Indústria de transformação tem recuperação após 2 meses de retração
Embora as vendas reais da indústria de transformação tenham apresentado recuperação de 3,3% em outubro, salários médios tiveram leve queda
atualizado
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Após dois meses consecutivos de retração, as vendas reais da indústria de transformação apresentaram uma recuperação expressiva em outubro, com alta de 3,3% em relação ao mês anterior. O crescimento foi registrado no Levantamento de Conjuntura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), e marca uma retomada após quedas de -0,9% tanto em agosto quanto em setembro.
Além do avanço nas vendas reais, o componente de horas trabalhadas na produção também apresentou variação positiva, embora modesta, de 0,1%. Já os salários reais médios tiveram leve queda de -0,3% em relação ao mês anterior.
Outro indicador relevante, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), caiu 1 ponto percentual, atingindo 79,2% – menor patamar recente. Todos os dados foram ajustados sazonalmente.
Acumulado no ano
Entre janeiro e outubro de 2024, as horas trabalhadas na produção avançaram 1,5%, enquanto os salários reais médios subiram 1,4% em comparação com o mesmo período de 2023. Apesar disso, as vendas reais acumulam queda de -0,3% no ano, reflexo de um cenário econômico ainda desafiador.
Na análise dos últimos 12 meses, os salários reais médios lideraram os resultados positivos, com alta de 1,4%, seguidos pelas horas trabalhadas, que avançaram 1,0%. Este último indicador mostra uma aceleração contínua desde junho, quando estava em queda (-0,6%), e vem crescendo de forma consistente até setembro (+0,3%).
Por outro lado, as vendas reais continuam no campo negativo, com variação acumulada de -3,3%. Ainda assim, observa-se uma trajetória de recuperação desde março, quando a retração atingia -11,1%.
Cenário de recuperação
Os resultados de outubro indicam que a indústria de transformação pode estar saindo de um período de retração, impulsionada pela recuperação das vendas reais e pela estabilidade nas horas trabalhadas. No entanto, segundo a Fiesp, desafios como a queda da capacidade instalada e a oscilação dos salários reais apontam para a necessidade de atenção contínua a fatores que impactam a produtividade e a competitividade do setor.