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Brasil

Contas do governo registram superávit de R$ 4,8 bilhões em setembro

Dados sobre as contas do governo central foram divulgados nesta quinta-feira (29/10) pelo Tesouro Nacional

29/10/2026 09:47
Michael Melo/Metrópoles
Contas do governo registram superávit de R$ 4,8 bilhões em setembro

As contas do governo central — Tesouro Nacional, Banco Central (BC) e Previdência Social — registraram superávit primário de R$ 4,8 bilhões em setembro de 2026.

Os dados fazem parte do Relatório do Tesouro Nacional (RTN), divulgado nesta quinta-feira (29/10).

  • Déficit é quando um governo tem mais despesas do que receitas, superávit é quando acontece o contrário.
  • Resultado real é ajustado por um índice de inflação, resultado nominal é o valor bruto, sem ajustes inflacionários.

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No mesmo mês de 2025, foi observado um déficit de R$ 14,4 bilhões (em valores não corrigidos pela inflação). O resultado primário do governo central acumulado em 12 meses foi de déficit de R$ 49,5 bilhões, equivalente a 0,38% do Produto Interno Bruto (PIB).


Entenda as contas do governo central

  • Um superávit primário ocorre quando as receitas têm saldo maior do que as despesas, sem contar os juros. O déficit primário ocorre quando esse resultado é negativo. Juntos, eles formam o “resultado primário”;
  • No acumulado de 2025, o governo central teve déficit primário de R$ 13 bilhões (descontadas as deduções R$ 48,6 bilhões) — equivalente a 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB);
  • Mesmo com o resultado negativo, a meta fiscal de 2025 foi cumprida;
  • A meta do governo federal para 2026 é de superávit fiscal de 0,25% do PIB (R$ 34 bilhões).

Em relação ao resultado acumulado no período de janeiro a setembro de 2026, o Governo Central registrou um déficit de R$ 90,1 bilhões, frente a um déficit de R$ 100,2 bilhões em 2025.

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Em termos reais, a receita líquida apresentou em setembro um aumento de 13,6% e a despesa total registrou uma alta de 2,4%, quando comparadas ao mesmo período do ano anterior.

O resultado parcial deste ano (janeiro a setembro) decorreu de um superávit de R$ 213,8 bilhões do Tesouro e déficits do Banco Central (R$ 771 milhões) e da Previdência Social (R$ 303,2 bilhões).

Receitas

Em setembro de 2026, a receita total apresentou aumento de R$ 29,4 bilhões (13%). Segundo o Tesouro, o aumento da receita total no mês foi explicado, em grande medida, pelo desempenho das receitas administradas pela Receita Federal (RF). Os principais destaques foram:

  • Imposto de Importação – aumento de R$ 1,7 bilhão;
  • Imposto sobre a Renda – aumento de R$ 7,3 bilhões;
  • Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) – redução de R$ 1 bilhão;
  • Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) – aumento de R$ 1,2 bilhão;
  • Outras Receitas Administradas pela Receita Federal (RF) – aumento de R$ 5,3 bilhões;
  • Arrecadação Líquida para o Regime Geral da Previdência Social (RGPS) – redução de R$ 2,2 bilhões;
  • Exploração de Recursos Naturais – aumento de R$ 5,7 bilhões;
  • Demais Receitas – aumento de R$ 12,8 bilhões.

No acumulado do ano, a receita total chegou a R$ 142,7 bilhões (6,4%), enquanto a receita líquida apresentou elevação de R$ 115,6 bilhões (6,5%) em termos reais frente ao acumulado do ano anterior.

Essa variação, segundo o tesouro, decorre principalmente do efeito conjunto de:

  • Imposto sobre a Renda – aumento de R$ 27 bilhões;
  • IOF – aumento de R$ 12,2 bilhões;
  • Cofins– aumento de R$ 13,6 bilhões;
  • PIS/PASEP – redução de R$ 1,9 bilhão
  • CSLL – aumento de R$ 10,4 bilhões
  • Outras Receitas Administradas pela RF – aumento de R$ 24,5 bilhões
  • Arrecadação Líquida para o RGPS – aumento de R$ 27,1 bilhões
  • Dividendos e Participações – redução de R$ 16,1 bilhões
  • Exploração de Recursos Naturais – aumento de R$ 23,8 bilhões

Despesas

Com relação as despesas, em setembro, contra mesmo mês de 2025, houve uma aumento de R$ 4,7 bilhões
(2,4%) em termos reais:

  • Benefícios Previdenciários – aumento de R$ 2,1 bilhões;
  • Abono e Seguro Desemprego – redução de R$ 221,2 milhões
  • Créditos Extraordinários – aumento de R$ 9,9 bilhões
  • Fundeb – Complementação da União – aumento de R$ 1,3 bilhão
  • Subsídios, Subvenções e Proagro – aumento de R$ 1,0 bilhão
  • Obrigatórias com Controle de Fluxo – redução de R$ 1,5 bilhão
  • Discricionárias – redução de R$ 8,4 bilhões

No acumulado do ano, a despesa total apresentou elevação de R$ 102,1 bilhões (5,4%) frente ao mesmo período do ano anterior.

As principais variações foram:

Benefícios Previdenciários – aumento de R$ 31,7 bilhões
Pessoal e Encargos Sociais – aumento de R$ 15,1 bilhões
Créditos Extraordinários – aumento de R$ 20,6 bilhões
Discricionárias – aumento de R$ 27,7 bilhões

Meta fiscal de 2026

A meta fiscal do governo federal para este ano é um superávit de 0,25% do PIB (R$ 34 bilhões). Ou seja, a sobra de R$ 34 bilhões na diferença entre receitas e despesas.

No entanto, há uma tolerância de 0,25 ponto percentual. Com isto, o resultado é considerado cumprido se a diferença entre a arrecadação e as despesas for igual a zero ou se houver um superávit de até R$ 68 bilhões.

Meta fiscal para os próximos anos:

  • 2027: superávit de 0,50% do PIB (R$ 70,7 bilhões);
  • 2028: superávit de 1% do PIB (R$ 150,7 bilhões).