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Cannes: “Corsage”, de Marie Kreutzer

Visão moderna de imperatriz Sissi encontra a atriz perfeita para o papel.

atualizado

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Festival de Cannes/Divulgação
Corsage
1 de 1 Corsage - Foto: Festival de Cannes/Divulgação

Desde que Sofia Coppola trouxe a história de Maria Antonieta para a Croisette e foi vaiada, assim como Olivier Dahan, também vaiado por seu filme sobre a princesa Grace de Mônaco, tratar de realeza no Festival de Cannes ficou complicado. É bem provável que Marie Kreutzer consiga quebrar a maldição com sua releitura sobre a vida de Elisabeth, a austríaca mais conhecida como Sissi.

De certa forma, o enredo já é conhecido: em nome, a imperatriz tem tudo o que as pessoas do mundo desejam, exceto o mais importante, sua liberdade. Prisioneira da realeza e do cortejo, das formalidades e dos protocolos, Elisabeth anseia fazer o que lhe der na cabeça. O filme começa quando ela está perto de seu aniversário de 40 anos e a vida segue perfeitamente resolvida. Seu marido, o imperador Franz Joseph (Florian Teichtmeister) lhe é indiferente e seus filhos estão crescidos. Sissi tem um pouco mais de espaço do que antes, mas ainda precisa que criadas apertem as cordas de seu espartilho (o “corsage” do título, em francês) até que ela quase não consiga respirar.

O filme é menos sobre sua trama e mais sobre as grandes e pequenas tentativas de Sissi em tirar algum proveito da vida, incluindo sessões com antigos amantes e até o uso de heroína. Ela habita uma série de palácios e mansões, viaja entre países e fala quatro línguas. Nada lhe tira do tédio por algum tempo a mais do que um ou outro só momento. Quando um de seus cavalos favoritos a derruba, ela não tem nem como impedir seu sacrifício, por protocolo.

Até aí, “Corsage” parece mais do mesmo, mas o que difere a direção deste filme é o fato que ele integra uma estética moderna para refletir sobre a falta de progresso societal no tratamento de mulheres até os dias de hoje. Se o previamente citado “Marie Antoinette”, de Coppola, coloca uma trilha pop e certos figurinos atuais entre suas imagens, ele não fazia isso de maneira coerente. Naquele filme, Marie Antoinette era uma menina que queria curtir sua juventude. Aqui, Sissi é uma mulher querendo rebelar seu cerceamento, figurativo, pelo espartilho, e metafórico, pela realeza.

Para isso, o filme conta com uma atriz principal completamente moderna. Desde que surgiu para o mundo em outro filme de época, “A Trama Fantasma”, Vicky Krieps traz uma certa malandragem por trás de seu olhar. A recusa de sua personagem em ser dominada naquele filme se impõe neste também. O resultado, no terço final do filme, é inusitado e provocador, como poucos ousaram fazer com os livros de história. Para isso serve o cinema.

Avaliação: Bom (3 estrelas)

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