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Rapper de 9 anos, MC Gatinha canta inclusão em rimas: “Observo a vida”

Moradora da zona norte, Wendy Queiroz é fluente em libras e também é atriz. Ela integra o elenco de Os Quatro da Candelária, da Netflix

atualizado

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MC Gatinha, rapper de 9 anos - Metrópoles
1 de 1 MC Gatinha, rapper de 9 anos - Metrópoles - Foto: @mcgatinharap/Instagram/Reprodução

São Paulo – Aos 9 anos, Wendy Queiroz gosta de estudar, desenhar, assistir a desenhos — principalmente doramas (drama japonês) — e devorar livros. Moradora da Parada Inglesa, na zona norte de São Paulo, ela tem um talento não muito comum para tão pouca idade: é expert em fazer rimas. A habilidade a transformou na MC Gatinha.

“Quando estou rimando ou fazendo batalhas, me sinto positiva”, garante a pequena rapper, em entrevista ao Metrópoles. Nas letras musicais, a paulista fala sobre educação e inclusão, com direito a canções em libras. Como atriz, ela integra o elenco de Os Quatro da Candelária, da Netflix, que estreou nesta semana.

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MC Gatinha faz batalhas de rimas
Ela tem músicas autorais
A arte e a música vêm da influência familiar
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Wendy Queiroz tem 9 anos

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MC Gatinha faz batalhas de rimas

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Ela tem músicas autorais

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A arte e a música vêm da influência familiar

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MC Gatinha: rapper aos 9 anos

Tudo começou quando Wendy tinha apenas 4 anos, cantarolando a música Eu Sei de Cor, de Marília Mendonça. A mãe, Jaine Queiroz, 27, notou desde cedo que a filha tinha dom para cantar. “Parecia um passarinho. Com 1 ano de idade, ela já tinha uma fonética perfeita.”

A paulista cresce em uma família ligada à arte cênica, de malabaristas. Por incentivo dos pais, conheceu o rap. “É como se estivesse conversando com alguém, mas cantando. As palavras têm que terminar com os mesmos sons e letras. E canto tudo bem rapidinho, mas para mim é fácil”, explica a especialista mirim.

Para Jaine, que atualmente trabalha como babá, o rap é um estilo de vida. “É uma vivência, [são] sonhos, principalmente para a gente que veio de comunidade. Acreditar que com a educação a gente pode mudar de vida, ter um futuro diferente e abençoado”, acrescenta. “O rap dela [MC Gatinha] fala sobre educação, sobre a criança sair um pouco do celular e viver.”

A junção da influência familiar com a habilidade nata resultou em uma carreira precoce. Aos 5 anos, ela já se definia como rapper. “Descobri que sabia rimar vendo o meu pai fazendo. Eu testei e gostei”, relembra Wendy.

Atualmente, MC Gatinha usa o rap para abordar assuntos do cotidiano. “Você pode falar sobre o momento ou fazer rimas de conhecimento, por exemplo: o coronavírus, a Turma da Mônica, o YouTube”, explica. Nas batalhas, a “técnica para ganhar” é rimar sem falar “coisas feias”, como incitações a agressões. “Sempre com respeito”, garante.

“Observo a minha vida e escrevo”

Motivada e acompanhada pela mãe, Jaine, a pequena Wendy tem uma carreira “de gente grande”. Já fez shows em Itajaí e Florianópolis, em Santa Catarina; Ilhabela e São Sebastião, no litoral norte de São Paulo; e no Rio de Janeiro.

Durante a semana, a rotina da rapper mirim se divide entre a escola, no Tucuruvi, o trabalho da mãe e a própria casa. Além de participar de batalhas de rimas, ela escreve músicas autorais, com inspiração no próprio cotidiano. “Minhas músicas falam sobre um monte de coisas: sobre educação, sobre mim mesma. Observo a minha vida e escrevo, tenho um caderno de músicas”, detalha.

Uma das principais bandeiras levantadas pela MC Gatinha é a da diversidade. O interesse por temáticas sociais surgiu quando conheceu uma pessoa com surdez e refletiu sobre como seria se houvesse uma criança surda na mesma escola que a dela.

“Ninguém conseguiria se comunicar [na situação hipotética]. Comecei a pesquisar no YouTube ‘comidas em libras’, ‘saudações em libras’, ‘alfabeto em libras’, várias coisas. Nas minhas músicas, eu falo sobre inclusão”, orgulha-se.

A compositora já produziu duas músicas em libras. Uma das letras reivindica: “Tô de saco cheio de não ver inclusão no recreio.”

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Wendy conheceu o rap por incentivo dos pais
Wendy ama desenhar e assistir a desenhos
A pequena rapper tem uma habilidade nata para rimar
Nas músicas, ela fala sobre educação e inclusão
Wendy e Jaine passaram sete meses no Rio de Janeiro para as gravações de uma série da Netflix
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MC Gatinha é acompanha pela mãe na rotina

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Wendy conheceu o rap por incentivo dos pais

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Wendy ama desenhar e assistir a desenhos

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A pequena rapper tem uma habilidade nata para rimar

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Nas músicas, ela fala sobre educação e inclusão

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Wendy e Jaine passaram sete meses no Rio de Janeiro para as gravações de uma série da Netflix

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Atriz em série da Netflix

Recentemente, Wendy Queiroz estreou nas telas. “Por causa do rap, eu consegui ser atriz. Fiz um show no [hotel] Copacabana Palace, uma moça me viu. Ela gostou muito de mim e me convidou para fazer um teste”, revela.

MC Gatinha ainda não sabia, mas a audição era para a série Os Quatro da Candelária, da Netflix. Durante as gravações, ela e a mãe se mudaram temporariamente para o Rio de Janeiro.

Na trama, Wendy dá vida à personagem Pipoca. “Não temos muito em comum, somos diferentes, mas amei muito. Fiquei sete meses gravando”, conta. Para ela, a vida de atriz é um desafio satisfatório. “Eu adoro, mas atuar é mais difícil do que cantar. Atuar, às vezes, tem que refazer, regravar uma cena, mas cantar é ‘de boa’.”

No futuro, a paulista se vê como rapper, atriz e influenciadora digital. “Eu me imagino famosa. Um monte de gente me conhecendo e me achando legal”, reconhece. No Instagram, monitorado por Jaine, MC Gatinha já tem cerca de 5 mil seguidores.

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Wendy Queiroz (Pipoca), Douglas (Samuel Silva), Sete (Patrick Congo) e Jesus (Andrei Marques) são os protagonistas
Os Quatro da Candelária estreou em 30 de outubro na Netflix
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Wendy integra o elenco de Os Quatro da Candelária

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Wendy Queiroz (Pipoca), Douglas (Samuel Silva), Sete (Patrick Congo) e Jesus (Andrei Marques) são os protagonistas

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Os Quatro da Candelária estreou em 30 de outubro na Netflix

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Os Quatro da Candelária

Dividida em quatro episódios, a minissérie ficcional Os Quatro da Candelária acompanha as 36 horas que antecederam a tragédia conhecida como “Chacina da Candelária”, em 23 de julho de 1993. Sob produção da Jabuti Filmes e Kromaki, assim como direção de Luis Lomenha e Márcia Faria, a trama estreou na quarta-feira (30/10).

A história é contada pelo ponto de vista de quatro crianças. Com toques de esperança e dureza, os protagonistas lutam para sobreviver nas ruas do Rio de Janeiro. Além de Wendy Queiroz como Pipoca, o elenco reúne Douglas (Samuel Silva), Sete (Patrick Congo) e Jesus (Andrei Marques).

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