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Bolsonaro foge dos debates como o diabo foge da cruz

Em 2018, ele foi salvo pela facada que levou em Juiz de Fora

atualizado

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Presidente Jair Bolsonaro (PL) em Goiânia (GO)
1 de 1 Presidente Jair Bolsonaro (PL) em Goiânia (GO) - Foto: Gustavo Moreno/Metrópoles

Bolsonaro já mandou repórter calar a boca por não ter gostado da pergunta que ele lhe fez. Pela mesma razão, ameaçou encher de porrada a boca de outro repórter.

Armando Falcão, ministro da Justiça do general Ernesto Geisel, o quarto presidente da ditadura militar de 64, ficou famoso de tanto repetir a frase “Nada a declarar”.

O noticiário está repleto da observação de que, procurado para comentar, o governo Bolsonaro preferiu não o fazer. É um truque velho para não alimentar assuntos incômodos.

Foi, portanto, em linha com tudo isso que Bolsonaro declarou, ontem, que não participará de debates no primeiro turno com os demais candidatos à sua sucessão.

Não quer ser alvo de perguntas que não queira ou não saiba responder. Tem medo de virar saco de pancadas dos adversários. Se pelo menos as perguntas fossem combinadas antes…

Sim, ele sugeriu que se as perguntas fossem combinadas antes, poderia participar dos debates. E também se elas fossem as mesmas para todos os candidatos.

Debates, segundo ele, só no segundo turno. Esqueceu que pode não haver segundo turno, seja porque ele poderá se eleger no primeiro ou então ficar de fora do segundo.

A facada que levou em Juiz de Fora no dia 6 de setembro de 2018 salvou Bolsonaro dos debates.  Nos únicos que participou antes da facada, saiu-se muito mal, de resto como se previa.

No primeiro debate, irritou-se por que lhe perguntaram por que ele, sendo dono de apartamento em Brasília, recebia o auxílio-moradia pago pela Câmara para deputado sem imóvel.

No segundo debate foi severamente repreendido pela candidata Marina Silva (PSB) por ter ensinado em praça pública a uma criança a fazer com os dedos o sinal de arminha.

Não participou de nenhum outro debate no primeiro turno alegando razões médicas. Embora liberado pelos médicos, não foi a nenhum debate no segundo turno com Fernando Haddad (PT).

Debate com perguntas combinadas seria o ideal para Bolsonaro; desse modo, ele não seria surpreendido por nada e ainda poderia decorar as respostas preparadas por seus assessores.

Fernando Collor, em 1989, Fernando Henrique Cardoso, em 1998 e Lula em 2006 fugiram dos debates no primeiro turno, sem faltar a nenhum no segundo. Mas eles lideravam as pesquisas.

Bolsonaro está 21 pontos atrás de Lula, de acordo com a mais recente pesquisa Datafolha. Quem está atrás comparece a debates para tentar vencê-los e ultrapassar quem está na frente.

Mas Bolsonaro, não. Ele teme ficar mais para trás.

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