Éramos Seis: Gloria Pires confirma talento e abrilhanta remakes
Com muitos anos de estrada na televisão, a atriz, talismã às tramas reinventadas, continua a surpreender
atualizado
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Preciso confessar. Ao saber que Gloria Pires faria o remake de Éramos Seis, tive minhas dúvidas. Não por competência, claro, mas por achá-la muito deslumbrante e jovial para dar vida à matriarca que sofre que nem uma condenada durante toda a vida. Então algo raro aconteceu. Eu estava errado. Ela, mais uma vez, nos embasbacou e deu um show. O mais recente exemplo é o enredo da morte de Carlos (Danilo Mesquita), na semana passada. Aquele capítulo de sábado (08/02/2020), então, foi de desidratar o cidadão.
Se refazer histórias é uma fórmula certeira, Éramos Seis talvez seja um dos melhores exemplos: a trama, baseada no livro de Maria José Dupré, ganha a telinha pela terceira vez. E Gloria Pires, um dos principais motivos do sucesso da adaptação de Ângela Chaves, sagra-se como a pé-quente dos remakes globais. Duvida? Vejamos.
Quando na década de 1990 esse fenômeno começou nas tramas globais (antes disso só Selva de Pedra, em 1986, tinha repetido uma história às oito da noite), ele chegou em grande estilo com Mulheres de Areia na faixa das seis. Era uma nova versão da trama original da extinta Tupi, assinada por sua autora original, Ivani Ribeiro, que também adicionou elementos de outra trama dela própria, O Espantalho. Gloria Pires era Ruth. Gloria Pires era Raquel. Gloria Pires era a Ruth imitando a Raquel e também a Raquel imitando a Ruth. Não dá para ficar melhor do que isso.
A moda de remakes pegou, principalmente às 18 horas. Veio Irmãos Coragem, de Janete Clair, reescrita por Dias Gomes em 1995. Dois anos depois, coube a Gloria o papel principal em outra adaptação setentista, desta vez Anjo Mau, onde reinventou a personagem Nice, originalmente interpretada por Susana Vieira, hoje a Emília de Éramos Seis.
De maneira indireta, a atriz se manteve em alta nesse filão, já que Cabocla, novela estrelada por ela nos anos 1970, ganhou remake global, atualmente em cartaz no Viva, com Vanessa Giácomo no papel-título. Nos últimos 20 anos, tivemos ainda novas versões de Pecado Capital, Sinhá Moça, O Profeta, Paraíso, Araguaia, Ciranda de Pedra e Meu Pedacinho de Chão. Isso sem contar os outros horários com O Astro, Gabriela, Guerra dos Sexos, Ti Ti Ti e mais.
Se alguém precisar de uma sugestão para uma próxima empreitada de Gloria Pires em remakes, eu tenho. Imaginem como seria se ela, imortalizada como Maria de Fátima em Vale Tudo, onde, inclusive, também fez par com Cássio Gabus Mendes (e depois em Babilônia), interpretasse Raquel Accioli? Ou, quem sabe, até a arquivilã Odete Roitman daqui a alguns anos? O fato é que com Gloria no elenco vale a pena mesmo ver de novo.