Jornalista cria rede de troca de doações por abraço, reiki ou cafuné
A ideia da Patrícia Roedel é juntar pessoas que querem ajudar e encaminhar as doações a quem precisa
atualizado
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“Todo mundo pode doar alguma coisa, nem que seja um abraço”. Esse provérbio popular deixou uma pulga atrás da orelha da jornalista Patrícia Roedel. Envolvida com voluntariado há anos, ela procurava uma maneira de sensibilizar amigos sobre a necessidade e a importância de fazer doações. “As pessoas têm vontade, mas normalmente não sabem direito para quem doar ou o que doar”, explica.
Por isso, criou uma iniciativa diferente. A cada 45 dias, ela reúne um grupo de 20 voluntários no gramado do Eixão, na altura da 214 norte. Quem passa por lá, pode escolher entre um “Abraço, Reiki ou Cafuné”. As opções de carinho acabaram virando o nome do projeto. Em troca (não obrigatória, mas bem-vinda), o receptor doa o que puder. Há quem ofereça sabonete, sapato usado, casaco sem uso, curativos, comida ou o que estiver sobrando.
Na primeira edição, foram arrecadados mais ou menos 250 itens. Na seguinte, quase 700. A prestação de contas é feita na página do projeto — as doações são catalogadas e a entrega dos produtos é fotografada para deixar tudo às claras. O melhor? O ciclo é completo: todo mundo ganha com o projeto. Quem se oferece para dar o carinho, quem recebe e as comunidades beneficiadas com os produtos.
“É uma pobreza absurda. Ela é muito religiosa e não queria dinheiro, só recebia doações. Mas as pessoas não repassam nada perecível. Resultado: essas crianças nunca comem carne e frutas. É inacreditável”, conta a jornalista.
Depois de quase duas horas de conversa, Tia Tatá aceitou receber contribuições em dinheiro e a página do Abraço, Reiki ou Cafuné se responsabilizou em recolher ajuda. Agora, a ideia é colocar a creche improvisada nas doações constantes da instituição. Qualquer pessoa pode entrar na página e fazer novas indicações.
Patrícia também tem outro projeto, o Tutorial do Bem. O canal no YouTube mostra, em episódios, um amigo da jornalista que quer “se tornar uma boa pessoa”. Em cada vídeo, ele faz uma tarefa: já doou sangue, emprestou pequenas quantias para microempreendedores e participou do Be My Eyes (Seja Meus Olhos, em português), um aplicativo que ajuda deficientes visuais em situações do dia a dia.
Com todos esses projetos, Patricia aprendeu que todo mundo precisa de alguma coisa, mas não necessariamente um objeto físico. Às vezes é simplesmente um abraço ou um cafuné. Quem quiser ajudar ou receber carinho, a terceira edição acontece no dia 1º de outubro, no gramado do Eixão na altura da 214 norte.