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CPI: golpistas no QG gastavam R$ 10 mil por dia com aluguel de carro de som

Depoimento do proprietário de empresa de trios elétricos à Polícia Civil detalha financiadores de atos antidemocráticos em Brasília

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manifestação bolsonarista no QG do Exército em Brasília na data 18-12-2022 - Metrópoles
1 de 1 manifestação bolsonarista no QG do Exército em Brasília na data 18-12-2022 - Metrópoles - Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

Financiadores de atos golpistas estão sendo alcançados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Antidemocráticos, em andamento na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Depoimentos colhidos até essa quinta-feira (4/5), por exemplo, mostram que bolsonaristas gastavam cerca de R$ 10 mil por dia só com aluguel de carro de som.

A CPI já ouviu dois empresários suspeitos de financiar movimentos contra a democracia: Joveci Xavier e Adauto Lúcio de Mesquita, sócios de uma rede de mercados do setor atacadista. Adauto, apesar de negar durante a oitiva, foi apontado como uma das pessoas que fomentou protestos logo após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) nas urnas, contratando, por R$ 30 mil, um trio elétrico para três dias de manifestações.

Um dos depoimentos que mostrou o poder financeiro dos golpistas foi colhido pela Polícia Civil do DF (PCDF) na Coordenação de Investigação da CPI. O dono de uma empresa de aluguel de trio elétrico deu nomes e valores de contratos que serviram para endossar as vozes contra o governo democraticamente eleito.

Ressaltando que ele apenas aluga os trios – e que, inclusive, já prestou o mesmo serviço para movimentos de esquerda –, o proprietário detalhou que Adauto contratou o trio dias após Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ser escolhido pela maior parte da população como presidente da República.

“Com relação ao acampamento localizado no Quartel-General do Exército, informou que tão logo o mesmo se iniciou, foi contratado pela pessoa de Adauto. Esclareceu que Adauto, no dia 2 de novembro, entrou em contato com o depoente e que já nessa ocasião solicitou que o trio elétrico Coyote, maior da empresa, deslocasse para o acampamento. […] Que foi buscar o trio elétrico na 26 de Setembro e que Adauto foi junto com o depoente”, traz o termo de depoimento policial.

Em outro relatório da Polícia Civil do DF (PCDF), quando a corporação sugeriu a quebra de sigilo bancário dos empresários, os agentes levantaram que Adauto “não somente financiou atos antidemocráticos como também participou efetivamente das manifestações em favor de intervenção militar”.

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Manifestantes bolsonarista enfrentam a polícia, invadem e destroem o Congresso Nacional
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Manifestantes bolsonaristas em ato golpista de 8 de janeiro
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Manifestantes bolsonaristas em ato golpista de 8 de janeiro

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Golpistas invadem cúpula do Congresso no 8 de Janeiro

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Manifestantes bolsonarista enfrentam a polícia, invadem e destroem o Congresso Nacional

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Dono da rede Melhor Atacadista, o empresário ainda fez doações para a campanha de Jair Bolsonaro, nas eleições de 2022, e admitiu ter transferido R$ 1.210 ao acampamento bolsonarista montado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, para contratação de tendas.

Entre os registros de Pix que Adauto teria arrecadado para pagar os R$ 30 mil do carro de som, está o nome do sócio dele, Joveci Xavier, que também já esteve na CPI. Ele deu R$ 1 mil.

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Joveci Xavier Andrade em protesto golpista
Joveci Xavier Andrade em protesto golpista
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Adauto Mesquita depõe na CPI da CLDF

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Joveci Xavier Andrade em protesto golpista

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Joveci Xavier Andrade em protesto golpista

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Outros nomes

O proprietário da empresa de trios elétricos ainda citou outros nomes de bolsonaristas que contrataram o serviço a fim de convocar mais pessoas para a tentativa de golpe. Segundo ele, “Linaldo, Major, Priscila, Daniel, Jefferson e Mauro Brasil”, lideranças que o conheceu no QG, também alugaram carros de som.

O “Major” citado foi identificado como sendo Cláudio Mendes dos Santos, 49 anos. O Metrópoles mostrou, em 29 de janeiro, que ele liderava os atos em frente ao QG e havia fugido do DF após o 8 de janeiro. Major da reserva da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), ele acabou preso pela Polícia Federal no âmbito da 9ª fase da Operação Lesa Pátria, em 23 de março.

“Major era o locutor oficial do acampamento. Por esses dois dias [de contrato de carro de som], cobrou a importância de R$ 22 mil. Esse valor foi pago uma parte em dinheiro e uma parte em Pix. Recebeu R$ 12 mil de um desconhecido no Restaurante Açougue do Berg, próximo ao Pier 21, e o restante foi pago em Pix por diversas pessoas”, aponta o relatório do depoimento do empresário contratado.

Já o homem conhecido como “Mauro Brasil” alugou o trio para os dias 10 e 11 de dezembro de 2022, ou seja, às vésperas do ataque à Polícia Federal em 12 de dezembro daquele ano. Ele fez o contrato para colocar o carro de som em frente ao Congresso Nacional e pagou R$ 4 mil em dinheiro vivo. O valor restante veio de Pix de diferentes pessoas.

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Manifestantes criticaram o ministro do STF Alexandre de Moraes
Bolsonarista em protesto no QG do Exército
Grupo apoiador de Bolsonaro pede intervenção militar no Brasil
Integrantes do Exército protegem manifestantes bolsonaristas perto do QG
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Apoiadora de Bolsonaro tira foto ao lado de réplica de papelão do ex-presidente

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Manifestantes criticaram o ministro do STF Alexandre de Moraes

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Bolsonarista em protesto no QG do Exército

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Grupo apoiador de Bolsonaro pede intervenção militar no Brasil

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Integrantes do Exército protegem manifestantes bolsonaristas perto do QG

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Oswaldo Eustáquio em acampamento

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Exército fez operação sigilosa no acampamento em frente ao QG

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Barracas de manifestantes

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Chaveiro com imagem de Jair Bolsonaro

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Comboio com 50 ônibus deixa QG do Exército com extremistas

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Wellington Macedo de Souza, 47 anos, de Fortaleza (CE), se identifica como jornalista conservador e oreso por Moraes. Usa tornozeleira eletrônica

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Bolsonaristas acampados em frente ao Quartel-General do Exército se exaltam com possibilidade de retirada do acampamento

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Manifestantes chamam protesto de "novo 7 de setembro"

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Também chama a atenção o nome de Paulo Generoso no relatório da Polícia Civil. Ele é um dos influencers bolsonaristas que vinha incentivando os protestos em frente aos quartéis-generais após o resultado do segundo turno das eleições de 2022. O documento aponta que Paulo chegou a solicitar um carro de som da empresa em 22 de novembro, mas, sem autorização do Exército, o trio elétrico não foi ligado e não houve pagamento.

Indiciamento

Para o presidente da CPI, deputado Chico Vigilante (PT), todo o financiamento foi fundamental para a tentativa de golpe que acabou com a depredação de prédios públicos símbolos da democracia.

“Isso aí vai estar certamente no relatório final. É motivo para indiciamento dele [Adauto] e de outros que contribuíram também. Não teria acontecido dia 12 [de dezembro do ano passado, quando bolsonaristas atearam fogo em veículos e atacaram a polícia] e o dia 8 se não tivesse sido o acampamento. Portanto, quem ajudou na manutenção do acampamento colaborou diretamente para os atos antidemocráticos, os atos terroristas, que aconteceram no dia 12 e no dia 8.”

Outra versão

Adauto Lúcio deu uma versão diferente à CPI sobre a acusação dos carros de som. Ele justificou ter visto apenas uma negociação sobre o preço do carro de som e comentou ter ajudado os participantes a “pechinchar”, por ser um “comprador” e ter essa habilidade. “Fui, apresentei-me, negociei e pedi um preço menor. Tenho habilidade de pechinchar. Mas não dei um centavo. Eles já contratariam. Só ajudei a negociar”, defendeu-se.

Após o depoimento, a assessoria de Adauto divulgou nota dizendo que ele “não financiou, pagou ou contratou qualquer trio elétrico”. Veja a íntegra:

“Conforme informado no depoimento à CPI dos Atos Antidemocráticos da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Adauto Lúcio Mesquita não financiou, pagou ou contratou qualquer trio elétrico. Os próprios extratos do dono da empresa de carro de som, apresentados pela CPI à imprensa, confirmam que não existe nenhuma transferência bancária à empresa proprietária do carro de som. O empresário Adauto Lúcio esteve presente nesta quinta-feira, na CPI dos Atos Antidemocráticos da Câmara Legislativa do Distrito Federal, com objetivo de contribuir com as apurações dos atos realizados no dia 08 de janeiro de 2023. O empresário entregou, por livre e espontânea vontade, aos parlamentares documentos e cópias de seus extratos bancários a fim de comprovar que ele não teve nenhuma relação com os atos de vandalismo realizados no dia 8. Conforme falado em seu depoimento, Adauto repudia veementemente os atos de vandalismo, que culminaram na destruição dos símbolos da democracia brasileira. Adauto reitera que é contra o vandalismo e a intolerância política, e acredita que a democracia é feita com pensamentos diferentes, mas jamais com violência. Ele reafirma a sua crença na justiça brasileira, no parlamento do Distrito Federal e nas demais instituições da nossa República.”

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