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“Vou para Brasília com o desejo de encontrar os Poderes”, diz ao Metrópoles novo arcebispo

Dom Paulo Cezar Costa, nomeado pelo papa Francisco, afirma querer construir uma Igreja “que vá ao encontro das periferias humanas”

atualizado

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Dom Paulo Cezar Costa
1 de 1 Dom Paulo Cezar Costa - Foto: Diocese de São Carlos/Divulgação

O padre que auxilia dom Paulo Cezar Costa, novo arcebispo de Brasília, pede para a reportagem esperar um minuto. “Ele está falando com dom Sergio”, diz, referindo-se a dom Sergio da Rocha, ex-arcebispo da capital federal, a quem Paulo Cezar substituirá. O carioca de Valença vem recebendo muitas ligações desde que o Vaticano confirmou sua nova missão.

Aos 53 anos, dom Paulo mudará para a capital do país com uma “certa bagagem”, como ele mesmo diz. Foi bispo auxiliar do Rio de Janeiro, entre 2011 e 2016, e bispo de São Carlos (SP), de 2016 até agora. E a conversa com dom Sergio? Eram conselhos?

“Não, não. Ele só estava me parabenizando e eu também a ele. Hoje (quarta-feira, 21/10) é aniversário dele. E ele é filho da terra, é de São Carlos. É o filho mais ilustre”, diz o religioso, rindo, em conversa por telefone com o Metrópoles. E foi por causa de dom Sergio que dom Paulo agora faz as malas para pastorear a Arquidiocese de Brasília, no centro do poder político no país.

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O novo arcebispo de Brasília tem o discurso conciliador para encontrar soluções
Dom Paulo cita o papa Francisco para falar da missão de saída da Igreja Católica
O religioso assume a responsabilidade política da Igreja Católica ao falar do diálogo com os Poderes
Para dom Paulo, a Igreja tem que ser acolhedora
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Dom Paulo deixa a função de bispo da Diocese de São Carlos (SP)

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O novo arcebispo de Brasília tem o discurso conciliador para encontrar soluções

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Dom Paulo cita o papa Francisco para falar da missão de saída da Igreja Católica

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O religioso assume a responsabilidade política da Igreja Católica ao falar do diálogo com os Poderes

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Para dom Paulo, a Igreja tem que ser acolhedora

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Em março, com a renúncia de dom Murilo Sebastião Ramos Krieger da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, a Sé Primacial do Brasil, papa Francisco nomeou o cardeal dom Sergio como substituto de Krieger. Sete meses depois, o mandatário da Igreja Católica apontou Paulo para evangelizar em Brasília.

“Eu vou com o coração aberto, com o desejo de encontrar as pessoas, as instituições, as pastorais, os movimentos. De encontrar a cidade em suas diversas e complexas realidades”, diz dom Paulo. “É claro que vou com o desejo de construir algo”, acrescenta.

Conciliador

A empolgação é de alguém com experiência; conhecido pelo seu temperamento conciliador e perfil conservador moderado. Foi pároco em igrejas do estado do Rio de Janeiro, estudou em Roma, tornou-se bispo auxiliar na capital carioca e bispo em São Carlos. Teve a responsabilidade de ser vice-presidente do comitê organizador da Jornada da Juventude, em 2013. Enfrentou com afastamento um padre que se envolveu na morte de um policial militar na cidade do interior paulista.

“Vou [para Brasília] levando uma bagagem e o desejo de construir aquilo que o papa Francisco chama de Igreja em saída, uma igreja cada vez mais missionária, cada vez mais evangelizadora, que vá ao encontro das periferias humanas”, aponta dom Paulo.

O religioso não mede as palavras ao reconhecer a importância política da capital. “Vou com o desejo de encontrar os Poderes, o Poder Executivo, o Poder Legislativo, o Poder Judiciário. De dialogar. De construir aquilo que o papa Francisco chama de cultura do encontro”, define.

A cultura do encontro, segundo dom Paulo, é a capacidade que os diversos atores sociais têm de, juntos, discutirem os problemas de uma sociedade, de uma cidade. “E juntos encontrarem uma melhor saída e soluções. O papa Francisco diz que dialogando se encontra as melhores saídas, as melhores soluções”, cita novamente o sumo pontífice.

O presidente

O arcebispo não conhece pessoalmente o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). E diz que, no momento certo, quer estabelecer “diálogo”. “Quando falo diálogo, é aquele justo, honesto, necessário, onde todo mundo ganha. A gente nunca dialoga com as mãos vazias. O diálogo da Igreja parte sempre da moral da Igreja, da Escritura, do rico patrimônio que a Igreja tem com sua doutrina social”, detalha.

“A partir daí, quero construir pontes, seja com o presidente Jair Bolsonaro, seja com o Congresso, seja com o Poder Judiciário, seja com os diversos setores da cidade”, complementa.

Dom Paulo também não esconde a inspiração em Francisco no que diz respeito ao discurso de acolhimento que a Igreja Católica deve ter. E quer trazer isso para a capital do país. “O papa Francisco concorda muito com uma teologia da abertura. Isso é importante: a Igreja ser a casa da acolhida”, destaca.

E cita o Evangelho, na passagem em que Marta acolhe Jesus, ao falar sobre o exemplo de integração que a Igreja deve seguir. “(Acolhe e integra) As pessoas que a vida, por uma questão ou outra, feriu. A Igreja tem que ser essa mãe que acolhe, que ajuda a curar, uma mãe que acompanha, tem que ser essa mãe que integra”, discursa.

“Farei todo o esforço para construir uma Igreja integradora, que acolhe” insiste.

Brasília, agora, espera dom Paulo Cezar Costa. Ele pretende tomar posse em 12 de dezembro, Dia de Nossa Senhora de Guadalupe. Antes, porém, deve visitar a cidade, no meio de novembro.

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