Caso Master: Lula defende investigação de "todo mundo, doa a quem doer".
Lula afirma que a democracia do Brasil não pode ficar refém de vazamentos seletivos. "O povo tem o direito de saber a verdade", diz ele

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou, nesta quinta-feira (3/9), sobre a crise que surgiu no Supremo Tribunal Federal (STF), em decorrência dos desdobramentos do caso do Banco Master. Em vídeo divulgado nesta noite, Lula defende que “todo mundo” deve ser investigado, “sem blindagem de ninguém, doa a quem doer”.
“A democracia precisa de instituições fortes e respeitadas. Fica claro que o nosso sistema político e judiciário precisa de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade”, defende o presidente.
Confira:
Lula não chegou a citar diretamente nenhuma autoridade no pronunciamento. A declaração, contudo, surge em meio à tensão no STF por conta do Banco Master e seu ex-dono, o banqueiro Daniel Vorcaro.
“O banqueiro líder do esquema tem relações com muita gente poderosa. E foi no meu governo que ele foi preso e o seu banco, fechado. Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos. Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a PGR liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações”, expôs Lula.
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Nessa terça-feira (1º/9), o ministro André Mendonça tirou o sigilo de parte da investigação da Polícia Federal (PF) sobre o caso. No conteúdo, foram encontradas conversas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, que citam o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Um dia depois, o site ICL notícias revelou diálogos entre o banqueiro e Mendonça, que chegaram a se encontrar em 14 de março do último ano. O ministro é o atual relator do caso Master no STF.
Na noite desta quinta, Moraes acusou Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade a favor de determinados grupos políticos.
Diante da crise no STF, o presidente da Corte, Edson Fachin, abriu um procedimento interno para que as partes envolvidas no caso se manifestem. Alexandre de Moraes, André Mendonça, Andrei Rodrigues e Paulo Gonet têm cinco dias para se manifestarem.
Preso desde março, Vorcaro é investigado por operar uma fraude financeira bilionária, por meio do Banco Master, cujo prejuízo ultrapassa a casa dos R$ 50 bilhões.
