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Eleições 2026Brasil

Flávio recorre a símbolos de Bolsonaro na largada da campanha

Início da corrida eleitoral terá ato na Praia de Copacabana, motociata em Juiz de Fora e giro por estados do Sudeste

15/08/2026 04:30, atualizado 15/08/2026 08:16
DANILO M. YOSHIOKA / ESPECIAL METRÓPOLES @danilomartinsyoshioka
Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro em ato, na avenida Paulista, em março de 2025

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vai abrir a campanha à Presidência neste domingo (16/8) com um ato na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. No primeiro dia em que a propaganda eleitoral estará liberada, o senador pretende levar apoiadores às ruas e repetir símbolos e formatos usados pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para mobilizar o bolsonarismo.

A concentração está marcada para as 10h, e o ato deve começar às 11h. Segundo aliados do senador, a manifestação “vai ser ao velho estilo Bolsonaro”. O PL do Rio mobiliza parlamentares, candidatos, dirigentes e apoiadores para ocupar a orla.

A convocação reforça a ligação com o ex-presidente. Em mensagens divulgadas para chamar o público, os organizadores pedem que apoiadores usem roupas e símbolos ligados ao bolsonarismo, como camisas verdes e amarelas e peças com referência a Jair Bolsonaro.

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Copacabana se tornou um dos principais palcos das manifestações ligadas a Bolsonaro nos últimos anos. O ex-presidente recorreu à praia para reunir apoiadores, discursar em carros de som e trios elétricos e transformar a Avenida Atlântica em uma vitrine política do bolsonarismo.

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Um dos episódios mais marcantes ocorreu no 7 de Setembro de 2022, quando Bolsonaro disputava a reeleição contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O então presidente chegou ao Rio, participou de uma motociata e depois seguiu para Copacabana, onde subiu em um trio elétrico e pediu votos.

Naquele dia, apoiadores ocuparam trechos da orla com bandeiras do Brasil e roupas verdes e amarelas. Políticos e lideranças religiosas também discursaram em carros de som. A manifestação ocorreu junto às comemorações oficiais dos 200 anos da Independência.

Bolsonaro aproveitou o ato para atacar Lula. Chamou o adversário de “quadrilheiro de nove dedos” e afirmou que “esse tipo de gente” precisava ser “extirpado da vida pública”.

A manifestação também teve faixas e cartazes com ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de pedidos de intervenção militar.

Flávio tenta agora recuperar essa forma de mobilização. A estratégia, porém, vai além do ato em Copacabana, das camisas de Bolsonaro, das bandeiras do Brasil e das manifestações de rua. Segundo aliados, o senador deve levar para a campanha pautas ideológicas que marcaram a trajetória política do pai.

Pautas ideológicas no programa

Parte dessas bandeiras aparece no programa de governo entregue à Justiça Eleitoral na quinta-feira (13/8). Intitulado “Para o Brasil Vencer o Atraso”, o documento reúne propostas para áreas como segurança, economia, educação, saúde, infraestrutura e gestão pública.

Na área de costumes, Flávio propõe restringir a participação de mulheres trans em categorias femininas de competições esportivas. O plano também defende ampliar as escolas cívico-militares e promete uma educação “livre de doutrinação político-partidária”.

Em outro trecho, o programa apresenta o “respeito à vida desde a concepção” como um valor inegociável. A formulação reforça uma posição contrária ao aborto, embora o documento não apresente propostas específicas para mudar a legislação sobre o tema.

O STF também aparece no programa. Flávio propõe limitar decisões individuais de ministros, mudar regras para ações que chegam à Corte e retirar do Supremo processos criminais contra autoridades que hoje são julgadas diretamente pelo tribunal.

A tentativa de repetir marcas do pai deve continuar depois de Copacabana. A campanha trabalha com a possibilidade de realizar um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, no 7 de Setembro. O local também se tornou um dos principais pontos de mobilização de Jair Bolsonaro nos últimos anos. Os detalhes da manifestação ainda estão em discussão.

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Ato a favor da anistia do 8 de janeiro no Rio
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Ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flavio Bolsonaro
Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)
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BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Ato a favor da anistia do 8 de janeiro no Rio
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Ato a favor da anistia do 8 de janeiro no Rio

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
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Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto
Ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flavio Bolsonaro
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Ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flavio Bolsonaro

Fábio Vieira/Metrópoles
Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)
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Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)

Igo Estrela/Metrópoles

Sudeste no centro da largada

Antes disso, Flávio deve concentrar os primeiros dias de campanha no Sudeste. Depois do Rio, o senador deve passar em Minas Gerais, retornar a Brasília, seguir para São Paulo e voltar ao Rio. O roteiro reflete o peso que a região terá durante a campanha.

A primeira parada em Minas também carrega uma referência direta ao pai. Na segunda-feira (17/8), Flávio deve participar de uma motociata em Juiz de Fora, cidade onde Jair Bolsonaro sofreu uma facada durante a campanha presidencial de 2018.

A concentração está prevista para a manhã, no aeroporto da cidade. O passeio deve terminar próximo à Câmara Municipal.

A motociata recupera outra marca de Jair Bolsonaro. O ex-presidente usou passeios de moto com apoiadores durante o governo e também na campanha de 2022 para mobilizar sua base e produzir imagens de grandes concentrações com repercussão nas redes sociais e na imprensa.

Minas Gerais também tem papel importante na estratégia eleitoral. O estado é o segundo maior colégio eleitoral do país e costuma ser tratado pelas campanhas como um dos principais termômetros da disputa presidencial.

Ao mesmo tempo, o PL enfrenta dificuldades para organizar o palanque local. A legenda caminhava inicialmente para apoiar Cleitinho (Republicanos) ao governo estadual, mas as indefinições e os sucessivos vaivéns dele sobre a disputa levaram o partido a lançar Flávio Roscoe (PL) como candidato ao governo nos últimos dias do prazo de registro de candidaturas.


Palanques sob atenção

  • Rio: PL perdeu o apoio de União Brasil e PP, e Douglas Ruas ainda não cresceu nas pesquisas.
  • Minas: partido lançou Flávio Roscoe, desconhecido do eleitorado, após impasse com Cleitinho.
  • São Paulo: campanha busca maior participação de Tarcísio.
  • Flávio tenta fortalecer alianças nos principais estados do Sudeste.

Em São Paulo, Flávio pretende ampliar a presença da campanha. A estrutura da candidatura foi transferida para o estado em uma tentativa de aproximá-lo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), favorito à reeleição e de quem o senador cobra, nos bastidores, maior participação na campanha, além do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB).

Problemas no berço da família

No Rio, Flávio tenta preservar a força eleitoral construída pelo pai. É justamente no estado, porém, que ele começa a campanha com um palanque mais frágil do que o PL pretendia montar. Berço político da família Bolsonaro, o Rio viu o partido perder aliados durante as negociações para a eleição.

A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, decidiu não apoiar Douglas Ruas (PL) na disputa pelo governo estadual. Os dois partidos adotaram neutralidade e encerraram a aliança anunciada no início do ano.

O PL também perdeu nomes que fariam parte da chapa, que havia sido articulada com atuação de Flávio. Rogério Lisboa (PP), anunciado como candidato a vice de Ruas, desistiu da disputa. Márcio Canella (União), indicado para concorrer ao Senado, também deixou o projeto e decidiu disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio.

Sem os antigos aliados, o PL montou uma chapa formada apenas por integrantes da legenda. Douglas Ruas disputa o governo com Fernanda Louback como vice. Carlos Portinho e Carlos Jordy concorrem às duas vagas do estado no Senado.

O ato deste domingo também dará largada à campanha desses candidatos. A mobilização em Copacabana deve reunir a chapa fluminense em torno de Flávio antes do lançamento oficial do grupo, marcado para 22 de agosto, no Maracanãzinho.