidade internacional, incluindo representantes da direita sul-americana.