Metroviários pedem abono do ponto para encerrar greve
Categoria vai se reunir com representantes do Metrô-DF na próxima quarta-feira (17/8). Enquanto isso, multidão se aglomera à espera dos portões diariamente, pois os trens só funcionam em horários de pico
atualizado
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O fim da maior greve da história dos metroviários no DF — que completou 62 dias nesta segunda-feira (15/8) — esbarrou em um impasse que pode chegar ao fim na quarta-feira (17), quando a categoria se reunirá em audiência no Tribunal Superior do Trabalho (TST). O diretor jurídico do Sindicato dos Metroviários do DF (Sindmetrô), Júlio César Lima de Oliveira, diz que, para os servidores voltarem aos seus postos, só falta o governo atender uma última exigência: abonar os dias em que os funcionários cruzaram os braços.
“Todas as vezes em que o presidente do Metrô ou o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) aparecem na imprensa, eles falam que o pleitos dos metroviários são legítimos. E, agora, querem computar a greve para os trabalhadores?”, queixou-se Júlio César Lima.O dirigente explicou que o governo sinalizou que concordará com três reivindicações da categoria. O Metrô-DF apontou que cancelará a terceirização irregular da bilheteria por meio de um convênio com o Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans). Uma perícia será montada para avaliar as condições de trabalho dos servidores para, assim, adaptar o sistema conforme às normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho e do Emprego.
Além disso, o governo consentiu em firmar um acordo de recomposição inflacionária. A contratação dos concursados no certame de 2013, contudo, ainda é discutida. Diretor do Sindmetrô, Ronaldo Amorim salientou que o GDF fechou acordo para admitir servidores, respeitando os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Contudo, a categoria pressiona o governo para que o Metrô-DF reverta as despesas acumuladas em mais contratações.
Atualmente, só há um ponto pendente, que é a questão do abono. Um ponto muito pequeno e o governo insiste em fazer birra
Júlio César Lima de Oliveira, diretor jurídico Sindmetrô
Multidão
Até, lá, quem precisa dos trens têm que se resignar. Com funcionamento apenas nos horários de pico — das 6h às 9h e das 17h às 20h30 —, é comum ver nas estações multidões às espera da abertura dos porões. Nesta segunda-feira (15), por exemplo, quem passava pela Rodoviária do Plano Piloto percebia as longas filas daqueles que aguardavam o transporte público para retornar para casa.
No fim da tarde centenas de pessoas — umas sentadas no piso sujo da Estação Central e outras angustiadas com a situação, com semblantes nada convidativos — aguardavam a abertura dos portões do Metrô-DF.
Quando as grades da Estação Central foram abertas, os usuários que esperavam do outro lado do portão se empurraram e correram para tentar conseguir chegar ao seus destinos finais com mais rapidez. A situação flagrada pela reportagem ocorre diariamente, desde de que a greve foi deflagrada.
Cansadas de esperar em pé atrás do portão da estação, as universitárias Caroline Zanetti, 18 anos, e Amanda Magalhães, 18, decidiram sentar no chão da rodoviária. “Acho válida a reivindicação dos metroviários. Mas o governo devia ser mais eficiente. Em dias de jogos das Olimpíadas, as autoridades conseguem fazer os trens rodarem só para os gringos verem. E para a gente que depende deles todo os dias?”, reclamou Amanda.
Agarrado na grade da entrada da Estação Central, o corretor de imóveis Baltazar Feliciano Neto, 46, bradava a plenos pulmões sua irritação com as consequências da paralisação. “Todo mundo tem o direito de pedir aumento. Só não tem o direito de barrar o nosso ir e vir.” Ele planejava ir para Águas Claras, onde tentaria vender um imóvel, mas, por causa da restrição dos horários de funcionamento dos vagões, disse que perderia o negócio.