Inaugurada em 1974, EMB iniciou grandes artistas
Cássia Eller, Hamilton de Holanda, Lula Galvão e Jaime Ernest Dias estão entre os ex-alunos da escola
atualizado
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A Escola de Música de Brasília nasceu no início da década de 1960, após a criação de uma orquestra no Centro de Ensino Médio Ave Branca e da fundação do Centro de Estudos Musicais Villa-Lobos. Em 1974, a sede definitiva foi inaugurada na 602 Sul (foto no alto), onde permanece até hoje.
Desde então, a instituição se tornou principal centro formador de musicistas na capital. Por lá, passaram artistas como os cantores Ney Matogrosso e Cássia Eller, o bandolinista Hamilton de Holanda, o guitarrista Lula Galvão, o contrabaixista Jorge Helder e o violonista Jaime Ernest Dias.
“Estudei violino e violão lá, entre 1983 e 1993. Foram 10 anos maravilhosos. O único professor formal que tive de bandolim foi durante um daqueles maravilhosos Cursos de Verão, em janeiro”, lembra Hamilton. Mais tarde, ele voltou à EMB para dar aulas em um desses cursos. “A escola foi fundamental na minha formação como músico. Tive ótimos professores, como Paulo André, Everaldo Pinheiro… ““Os quadros da escola são muito qualificados, em todas as áreas. E o que é produzido nela devia ter mais divulgação”, ressalta Jaime Ernest Dias, ex-aluno que se tornou professor, hoje aposentado. “Trabalhei no bloco F. Antes de me aposentar, em 2013, falei para fazermos um levantamento da produção discográfica daquele setor. Só nas áreas de flauta, violão popular e erudito e música antiga, havia perto de 50 discos”
Lula Galvão diz que se emociona ao lembrar de coisas que viveu em seu período de EMB. “A atual situação me traz um pesar muito grande ”, lamenta. Para o gaitista Pablo Fagundes, outro ex-aluno, a sensação é outra. “Fui professor em um Curso de Verão e, há alguns meses, marquei um workshop lá. Quando encontrei os professores, percebi o clima de insatisfação em relação à direção atual e cancelei. Foi uma maneira de me mobilizar a favor deles. Devo muito à escola, mas estou decepcionado com o caminho que ela está tomando. Espero que as coisas melhorem”.
Jaimes Ernest Dias arrisca uma sugestão: “Acho que nenhum governo se apercebeu disso, de usar a escola como ponto turístico. Ela tinha que levar um banho de loja, ter um bom teatro e dar visibilidade aos profissionais”.