PCDF desmantela organização criminosa que furtava airbags de carros de luxo
Especializada em furtar dispositivos de segurança, os criminosos foram responsáveis por, pelo menos, 130 furtos no DF nos últimos dois anos
atualizado
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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nas primeiras horas desta quarta-feira (21/10), uma operação para desarticular organização criminosa especializada em furtos de airbags de veículos de luxo. Os dispositivos de segurança eram destinados a lojas de revenda de autopeças localizadas, no setor H Norte, em Taguatinga. A Operação Último Suspiro cumpre cinco mandados de prisão preventiva, uma temporária e 16 de busca e apreensão.
As apurações da Coordenação de Repressão a Crimes Patrimoniais (Corpatri) apontaram que o criminosos descobriram nos acessórios um rentável nicho de lucratividade e passaram a investir no furto e roubo das peças para revendê-las. Trabalho de inteligência desenvolvido pela unidade especializada mapeou, entre janeiro de 2019 e outubro de 2020, cerca de 130 ocorrência policiais registrando o furto ou roubo dos airbags.
As investigações duraram cerca de um ano e dezenas de perícias foram feitas, mas nenhuma conseguiu apontar os autores. Somente com o monitoramento dos receptadores – lojistas do setor de autopeças – foi possível desvendar quem seriam os responsáveis por tantos furtos. Dada o perigoso risco de deflagração das bolsas dos airbags durante a extração, a habilidade dos criminosos era espantosa, segundo a PCDF.
Modus operandi
De acordo com o delegado Erick Sallum, o modus operandi da organização criminosa era sempre o mesmo. Em poucos minutos, usando carros roubados clonados, estacionavam ao lado dos veículos escolhidos para serem furtados. Enquanto um dos ladrões ficava ao volante, o outro, pela janela traseira, quebrava o vidro do carro da vítima e entrava por ela, sem sequer abrir a porta.
“Depois, já do lado de dentro, rapidamente efetuava a desconexão das bolsas dos airbags e retornava pela janela ao seu veículo, fugindo em seguida. Essa dinâmica se dava mesmo durante o dia e em estacionamentos movimentados. Eram tão habilidosos que ninguém percebia”, explicou o delegado.
As investigações apontaram que os criminosos eram tão experientes que buscavam espalhar os furtos em diversas regiões do DF, evitando repetir locais em espaços curtos de tempo. “O registro fragmentado desses furtos em delegacias diferentes camuflava o fenômeno que aparentava tratar-se de casos isolados. Durante a investigação, os policiais acompanharam o registro de cerca de 79 furtos. Os investigados possuíam dezenas de passagens criminais por furtos em interior de veículo, alguns deles atuando nessa área há mais de uma década”, ressaltou Sallum.
Vínculo criminoso
Com as informações levantadas, foi possível aos investigadores estabelecer o vínculo entre os lojistas do setor H Norte e os criminosos, ficando claro que a destinação dada aos airbags era o mercado paralelo.
“Embora seja expressamente vedada por lei a comercialização de airbags usados, inúmeras lojas oferecem o produto. Enquanto na concessionária a troca desse item sai por R$ 10 mil, no setor H Norte, se encontra o mesmo airbag custa R$ 1,5 mil”, destacou o delegado.
A investigação atestou a existência de uma verdadeira indústria da pilhagem. Criminosos furtam os objetos que depois são colocados à venda em lojas sob um verniz de legalidade, enganando a população. Nesse contexto, dois lojistas, apontados pela PCDF como dois dos maiores maiores receptadores do esquema, foram presos preventivamente. Outras 13 lojas sofreram buscas e apreensão.
“Essa é a primeira grande operação no Brasil sobre o tema. Com a luz jogada sobre esse fenômeno, com certeza, as polícias Judiciárias nos demais estados da federação também notarão essa nova modalidade de crime”, analisou o delegado.