Lovers e haters: infestação de gatos faz moradores da Asa Sul viverem em pé de guerra
Presença dos felinos divide opiniões entre vizinhos da 707 Sul. Há quem os alimente, mas há também quem tenha medo de doenças
atualizado
Compartilhar notícia
Moradores da 707 Sul travam uma guerra que divide quem gosta e quem não suporta os gatos do local. Cerca de 20 felinos tomam conta da rua, motivo de brigas entre os vizinhos.
Segundo a bancária Fernanda Kich, 44 anos, os gatos costumam aparecer, principalmente, no fim da tarde, quando sentem fome. “Realmente, os gatos estão sempre por aqui. Há muito conflito entre os moradores, porque alguns alimentam os gatos. Eu, particularmente, não me incomodo com eles e acho que eles não fazem bagunça por aqui”, contou.
De acordo com ela, a briga entre os vizinhos ocorre há muito tempo e a última discussão aconteceu em agosto. O servidor público Marcelo Seixas, 56, presenciou a briga na rua. “O conflito aqui foi grande. Uma pessoa jogou as fezes do gato na porta da casa da outra. Para mim, é uma violência o que estamos vivendo e nada será resolvido assim (com briga)”, contou.
Marcelo é um dos moradores que deixa uma vasilha com água e outra com ração na porta de casa para os gatinhos se alimentarem. “Tenho dois gatos aqui em casa e não consigo ver outros passando fome, sede e sofrimento na rua. É uma questão de não deixar esses animais morrerem, e eu percebi que eles estão se multiplicando. Até tentei deixar um aqui em casa, mas eles não se acostumam, gostam de viver na rua”, explicou.
Eliane Correia, 61, mora na quadra há 13 anos e conta que os gatos sempre estiverem no local, mas estão aparecendo cada vez mais. Segundo ela, as rações são colocadas nas calçadas das casas e, com isso, aumenta a quantidade de gatos e pombos, que são atraídos pela comida.
“Eles fazem muito cocô na minha calçada e barulho, principalmente quando estão no cio. Uma vez, contei 15 gatos no beco aqui do lado de casa, mas nunca fizemos uma reclamação oficial, só batemos de frente com os moradores que alimentam os gatos. Temos medo das doenças quem eles podem transmitir”, revelou a mulher.
O aposentado Artur Santos, 63, é um dos que defende o extermínio dos felinos. Neste ano, ele chegou a cobrir o portão com uma tela para os gatos não entrarem dentro de casa. “A grande maioria dos moradores não gosta dos gatos na rua, mas não se manifestam. Gato é uma praga igual a rato e pombo, sei que é uma questão de saúde pública”, explicou Artur.
Animais comunitários
Os moradores que ajudam os gatos da 707 não pretendem parar de cuidar dos bichanos, pois se sentem protegidos por uma lei que permite a criação desses animais de rua. A lei que se referem é a de nº 6.612/2020, de autoria do deputado distrital Daniel Donizet (PL). O texto diz que o animal comunitário “pode ser mantido no local em que se encontra sob a responsabilidade de um tutor”. Para isso, basta que os responsáveis “se disponham voluntariamente a cuidar deste animal”.
Além disso, de acordo com a norma, fica autorizada a colocação de abrigos, comedouros e bebedouros para os animais em áreas públicas, desde que os tutores promovam “cuidados com higiene, saúde e alimentação dos animais comunitários pelos quais se responsabilizem, devendo zelar, também, pela limpeza do local em que estes se encontrem”.
Em nota enviada ao Metrópoles, a Zoonoses informou que faz o recolhimento de animais domésticos (cães e gatos) que possam oferecer risco à saúde da população, como disseminação de doenças. Mas não faz o recolhimento de animais em situação de rua sem doenças transmissíveis.
A Gerência de Zoonoses atua também em medidas preventivas, tais como vacinação contra a raiva em cães e gatos, diagnósticos laboratoriais de leishmaniose visceral ou raiva dos bichos em situação de rua. Para ter acesso a esse serviço, é possível ir pessoalmente ao Centro de Controle de Zoonoses ou entrar em contato por meio do telefone (61) 2017-1342.